Por onde começar?

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Tardei, mas não falhei! Cá estou com a minha primeira publicação mensal, em português.

Há aproximadamente um mês, recebi uma mensagem pelo site de uma pessoa que assistiu à minha palestra no Congresso da Abrates deste ano e que tem interesse em se tornar tradutora, mas não sabe como. Como acredito que as dúvidas dela possam ser as de muitas outras pessoas que têm interesse em entrar na área, decidi respondê-las aqui no blog, assim elas ficam mais acessíveis.

  1. A criação de um nome para a minha marca como uma sigla soa profissional ou devo usar uma palavra mesmo?
    Sim, claro! Obviamente, contanto que a sigla não soe estranha ou ofensiva em nenhuma cultura. O nome pode ser uma sigla, um dos seus nomes próprios ou o seu nome completo, ou até mesmo um nome criado totalmente do zero. O importante é considerar todos os fatores, como a imagem que ele passa para pessoas de qualquer cultura, a facilidade de pronunciá-lo e escrevê-lo, a não existência prévia dele, etc. Leve sempre em consideração seus possíveis clientes (e as culturas deles), seus valores, suas características e sua preferência, é claro.
  2. Como faço para começar a divulgar meu trabalho? Você acredita que seja uma boa ideia começar a divulgar em algumas faculdades aqui de minha cidade, para fazer traduções de monografias e textos acadêmicos, ou devo procurar outro público?
    Você conhece as particularidades da escrita acadêmica nos idiomas nos quais pretende trabalhar? As regras são diferentes da escrita usual e também são diferentes de acordo com o idioma.
    Você conhece as áreas com as quais pretende trabalhar? As áreas podem variar desde assuntos mais gerais a outros bem específicos, como biologia, engenharia e física. Como textos acadêmicos e monografias/teses e afins são direcionados e detalhados sobre um assunto específico, é necessário ter pelo menos certo conhecimento ou estar preparado e disposto para pesquisar bastante e aprender.
    Você pode começar pesquisando agências de tradução. Elas sempre são um ótimo ponto de início. Você pode encontrá-las em buscas no Google ou em grupos de tradutores, ou mesmo obter indicação de outros tradutores que já trabalharam ou trabalham com agências. O importante é sempre pesquisar sobre a agência antes de enviar seu currículo para saber com quais idiomas e áreas ela trabalha e se é idônea. Envie o currículo para cada uma separadamente, de preferência, citando o nome da pessoa responsável pelo recebimento de currículos, fazendo uma breve apresentação sua já no corpo do email.
  3. Quanto cobrar pelo serviço? Não tenho ideia de onde começar nem de como e quanto cobrar dos clientes. Por exemplo, quanto você acha justo cobrar por um abstract de monografia e pela tradução de textos acadêmicos?
    Não tenho a fórmula mágica, pois não existe uma. Cada tradutor cobra um valor e cada cliente é um caso diferente. No caso de agências, muitas vezes, quem estipula o preço são elas. O importante é você ter uma ideia do seu valor mínimo e não aceitar migalhas.
    Eu, pessoalmente, comecei ganhando R$ 0,03 por palavras do material original. Um mês depois, a agência aumentou para R$ 0,05. Cerca de um ano depois, comecei a receber R$ 0,07. Hoje, meu valor mínimo por palavra para clientes brasileiros é de R$ 0,11. No entanto, varia de acordo com o cliente. Se eu não me engano a tabela do Sintra sugere R$ 0,35, ou seja, como você pode ver, há uma variação muito grande.
    Tente sempre negociar os valores oferecidos pela agência. Na pior das hipóteses, você ouvirá um “não” e decidirá se aceita a proposta deles ou não. Com o tempo, veja qual é sua produtividade de palavras por dia a fim de calcular um valor por palavra com base nas suas necessidades financeiras.
  4. Devo solicitar o recebimento do pagamento antes de fazer o serviço ou depois?
    Depende. Repito, no caso de agências, são elas quem mandam e você tem que aceitar. O prazo normalmente varia de 30 a 60 dias após a emissão da nota fiscal. No caso de clientes diretos, se o cliente é novo, sempre peço parte do valor total (30 ou 50%) mediante a aprovação da cotação e estipulo que só iniciarei a tradução quando confirmar o recebimento desse valor inicial. O restante, nesse caso, solicito que seja pago mediante a entrega do material traduzido. Se eu já conheço o cliente, solicito o pagamento em até 30 dias corridos após a entrega do material traduzido. No entanto, alguns pagam em até uma semana.
  5. Qual é a forma de pagamento que devo oferecer (depósito em conta ou alguma outra forma)?
    Eu particularmente só recebo pagamentos nacionais por depósito ou transferência bancária e internacionais pelo PayPal. Desconheço tradutores que utilizem outra forma de pagamento nacional, como cartão de crédito ou boleto.
  6. Devo estipular um prazo de entrega do serviço de quantos dias ou baseado em quê?
    Isso dependerá totalmente de você. Você precisa saber sua produtividade diária para estipular o prazo de entrega. Se você ainda não tiver absolutamente nenhuma ideia de qual seja sua produtividade diária e precisa estipular um prazo, sugiro que considere cerca de 1.500 a 2.000 palavras por dia. No início, é melhor pecar pelo excesso de cuidado do que pela falta dele e acabar não conseguindo cumprir o prazo, prejudicando sua imagem. Sempre inclua um ou dois dias a mais no prazo, a fim de evitar eventuais problemas. Quando tiver outros projetos em andamento, considere-os também. Aliás, há vários outros fatores a serem considerados, como o par de idiomas (versão ou tradução?), a área do material, o tipo de arquivo, a ferramenta a ser utilizada, se houver, além de outros fatores, como feriados, fins de semana, etc.
  7. A entrega do material traduzido deve ser feita impressa ou digitalizada?
    A tradução só é entrega impressa no caso de traduções juramentadas. Em todos os demais casos, o recebimento e a entrega dos arquivos são feitos por email ou outra forma de envio online.
  8. Você acha que é importante fazer estágio em uma empresa de tradução ou apenas a experiência da prática já é suficiente?
    Eu acredito que qualquer tipo de experiência seja de extrema importância para o aprendizado pessoal. Um não desmerece o outro, mesmo porque o estágio não deixa de ser uma experiência prática. No entanto, é preciso ter cuidado com o termo “estágio”. Contanto que ele seja remunerado, não há problema. Jamais aceite trabalhos não remunerados, exceto se forem voluntários e por uma causa.
    O que normalmente acontece é que muitas pessoas começam trabalhando dentro de agências exatamente por não encontrarem oportunidades como freelancer no início. Algo que também é válido, pois se aprende muito dentro de agências.

Essas eram as perguntas (um pouco reformuladas). Espero ter conseguido responder claramente a elas e que eu tenha ajudado a pessoa em questão, assim como outras.

Outras dúvidas?

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