Guest post: Paixão pela tradução

Sejam bem-vindos de volta, queridos leitores!

A ordem das publicações foi trocada este mês. Não se preocupem! A série de entrevistas Greatest Women in Translation será publicada na próxima segunda-feira, dia 10. 😉

Hoje tenho a honra de receber uma pessoa querida que acabou se tornando uma grande amiga. Seguidora assídua do blog, tive o prazer de conhecê-la pessoalmente no ano passado. Além de ser uma pessoa incrível, de coração imenso, é também, como é de se esperar de pessoas incríveis, uma profissional competentíssima, apaixonada pela tradução.

Seja bem-vinda, Sil!

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Fonte: Unsplash

Sobre a alegria de estudar e trabalhar com o que se gosta

Bom, este não é um texto sobre especificidades da tradução, mas sobre a paixão que todos têm (ou passam a ter) quando se envolvem com essa área. Quando a Caroline me convidou para escrever, eu já era leitora assídua aqui do blog desde 2014. Foi quando a conheci na Semana do Tradutor da UNESP, uma das melhores edições do evento, em minha opinião! Por isso, eu fiquei um pouco insegura, porque não atuo como freelance há algum tempo e acabaria sendo mais emocional do que profissional. Mas, inspirada no post da Giulia Carletti, Translation lets you be everything you want to be, aceitei o convite, e este é um post sobre como a tradução me motiva e me faz feliz.

Quando terminei a graduação em Letras nos anos 90, não se ouvia falar sobre tradução na universidade, e eu também não sabia que gostava da área e nem que podia estudá-la. Como eu não me encaixava nas linhas de pesquisa oferecidas no mestrado, decidi me dedicar às aulas como professora de inglês. Mas, lembro-me de várias situações em que eu tentava convencer algum aluno de que aquela frase do resumo ficaria muito literal no abstract e perderia o sentido se fosse traduzida como ele queria ou ainda que a letra daquela música não teria sentido se não invertêssemos a estrutura da frase. Era difícil convencer os alunos, mas eu amava estar ali, tentando explicar tudo isso.

Alguns anos depois, mudei-me para Florianópolis e decidi voltar a estudar. Fui pra UFSC. Procurando alguma linha de pesquisa que me motivasse, soube que iria abrir um programa de pós-graduação em estudos da tradução – a PGET. Lembro como se fosse hoje quando eu falei: “Tradução! É isso!” Era o que eu queria fazer. Eu já trabalhava como freelance para uma agência e estudar o que eu tinha como profissão era tudo o que eu queria! Amei cada minuto na PGET porque a tradução me completava e encantava e me fascinava cada dia mais.

Hoje sou professora em um curso de licenciatura em letras e meu objetivo maior tem sido compartilhar com os alunos o que é traduzir e ser tradutor. Digo isso porque muitos deles, apesar de o curso ter como foco a formação docente, acabam atuando como tradutores (e até intérpretes) sem ter conhecimento da profissão. Já outros dizem que a tradução não agrega nada à carreira docente. No entanto, a tradução está presente em muitos momentos em sala de aula: muitos tradutores também são professores, e uma profissão não exclui a outra.

Mas sou insistente. Compartilho questões da prática, mercado, blogs, sites, exercícios, teorias, enfim, questões que eu sei que farão a diferença em algum momento da vida deles. Para os que são flexíveis a ponto de encarar o desafio de estudar e praticar tradução, os resultados têm sido bastante positivos: alguns TCCs já defendidos, um encontro anual sobre tradução, promovo palestras com tradutores nas aulas, um grupo de pesquisa, pequenos projetos de tradução em sala… E tudo o que eu espero são alunos mais conscientes sobre o papel e a singularidade do ato de traduzir. Tudo isso me traz uma única certeza: a tradução foi e é a melhor escolha que eu poderia ter feito pra mim. E assim se faz o caminho, ao andar, como diria o poeta Antônio Machado: sigo como tradutora voluntária, professora e admiradora dos amigos e colegas que fazem da tradução um caminho real e possível.

Sobre a autora
silSilvana Ayub é graduada em letras, artes plásticas e comércio exterior. Tem pós-graduação em estudos da tradução pela PGET–UFSC. Já foi freelance, hoje é voluntária. Queria ser comissária, mas, por ser baixinha, não conseguiu. Queria ser arquiteta, mas a matemática sumiu. É 50% curitibana e 50% florianopolitana, professora de inglês e tradução em Curitiba. Gosta de culinária e aprecia um bom café e uma boa conversa. Desistiu do Facebook e não se arrepende, mas responde a e-mails com relativa rapidez. Pode escrever, se quiser: sil-in-sc@uol.com.br

Guest post: ProZ membership (in Portuguese)

Sejam bem-vindos a mais uma publicação convidada! A convidada deste mês é a Adriana de Araújo Sobota, querida amiga e companheira no Comitê de Administração do Programa de Mentoria da Abrates.

Seja bem-vinda, Adriana!

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ProZ – Vale a pena ser associado?

Uma das perguntas mais frequentes que tradutores, principalmente iniciantes, me fazem é se vale a pena ou não assinar o ProZ. Esse é um assunto muito controverso. Por um lado, tradutores que conseguiram conquistar uma clientela que paga tarifas mais altas acham aviltantes as tarifas oferecidas por alguns anunciantes. Por outro lado, tradutores iniciantes ou que trabalham para agências nacionais, por exemplo, se beneficiam do câmbio e acham essas mesmas tarifas vantajosas.

O fato é que não podemos pensar apenas no valor médio por palavra oferecido no ProZ. Temos que considerar todos os benefícios e entender como ele funciona. Saber aproveitar o que o ProZ oferece pode fazer a diferença para conseguir nele mesmo essa clientela, digamos, superior. Eu trabalho exclusivamente para agências, todas internacionais e 90% delas vieram do ProZ. Portanto, eu só vejo vantagens em ser assinante. Mas essa é a minha visão. Para outras pessoas pode não ser vantajoso e não sou eu que vou dizer o contrário, minha proposta aqui é explicar por que eu acho vantajoso ser assinante.

O que é o ProZ?

É um site onde empresas, tradutores, agências se cadastram e oferecem trabalhos ou prestação de serviços. Tem quem chame o site de leilão, pois algumas agências oferecem trabalhos na base do “quem dá menos”, mas não é só isso que acontece ali. O site tem uma seção de ofertas de trabalho, uma espécie de classificados. Parte dos trabalhos oferecidos já tem o preço que o cliente quer pagar; parte não tem preço e o cliente pergunta a tarifa do tradutor. Algumas das ofertas vêm com o famoso pedido de “best rate”, aí nos perguntamos: best para quem? Claro que para eles!

Quanto custa a assinatura?

Você pode criar seu perfil gratuitamente no ProZ, mas se assinar, terá acesso a mais recursos. A assinatura anual custa, para novos membros, U$ 144. Para quem já é assinante, a renovação da assinatura anual custa U$ 133. Também oferecem uma assinatura semestral, que acaba saindo mais caro, mas que de imediato é mais em conta. A semestral para novos membros custa U$ 99 e para quem vai renovar, U$ 90. Eles oferecem ainda uma terceira modalidade de assinatura, que inclui um pacote de treinamento composto por vídeos e treinamentos para fazer sozinho. O valor é U$ 199 para novos membros ou não. Se optar por essa modalidade de assinatura, ela terá validade de um ano e você poderá escolher um de três pacotes de treinamento: marketing e promoção pessoal; gestão de projetos ou pacote para iniciante. Esses pacotes também podem ser adquiridos separadamente e custam U$ 119 cada (para novos membros ou não).

Vantagens de ser assinante

A primeira vantagem de ser assinante é que você terá acesso imediato às ofertas de trabalho restritas. Não assinantes só podem ver a maioria dessas ofertas após um período mínimo de 12 horas. Muitos anunciantes abrem a oferta para não assinantes após 48/72 horas. Outra grande vantagem é ter acesso ao Blue Board, um diretório que mostra como os colegas tradutores avaliaram as agências (de 0 a 5). Esse diretório é muito útil quando não conhecemos a agência e queremos saber se é boa pagadora, por exemplo. Outras vantagens de ser assinante são: assinantes aparecem listados antes dos não assinantes para os clientes; as cotações dos assinantes são visualizadas primeiro pelos anunciantes; posicionamento nas pesquisas do Google (os clientes são direcionados para o seu perfil no ProZ); descontos em alguns treinamentos oferecidos no site; monitoramento de visitantes do seu perfil; participação em concursos de tradução; descontos em algumas ferramentas etc.

Como tirar máximo proveito do ProZ

Um grande erro do tradutor que diz não conseguir nada no ProZ é não investir no seu perfil. Vejo muitos que criam o perfil e o deixam lá, às moscas. Se um cliente tem um trabalho de inglês para português na área de marketing, vai encontrar centenas de perfis no ProZ e será difícil escolher. É claro que o perfil mais completo, mais organizado e mais detalhado vai se destacar. Ok, isso se o cliente estiver procurando qualidade, porque se estiver procurando preço, vai no mais barato e pronto. Mas aqui queremos chegar àquela clientela “superior”, certo? Assim sendo, é crucial caprichar no seu perfil, colocar o máximo de informações possível, apresentar o seu produto de forma atraente e convincente.

Outro recurso importante e não muito explorado é o WWA (Willingness to Work Again). Com ele, você pode pedir aos seus clientes para deixar depoimentos sobre o seu trabalho. Assim você mostra para os seus futuros clientes que é um profissional sério e respeitado. Igualmente importante é responder rápido às ofertas interessantes de trabalho. Muitas vezes o cliente tem pressa, e se você deixar para responder depois, pode acabar perdendo oportunidades. Lembre-se de que as ofertas são baseadas em critérios específicos (idioma, especialidade, CAT tool etc.), portanto, seja bem específico ao criar o seu perfil, para ter a certeza de que as ofertas ideais cheguem ao seu e-mail.

Depois que melhorei meu perfil, passei a receber inúmeras ofertas de trabalho diretas, que nem vão para a lista. É claro que não foi assim desde o início. Sou associada do ProZ há 9 anos e demorou alguns anos para chegar no nível atual, de raramente responder a uma oferta da lista, a não ser que seja algo muito interessante. Os clientes passaram a me enviar mensagens com ofertas diretas e consegui boas agências assim. Em outras palavras, não é porque você está no ProZ que precisa participar do “leilão”. É claro que, para quem está começando, tem a questão da experiência para colocar no perfil. Mas aí é que entra o seu marketing pessoal, sua capacidade de mostrar que, apesar de ter pouca experiência, é muito bom no que se propõe a fazer, e mostrar isso por meio do zelo demonstrado no seu perfil, da preocupação em se profissionalizar, esse é o ponto de partida para o sucesso.

Muito obrigada por ter aceitado meu convite para escrever para o blog, Adriana! Foi um grande prazer recebê-la no meu cantinho. 🙂

Sobre a autora
Foto FaceAdriana de Araújo Sobota é graduada em Letras e pós-graduada em Linguística Aplicada. É tradutora técnica de inglês e espanhol para português há 17 anos nas áreas de TI, medicina, administração e marketing, engenharias, telecom, turismo e websites. Uma das coordenadoras do Programa de Mentoria da Abrates. É sócia e coordenadora pedagógica do Netwire Learning Center. Editora-chefe da Revista On-line da Abrates. É membro da ABRATES e da American Translators Association.

A competência do tradutor

Sejam bem-vindos de volta, queridos leitores! 😀

Interrompemos a programação normal do blog para publicar a tradução de uma de nossas publicações convidadas. Em dezembro de 2014, a querida Lynne Bowker escreveu o texto Translators and the need for speed. Hoje, é com imenso prazer que recebo no blog a turma de tradução da Unilago, orientada pelo professor (e querido amigo) Deni Kasama.

Sejam muito bem-vindos! 🙂

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Estou muito animada para escrever uma publicação convidada para o blog da Caroline, que eu conheci na XXXIV Semana do Tradutor, no Brasil, em setembro. A Caroline disse que eu tinha liberdade para escolher qualquer tema relevante para tradutores ou relacionado a tradução, contanto que ele ainda não tivesse sido abordado em nenhuma publicação anterior. Assim, como boa tradutora e pesquisadora, primeiro li diligentemente as publicações anteriores (eu tentei ler mesmo aquelas em português!). E estou realmente feliz por ter feito isso. Por um lado, sinto que conheço a Caroline um pouco melhor. Descobri que ela gosta de Alice no País das Maravilhas, o que significa que ela tem algo em comum com Warren Weaver, um dos meus heróis pessoais no domínio da tradução. Esse Weaver é o do “Weaver’s Memorandum“, o documento que deu início a uma investigação séria sobre tradução automática. Independentemente de você ser ou não um fã de tradução automática, o Dr. Weaver era uma pessoa impressionante em vários aspectos.

Descobri também que fazemos aniversário na mesma semana em janeiro, o que significa que a Caroline é do signo de capricórnio. Não me admira que ela seja tão dedicada, trabalhadora e profissional, e também uma excelente pessoa, generosa e cheia de outras qualidades. 🙂 Obrigada, Caroline, pela oportunidade de conhecê-la melhor e escrever uma publicação convidada para o seu blog.

Ao ler as publicações anteriores, observei alguns temas recorrentes, como “formação de tradutores”, “conhecimento vs habilidades” e “produtividade”. Decidi tentar estender a discussão de algumas dessas ideias, enquadrando-as no contexto de minha própria experiência como professora de tradução na Universidade de Ottawa, no Canadá.

A questão é saber se um programa de formação de tradutor deve se concentrar em conhecimento (que tende para a teoria ou o que Don Király (2000) denomina “competência tradutória”) ou habilidades (que tendem mais para as atividades não linguísticas que oferecem suporte à tradução ou o que Király classifica sob a categoria de “competência do tradutor”). Convencionalmente, as universidades têm dado preferência para o conhecimento, alegando que as habilidades são efêmeras demais. Por exemplo, um professor universitário pode argumentar que, no que diz respeito à tradução auxiliada por computador, o que é importante para se aprender em sala de aula são os conceitos subjacentes e não o passo a passo da utilização de um software, que pode estar desatualizado ou fora de moda quando o aluno se formar. Em vez disso, o foco de uma educação universitária está no desenvolvimento da análise crítica, em aperfeiçoar a avaliação e refinar o julgamento. Acho que poucas pessoas poderiam argumentar contra esse enfoque. A tradução é uma tarefa desafiadora, e fazê-la bem exige uma séria reflexão. Aprender a fazê-la bem, mais ainda!

No entanto, as universidades não podem ignorar o fato que, depois que se formam, esses alunos precisam atuar num ambiente de trabalho profissional. Uma área na qual os recém-formados por vezes encontram dificuldade é no cumprimento dos prazos apertados, que são uma realidade na profissão de tradutor.

Em muitos cursos de formação de tradutores, o enfoque é colocado firmemente em incentivar os alunos a refletir de maneira integral, analisar profundamente e pesar cuidadosamente as opções antes de se comprometer com uma estratégia de tradução, escolha terminológica ou expressão. Não há dúvida que os alunos devem cultivar essas habilidades analíticas deliberadas, e a eles deve ser dado o tempo para desenvolvê-las. Contudo, no mundo profissional, pode haver menos tempo para cuidadosas reflexões. Em vez disso, a tradução deve vir rapidamente, se não automaticamente. Portanto, faz sentido que se adicione uma aprendizagem autêntica e contextualizada que teste e melhore a capacidade de tradução dos alunos sob pressão de tempo. É uma maneira a mais de preparar os alunos para o mundo do trabalho e para que eles experimentem a tradução de uma forma diferente e sob outras circunstâncias.

Dessa forma, tomei uma decisão consciente de tentar introduzir uma espécie de “treino de velocidade” nas aulas que dou. Pela primeira vez este ano, numa aula do 3º ano sobre  escrita profissional, peço aos alunos que comecem cada aula preparando um resumo de um texto mais longo. Os textos em questão tratam de temas populares, de interesse geral para os estudantes no Canadá (por exemplo, a Estação Espacial Internacional, os campeonatos mundiais de beisebol, a descoberta de um barco afundado do século XIX, no Ártico). Cada texto tem aproximadamente 600 palavras, e os alunos têm de 15 a 20 minutos para resumir esse conteúdo em cerca de 200 palavras. Os alunos recebem um feedback semanal, embora os exercícios nem sempre sejam avaliados com notas. Isso tira a pressão e permite que os alunos desenvolvam essas habilidades num contexto de baixo risco.

A ideia geral por trás desse exercício de sumarização com “treino de velocidade” é que ela pode permitir que os estudantes aperfeiçoem uma série de habilidades e reflexos que também são úteis para a tradução: a capacidade de analisar e compreender o significado rapidamente, de extrair ideias-chave e a estrutura de um texto, de organizar ideias e de transmitir ideias com precisão, bem como reconhecer e evitar distorções na transferência de informação. Com a introdução do treino de velocidade num contexto de escrita, eu espero que os alunos possam aperfeiçoar sua capacidade para tomar decisões rapidamente, e eles podem, em seguida, estender isso para um contexto bilíngue numa fase posterior da formação.

Os alunos foram questionados, no meio do semestre, para determinar se acharam ou não o exercício relevante. No geral, os comentários foram positivos. Eles afirmaram ter observado um valor genuíno em aprender a trabalhar de forma mais rápida e realmente acharam que estavam melhorando essas habilidades com prática regular de velocidade de escrita. Haverá outra avaliação no final do semestre, e vai ser interessante ver como os pensamentos deles evoluíram.

Enquanto isso, da perspectiva de um professor, também observei melhorias. Em primeiro lugar, no início do semestre, alguns alunos foram incapazes de concluir o exercício. No entanto, agora que estamos nos aproximando do final do semestre, os alunos são capazes de terminar dentro do prazo estipulado. Eles estão ficando mais rápidos! No que diz respeito à qualidade, o fluxo de informação tem melhorado significativamente. Os últimos resumos lidos fluem como textos reais, em vez de uma coleção de sentenças independentes. Os alunos também estão apresentando um trabalho melhor em diferenciar entre as ideias-chave e o conteúdo mais periférico.

Então, minhas perguntas para vocês, leitores, são as seguintes: Você já fez algum “treino de velocidade” formal como parte de sua formação? Se não, você acha que teria sido útil? Você tem sugestões de outras maneiras em que o “treino de velocidade” poderia ser incorporado num programa de formação de tradutor? Você tem sugestões de outros tipos de habilidades de “competência do tradutor” profissional que poderiam ser utilmente incorporadas em um programa de formação de tradutor?

Alguns professores de tradução estão realmente interessados em ajudar os alunos a construir uma ponte entre a teoria e a prática, mas, para fazer isso com sucesso, precisamos da contribuição de profissionais que já estejam atuando! Estou ansiosa para ouvir suas opiniões! E obrigada, novamente, à Caroline pela oportunidade de escrever esta publicação convidada.

Muitíssimo obrigada ao Deni, pela ideia de traduzir o excelente texto da Lynne como trabalho bimestral da disciplina, e aos alunos, pela dedicação e pelo interesse. Foi um grande prazer recebê-los no blog.

About the translators
thumb_IMG_9940_1024Os alunos da disciplina de Prática de Tradução II (2015) do curso de Bacharelado em Letras com habilitação em Tradução e Interpretação em Língua Inglesa da União das Faculdades dos Grandes Lagos (UNILAGO) é formado pelos alunos Adriana Ramos, Alexandre Souza, Ana Flávia Peres, Bruna Fioroto, Danilo Figueiras, Higor de Morais, Ingrid Pereira, Janaine Nogueira, Jaqueline Nogueira, Pâmela Constantino, Priscila Geromini, Rafaela Ramires, Rogério de Souza, Teresa Dambi e Victor Marchini. A disciplina é ministrada pelo professor Deni Kasama.

Por onde começar?

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Tardei, mas não falhei! Cá estou com a minha primeira publicação mensal, em português.

Há aproximadamente um mês, recebi uma mensagem pelo site de uma pessoa que assistiu à minha palestra no Congresso da Abrates deste ano e que tem interesse em se tornar tradutora, mas não sabe como. Como acredito que as dúvidas dela possam ser as de muitas outras pessoas que têm interesse em entrar na área, decidi respondê-las aqui no blog, assim elas ficam mais acessíveis.

  1. A criação de um nome para a minha marca como uma sigla soa profissional ou devo usar uma palavra mesmo?
    Sim, claro! Obviamente, contanto que a sigla não soe estranha ou ofensiva em nenhuma cultura. O nome pode ser uma sigla, um dos seus nomes próprios ou o seu nome completo, ou até mesmo um nome criado totalmente do zero. O importante é considerar todos os fatores, como a imagem que ele passa para pessoas de qualquer cultura, a facilidade de pronunciá-lo e escrevê-lo, a não existência prévia dele, etc. Leve sempre em consideração seus possíveis clientes (e as culturas deles), seus valores, suas características e sua preferência, é claro.
  2. Como faço para começar a divulgar meu trabalho? Você acredita que seja uma boa ideia começar a divulgar em algumas faculdades aqui de minha cidade, para fazer traduções de monografias e textos acadêmicos, ou devo procurar outro público?
    Você conhece as particularidades da escrita acadêmica nos idiomas nos quais pretende trabalhar? As regras são diferentes da escrita usual e também são diferentes de acordo com o idioma.
    Você conhece as áreas com as quais pretende trabalhar? As áreas podem variar desde assuntos mais gerais a outros bem específicos, como biologia, engenharia e física. Como textos acadêmicos e monografias/teses e afins são direcionados e detalhados sobre um assunto específico, é necessário ter pelo menos certo conhecimento ou estar preparado e disposto para pesquisar bastante e aprender.
    Você pode começar pesquisando agências de tradução. Elas sempre são um ótimo ponto de início. Você pode encontrá-las em buscas no Google ou em grupos de tradutores, ou mesmo obter indicação de outros tradutores que já trabalharam ou trabalham com agências. O importante é sempre pesquisar sobre a agência antes de enviar seu currículo para saber com quais idiomas e áreas ela trabalha e se é idônea. Envie o currículo para cada uma separadamente, de preferência, citando o nome da pessoa responsável pelo recebimento de currículos, fazendo uma breve apresentação sua já no corpo do email.
  3. Quanto cobrar pelo serviço? Não tenho ideia de onde começar nem de como e quanto cobrar dos clientes. Por exemplo, quanto você acha justo cobrar por um abstract de monografia e pela tradução de textos acadêmicos?
    Não tenho a fórmula mágica, pois não existe uma. Cada tradutor cobra um valor e cada cliente é um caso diferente. No caso de agências, muitas vezes, quem estipula o preço são elas. O importante é você ter uma ideia do seu valor mínimo e não aceitar migalhas.
    Eu, pessoalmente, comecei ganhando R$ 0,03 por palavras do material original. Um mês depois, a agência aumentou para R$ 0,05. Cerca de um ano depois, comecei a receber R$ 0,07. Hoje, meu valor mínimo por palavra para clientes brasileiros é de R$ 0,11. No entanto, varia de acordo com o cliente. Se eu não me engano a tabela do Sintra sugere R$ 0,35, ou seja, como você pode ver, há uma variação muito grande.
    Tente sempre negociar os valores oferecidos pela agência. Na pior das hipóteses, você ouvirá um “não” e decidirá se aceita a proposta deles ou não. Com o tempo, veja qual é sua produtividade de palavras por dia a fim de calcular um valor por palavra com base nas suas necessidades financeiras.
  4. Devo solicitar o recebimento do pagamento antes de fazer o serviço ou depois?
    Depende. Repito, no caso de agências, são elas quem mandam e você tem que aceitar. O prazo normalmente varia de 30 a 60 dias após a emissão da nota fiscal. No caso de clientes diretos, se o cliente é novo, sempre peço parte do valor total (30 ou 50%) mediante a aprovação da cotação e estipulo que só iniciarei a tradução quando confirmar o recebimento desse valor inicial. O restante, nesse caso, solicito que seja pago mediante a entrega do material traduzido. Se eu já conheço o cliente, solicito o pagamento em até 30 dias corridos após a entrega do material traduzido. No entanto, alguns pagam em até uma semana.
  5. Qual é a forma de pagamento que devo oferecer (depósito em conta ou alguma outra forma)?
    Eu particularmente só recebo pagamentos nacionais por depósito ou transferência bancária e internacionais pelo PayPal. Desconheço tradutores que utilizem outra forma de pagamento nacional, como cartão de crédito ou boleto.
  6. Devo estipular um prazo de entrega do serviço de quantos dias ou baseado em quê?
    Isso dependerá totalmente de você. Você precisa saber sua produtividade diária para estipular o prazo de entrega. Se você ainda não tiver absolutamente nenhuma ideia de qual seja sua produtividade diária e precisa estipular um prazo, sugiro que considere cerca de 1.500 a 2.000 palavras por dia. No início, é melhor pecar pelo excesso de cuidado do que pela falta dele e acabar não conseguindo cumprir o prazo, prejudicando sua imagem. Sempre inclua um ou dois dias a mais no prazo, a fim de evitar eventuais problemas. Quando tiver outros projetos em andamento, considere-os também. Aliás, há vários outros fatores a serem considerados, como o par de idiomas (versão ou tradução?), a área do material, o tipo de arquivo, a ferramenta a ser utilizada, se houver, além de outros fatores, como feriados, fins de semana, etc.
  7. A entrega do material traduzido deve ser feita impressa ou digitalizada?
    A tradução só é entrega impressa no caso de traduções juramentadas. Em todos os demais casos, o recebimento e a entrega dos arquivos são feitos por email ou outra forma de envio online.
  8. Você acha que é importante fazer estágio em uma empresa de tradução ou apenas a experiência da prática já é suficiente?
    Eu acredito que qualquer tipo de experiência seja de extrema importância para o aprendizado pessoal. Um não desmerece o outro, mesmo porque o estágio não deixa de ser uma experiência prática. No entanto, é preciso ter cuidado com o termo “estágio”. Contanto que ele seja remunerado, não há problema. Jamais aceite trabalhos não remunerados, exceto se forem voluntários e por uma causa.
    O que normalmente acontece é que muitas pessoas começam trabalhando dentro de agências exatamente por não encontrarem oportunidades como freelancer no início. Algo que também é válido, pois se aprende muito dentro de agências.

Essas eram as perguntas (um pouco reformuladas). Espero ter conseguido responder claramente a elas e que eu tenha ajudado a pessoa em questão, assim como outras.

Outras dúvidas?

Guest post: How to find a translator (in Portuguese)

Hoje temos uma nova convidada na nossa série. Janaina Ribeiro é tradutora brasileira e mora no Brasil. O tópico dela é voltado para todos aqueles que buscam tradutores, mas não sabem por onde começar.

Bem-vinda, Janaina!

Globe

Como encontrar um tradutor

Quando alguém precisa da tradução de um currículo, artigo, website, ou documento oficial em outra língua, nem sempre sabe como ou onde encontrar um tradutor. Será que deve ligar para aquele amigo que fez intercâmbio? Talvez pedir para a professora de inglês traduzir? Quanto custa uma tradução? Será que demora? Para quem nunca contratou serviços de tradução, as perguntas são inúmeras e as certezas poucas. Este é um miniguia para quem precisa de uma tradução e não sabe por onde começar.

Vamos lá!

Antes de começar a sua busca por um tradutor, é importante saber que cada profissional se especializa em um ou mais tipos de texto. Isso é importante no caso de o seu texto ser de uma área especializada. Tem o tradutor da área técnica, médica, jurídica, literária, de TI, marketing, e por aí vai. O motivo é simples: para traduzir um texto, é preciso conhecer bem a área, dominar os jargões e o estilo de escrita. Traduzir não é substituir a palavra A pela B em outra língua; é, na verdade, um processo de reescrita. Tradutores buscam transmitir o conteúdo de forma fiel, porém natural, em outra língua.

Então o primeiro passo é determinar o tipo de tradutor de que você precisa. Feito isso, precisa encontrá-lo.

Onde encontrar tradutores

  1. Recomendações

Peça uma indicação para amigos e colegas. A profissão não é regulamentada no Brasil, então a recomendação de um ex-cliente satisfeito é sempre uma boa forma de encontrar profissionais idôneos.

  1. Tradutores juramentados

Para a tradução de documentos oficiais (certidões, documentos escolares, etc.), você precisará de um Tradutor Público e Intérprete Comercial, também conhecido como tradutor juramentado. Procure o website da Junta Comercial do seu estado, quase todos terão a opção “tradutores”.

  1. Diretórios de associações profissionais

Há diversas associações de tradutores no Brasil e no mundo. A vantagem delas é que você pode filtrar pelo par de línguas e especialização, caso seja necessário. Abaixo listo as maiores:

No Brasil:

  • ABRATES – Associação Brasileira de Tradutores
  • SINTRA – Sindicato Nacional de Tradutores

Nos EUA:

  • ATA – Associação Americana de Tradutores

Na Europa:

  • ITI – Instituto de Tradução e Interpretação
  • IAPTI – Associação Internacional de Tradutores e Intérpretes Profissionais
  • CIOL – Chartered Institute of Linguists
  1. LinkedIn, Facebook e ProZ

Você pode encontrar tradutores fazendo uma pesquisa no LinkedIn, em grupos de tradutores no Facebook, ou no diretório internacional de tradutores ProZ.

Caso decida postar em um grupo no Facebook, lembre-se de incluir o assunto do texto e o par de línguas de que necessita (por exemplo: website de turismo / português>alemão). Lembre-se de que poderá receber um número alto de respostas, então pode ser uma boa ideia abrir uma conta de email só para isso.

  1. Busca no Google

Por último, você pode fazer uma busca no Google, lembrando de incluir a área (por exemplo: tradução jurídica). Neste caso, os resultados geralmente são de agências de tradução. Se você precisa da tradução de um documento para várias línguas, ou mesmo de um volume alto em pouco tempo, pode ser interessante contratar uma agência.

Para se certificar de que o tradutor que escolheu é confiável, cheque suas referências online. A maioria dos tradutores possui websites e perfis. Você pode também pedir amostras de trabalho. 

Encontrei meu tradutor, e agora?

Negociação de valores e prazos

Depois de encontrar um ou mais profissionais qualificados, vem a próxima etapa. Ele ou ela precisará ver seu texto para elaborar um orçamento. O valor é calculado em cima do número de palavras, laudas ou horas e varia de tradutor para tradutor em função da sua experiência e especialização. No caso da contratação de um tradutor no exterior, combine como o pagamento será feito (por exemplo, PayPal).

Atenção: uma lauda não é o mesmo que uma página. O tamanho dela varia de tradutor para tradutor, e cada um especificará o número de caracteres da sua lauda. Se não o fizer, você pode perguntar.

O prazo levará em conta o tamanho do documento e outros projetos em andamento. Uma dica importante é não deixar a tradução para a última hora. A produção média é de 2000 palavras por dia, mas esse número pode variar bastante, tanto para mais como para menos.

Posso passar meu texto no Google Translate para o tradutor apenas revisar?

Poder pode, desde que combine antes com o tradutor e ele ou ela esteja de acordo. O que não pode é enviar um texto em outra língua sem avisar que passou no Google Translate ou programa semelhante.

Infelizmente, pode não ser tão fácil encontrar um tradutor profissional que aceite essa proposta. Como o resultado dos programas de tradução automática precisa ser refeito e corrigido, o que pode tomar mais tempo, é mais fácil para o tradutor fazer a tradução do zero. Há também considerações importantes sobre o sigilo. Caso seja um documento de natureza confidencial, não é recomendável utilizar programas gratuitos na internet.

Como garantir a qualidade?

Você pode perguntar para o tradutor como ele garante a qualidade do próprio trabalho. Muitos trabalham em parceria com revisores, por exemplo, ou usam softwares que ajudam a minimizar possíveis erros. Selecionar alguém especializado no tipo de texto que você precisa traduzir já é meio caminho andado.

É importante informar ao tradutor quaisquer preferências de terminologia ou estilo antes do início do trabalho.

Só preciso traduzir meu currículo / uma carta / um e-mail. Posso pedir para aquele colega que morou fora?

Depende do seu objetivo e de quem vai ler. Se precisar traduzir o currículo para uma vaga de emprego no exterior, uma carta ou e-mail para prospecção de clientes estrangeiros – ou qualquer outro cenário em que uma tradução impecável contará pontos a seu favor –, recomenda-se contratar um tradutor.

Acho que a tradução tem erros. O que eu faço?

Destaque os termos ou passagens que achar errados e envie para o tradutor com as suas dúvidas. Se for apenas uma questão de preferência, e não um erro de tradução, destaque isso também. Muitas vezes achamos que alguma palavra ou construção de frase está errada em outra língua porque não a dominamos, então é importante verificar se é um erro, uma preferência ou nenhuma das alternativas. O tradutor saberá justificar suas escolhas ou fazer as alterações necessárias em caso de erro.

Minha tradução é para uma empresa ou instituição e preciso de nota fiscal.

Antes de aceitar um orçamento, informe ao tradutor que precisará de nota fiscal e qual tipo (nota fiscal de pessoa jurídica ou recibo de pagamento a autônomo). É importante conversar sobre isso antes de dar o “ok”.

É isso. Espero que essas dicas tenham sido úteis e que você tenha uma excelente experiência com o tradutor que escolher.

Muito obrigada, Janaina, por ter aceitado meu convite e preparado um texto tão interessante para o blog! 🙂

Sobre a autora
Janaina - profile picJanaina Ribeiro é tradutora do par de idiomas inglês-português há 7 anos, especializada em comunicação corporativa, relações públicas e marketing. Atuou como tradutora interna em uma das maiores empresas de comunicação e relações públicas do mundo e em projetos para clientes corporativos de vários setores. É membro da Associação Brasileira de Tradutores (ABRATES) e da American Translators Association (ATA). Ela mora em Campo Grande, MS, e pode ser encontrada em janainaribeiro.com.br.

O perfil do tradutor contemporâneo

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No dia 26 de fevereiro, o Centro de Idiomas Brasillis promoveu uma palestra online gratuita com a Sheyla Barretto, intérprete. Sheyla atualmente trabalha na Organização dos Estados Americanos (OEA) e já coordenou grandes eventos com a participação de importantes personalidades, como o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O tema da palestra foi “O perfil do tradutor contemporâneo: o que mudou nos últimos 20 anos”.

Sheyla iniciou a palestra comparando como era trabalhar como tradutor há 20 anos, quando começou, com a prática atual. Segundo ela, antigamente, as traduções eram cobradas por lauda, não por palavra. Como a contagem de laudas não é tão simples, era mais difícil de o cliente entender como funcionava. Hoje, como a cobrança é por palavra e qualquer ferramenta facilmente oferece essa contagem, não há problemas quanto a esse aspecto.

No entanto, a ideia de que traduzir antigamente era mais difícil é relativa. Embora não houvesse tanta disponibilidade de recursos tecnológicos como há hoje, essa vasta opção de fontes também requer cuidado, pois é necessário filtrar as fontes confiáveis. Há uma grande velocidade na disseminação de informações e conhecimento. Além disso, hoje também é mais fácil alcançar o cliente, portanto, a concorrência também é maior. Isso requer muito mais do tradutor do que antigamente.

Alguns pontos no tempo:

  • 1995: a internet tem alcance global
  • 1996: 6,9% dos domicílios tem computador, segundo o IBGE (hoje, são 49%; desses, 28% têm internet)
  • Início do século 21 no Brasil: expansão das CATs (elas se tornam mais acessíveis)
  • 2005: a SDL compra a Trados e se torna a maior empresa de tecnologia da tradução
  • 2006: avanço das redes sociais
  • 2008: a SDL compra a Idiom
  • Hoje: surgimento de novas tecnologias, como o Skype, WhatsApp, Google Hangouts, Google Docs, Doodle Pools, SurveyMonkey, Shutterfly, etc.

As vantagens das redes sociais e das novas tecnologias são: compartilhamento de informações e dúvidas com colegas, grande apoio aos tradutores iniciantes (importante para moldar o tradutor do futuro), formação (temos até doutores na área).

Tradutor 24/7

  • Bom leitor, escritor e pesquisador
  • Formação, treinamento
  • Boas ferramentas de trabalho
  • Certificações
  • Filiações (visibilidade, credibilidade e networking)
  • Mais idiomas
  • Presença na internet (divulgação, visibilidade)
  • Atualização permanente

Capacidade de: adaptação, interação nas mídias sociais, organização, captação/manutenção de clientes, empresarial, exposição calculada, senso de coletividade, gestão de tempo eficaz (distrações x prioridades), follow-up (emissão de nota fiscal/invoice, feedback).

No entanto, o excesso de atividades, e a impossibilidade de onipresença e onisciência do tradutor 24/7 geram insegurança e frustração. Quanto mais se sabe, mais se descobre que não se sabe.

Recomendações para dominar essa frustração:

  • Foco
  • Definição de metas claras
  • Controle do tempo
  • Networking
  • Diferenciação
  • Acompanhamento da tecnologia

Ser tradutor é fascinante e desafiador, pois é uma atividade complexa e técnica. A valorização é necessária e já está a caminho.

Juntos, somos mais fortes!

Você também assistiu à palestra? Gostaria de adicionar algo? Caso não tenha assistido, também é bem-vindo para comentar. 😉