Guest post: Benefícios dos óleos essenciais

Sem bem-vindos de volta à série de convidados!

Hoje, recebemos a Juliana Mendes, patrocinadora e palestrante do evento “Dia do bem-estar”, que estou organizando com o William Cassemiro. Ele será realizado no dia 8 de fevereiro, em São Paulo. As inscrições estão abertas e são limitadas! Saiba mais aqui.

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Imagem fornecida pela autora

A renovação pela tradução

A tradução chegou na minha vida durante meu estágio de faculdade. Sou formada em Produção Editorial – área que escolhi pelo meu amor aos livros. No meu estágio em uma grande editora, trabalhei em uma revista para adolescentes que usava matérias de uma revista americana. Um dos fatores mais importantes para a minha contratação foi justamente o fato de eu ser fluente em inglês. Essa experiência foi extremamente importante em minha carreira e nela pude melhorar meu vocabulário em uma época em que ainda não tínhamos o Google – sim, muito tempo atrás. Lá também atuava como produtora de moda e fotografia, aprendi na prática processos de editoração eletrônica e pude descobrir como todo o processo gráfico se desenvolve com todo o dinamismo, pesquisa, escrita e revisão. Tornei-me uma pessoa capaz de lidar com muitas tarefas que eu hoje utilizo em meu trabalho como tradutora e que fazem com que eu possa oferecer um resultado melhor para meus clientes.

Após meu estágio, fui contratada por uma rede de lojas de roupas femininas. Cuidava de todo o visual da marca, mas também dava treinamentos sobre vendas, postura das equipes e visual. Nesse momento, eu conheci uma pessoa que mais tarde mudaria toda a minha vida.

Depois dessa experiência, tive muitas outras que acredito terem sido importantes em meu processo de crescimento como pessoa, líder e empresária.

A tradução sempre esteve presente em minhas outras empreitadas. Sempre aparecia com a necessidade do meu trabalho – como secretária de presidência ou para ajudar algum amigo estrangeiro, alguém da família e em alguns estudos em que eu me interessei e me propus a fazer para meu crescimento pessoal. Entre esses estudos, muito material de PNL, numerologia, espiritualidade e Aromaterapia.

A Aromaterapia entrou na minha vida cerca de 20 anos atrás, por meio de uma amiga e coach que me orientava e que me fez entender que não podemos apenas crescer profissionalmente – nosso lado pessoal é uma parte importante do processo de crescimento profissional. Não adianta só pensar na carreira e esquecer que você tem que estar feliz para conseguir ter criatividade, resiliência, produtividade e realização.

Comecei usando o óleo de lavanda, como a maioria das pessoas. A lavanda é, sem dúvida, a planta mais utilizada em fragrâncias, cosméticos, perfumes. Todo mundo tem a memória afetiva da lavanda registrada em seu sistema límbico, parte do sistema neurológico que cuida de nossas memórias afetivas e remete a sabores, aromas e lembranças (boas ou ruins).

A Aromaterapia cresceu muito nesses últimos 20 anos. O que antes era hábito mais comum entre os europeus recebeu o input americano e a busca por pesquisas científicas sobre plantas, óleos e aromas – processos de extração, níveis de pureza, maneiras de uso e resultados. A humanidade, mesmo crescendo em velocidade galopante nos últimos anos em tecnologia, percebeu que a busca por resultados em torno da felicidade e bem-estar também era necessária.

Disso vieram as pesquisas sobre alimentação, nutrição esportiva, restrições alimentares, superalimentos, suplementação e regulações na indústria de alimentos que terão que se adequar a esse novo mercado formado por quem busca cuidar melhor do corpo e da mente.

Durante minha jornada profissional, conheci muitas pessoas que foram importantes para o meu crescimento, principalmente para o desafio de ser empreendedora.

Após anos trabalhando como secretária, gerente regional de bilheterias de teatro, área comercial (sim, sou uma vendedora nata) tive a chance de trabalhar com a pessoa que mais me ensinou sobre ser uma empresária. Sobre resiliência, escolhas, foco, resultados. Sobre não ter medo de trabalhar, sobre não ter uma visão a curto prazo para os resultados que sempre desejei atingir. Fui secretária do Abraham Kasinsky, lenda da indústria automobilística brasileira. Foram quatro anos de dedicação diária, amor, aprendizado com um homem que ditou quais deveriam ser as regras para a nossa indústria. Destemido, começou seu império “com uma caneta Parker e peito”, como ele mesmo dizia. Essa visão de como as pessoas devem ser lideradas – com igualdade e respeito, como as empresas precisam de resultados, como não devemos temer dar um passo maior quando chega o momento de decisão para a próxima etapa de grande crescimento – aprendi com ele.

Pude colocar essa visão em prática quando, com meu marido, comprei uma loja de produtos naturais de uma grande rede de franquias. O desafio foi enorme. Aprendi a ter que dar resultados para poder manter não só a minha família, mas a de meus colaboradores também. Aprendi a ouvir as pessoas (longo processo de treinamento com o Sr. Kasinsky) e identificar suas necessidades, atendê-las como pessoas e não apenas como clientes. Essa loja me fez adotar novos hábitos de alimentação e qualidade de vida. A ter metas, cumpri-las e superá-las. A ser dona do meu nariz com todas as consequências que isso traz.

Após quase 7 anos com a loja, tivemos uma excelente oferta e resolvemos vendê-la. Já havíamos atingido nossos objetivos – já tínhamos transformado uma loja quebrada em uma loja maravilhosa. Já havíamos mudado de endereço. Já havíamos multiplicado nossos resultados absurdamente e já havíamos cumprido nosso caminho naquele que foi, sem dúvida, um período de muito crescimento para nós.

Em 2017, um ano antes da venda de nossa loja, eu já estava em busca de um plano B. Eu já não tinha mais tanta satisfação com o meu trabalho. Tinha estagnado. Comecei a me perguntar com o quê eu gostaria de trabalhar e decidi que tinha que ser algo que eu realmente amasse. Foi aí que a tradução voltou à minha vida. Fiz alguns cursos para voltar preparada. Tirei minha certificação do idioma inglês.

Em 2018, vendemos a loja e nos mudamos para Santos – cidade em que eu sempre quis viver. Passei um ano inteiro estudando, fazendo novas conexões. Fui atrás de muito conteúdo para poder me adequar ao mercado e desenvolver essa minha “nova” carreira.

Veja, o crescimento que obtemos é aquele que temos como objetivo. Nós ditamos com quem e em qual mercado queremos trabalhar. Com experiência e trabalho sério, podemos estabelecer nossas tarifas, conquistar novos clientes, melhorar nosso rendimento. Há que ter muita determinação para ser um freelancer. Há que se perder medos, enfrentar novos desafios e aprender todos os dias – com os erros e como melhorar os acertos também.

Em 2019, comecei mais um negócio que consigo gerenciar com o meu trabalho como tradutora. Sou distribuidora e educadora em Aromaterapia da maior fabricante de óleos essenciais do mundo. Descobri que não sabia muita coisa sobre os óleos essenciais – mesmo tendo desenvolvido em minha loja um local de referência para compra e orientação sobre o uso de óleos essenciais.

Traduzi muito material para estudo, pesquisa e treinamento. Pude pesquisar mais profundamente, estudar, aplicar e ver a diferença que a pureza de um óleo pode trazer para a vida. Nesse processo interior, apliquei os óleos no meu dia a dia de maneira nova, consciente, consistente e vi os resultados não só em meu trabalho e felicidade, mas em toda a minha família. Pude conhecer pessoas que têm uma visão de vida muito parecida com a minha e ver um novo horizonte profissional, trazendo de volta para a minha vida a prática de ouvir e ajudar as pessoas (adoro isso!).

Os óleos podem ser usados de várias maneiras, e suas moléculas entram em nosso corpo pelo olfato, pele ou ingestão – veja, não estou falando de qualquer coisa que você encontre por aí dizendo ser um óleo essencial de grade terapêutica. Assim como temos cuidado ao escolher nossos alimentos, cosméticos, produtos para a casa e suplementos – que entrarão dentro do nosso maior templo, nosso corpo – temos que ter cuidado ao escolher nossos óleos.

Algumas dicas de óleos essenciais e uso:

Lavanda – o mais universal dos óleos – tem efeitos calmantes para a alma e pele, cicatrizante (aplique em queimaduras e verá), limpeza e desinfecção.

Alecrim – esse óleo é conhecido por seu uso em situações em que precisamos aumentar nosso foco e concentração – ajuda a oxigenar as células do cérebro, aumentando nosso desempenho.

Limão – temos que ter cuidado com o óleo de limão e qualquer outro óleo ou blend que contenha frutas cítricas. Eles são fotossensíveis e podem causar manchas na pele. O óleo de limão é rico em limoneno – substância exaustivamente estudada e pesquisada por suas propriedades antioxidantes. Promove a alegria, equilibra o pH do nosso organismo quando ingerido.

Ficou curioso?

No dia 8 de fevereiro, serei palestrante no Dia do Bem-Estar, evento destinado a pessoas que trabalham geralmente sozinhas, empreendedoras, e que, por isso, muitas vezes acabam extrapolando o seu limite e enfrentando grandes níveis de estresse.

Se você é uma dessas pessoas, participe!

Em meus canais também promovo vídeos e treinamento sobre o uso dos óleos e suas propriedades. Dê uma olhada em minhas redes sociais: LinkedIn, ProZ.com, site, página da Young Living, Instagram e Instagram da Clever Essentials.

Entre em contato e ficarei feliz em te ouvir e ajudar:
cleveressentialsbrasil@gmail.com
contact@translatingptbr.com.br

Sobre a autora
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Juliana Mendes é tradutora técnica, empresária e educadora em óleos essenciais.

Guest post: Contabilidade para freelancers

Sejam bem-vindos de volta a mais uma publicação convidada!

As coisas por aqui estão conturbadas neste fim de ano; por isso, as publicações estão bagunçadas. Mas aqui estamos nós com a última convidada do ano, a Paulinha Vianna, que criou o aplicativo de gerenciamento de projetos e contabilidade para tradutores, o 2Manager.

Bem-vinda, Paulinha!

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Crédito: Austin DistelUnsplash

Quanto custa o seu tempo?

Quanto tempo você gasta na sua rotina de contabilidade? Sendo freelancer, sem uma equipe para fazer isso por você, você já parou para pensar no tempo que gasta para organizar suas finanças?

Atualmente, sempre que me procuram me pedindo alguma dica de finanças e eu começo a perguntar da rotina financeira, sempre recebo as seguintes respostas: eu tenho uma planilha do Excel (que mal preencho) ou faço controle no papel (bloquinho, post-it, desktop). E nunca, nunca mesmo, há planejamento financeiro no curto ou médio prazo. Trocando em miúdos, a pessoa não sabe se pode parcelar um computador novo, por exemplo, pelo simples fato de que não sabe corretamente o que tem para receber (apenas uma ideia aproximada, devido ao volume de trabalho).

Eu não sei vocês, mas essa falta de informação não serve para mim: eu preciso ter controle do meu dinheiro o tempo todo. Quanto, em dinheiro, estou fazendo no momento (mas ainda não cobrei), quanto estou para receber e, por fim, quanto já recebi e devo enviar ao contador para fazer a minha contabilidade. Mas não dá para perder tempo com essas informações, nem para produzi-las e coletá-las. Você, assim como eu, freelancer, sabe que nossa ferramenta mais valiosa é o TEMPO. E se gastamos nosso tempo nos organizando (ainda que de maneira eficaz), não produzimos – e consequentemente – não ganhamos dinheiro.

Recentemente, eu tive uma experiência com o meu programa de gestão financeira que, sinceramente, me valeu tudo o que sempre recomendo para as outras pessoas. Organização, disciplina e atenção ao financeiro, tanto quanto às minhas traduções.

Aconteceu de um cliente entrar em contato me pedindo para rever os valores que ele já tinha pagado, pois ele acreditava que estava me pagando em duplicidade. Claro, qualquer pessoa pode dizer que não é preciso muita disciplina para resolver isso, basta ir no bankline e tirar uma cópia do extrato. Sim e não. Se você faz isso, tem que se lembrar (e eu sou péssima em lembrar qualquer coisa) de quando o cliente te pagou ou então, como disse antes, perderá tempo fazendo essa checagem. E esse foi o grande “pulo do gato”! Eu entrei no meu controle financeiro e tinha exatas duas faturas pagas, uma vencendo e outra para o mês seguinte. Em 30 segundos, eu tinha toda a informação necessária, passei para o meu cliente e o problema estava resolvido. Agora ele sabe qual o valor que me deve e qual já tinha pagado (nenhum em duplicidade).

Ao retornar com a informação em 30 segundos (que, de qualquer outra forma, eu demoraria ao menos 1 hora), eu economizei meu tempo (continuando a me dedicar à tradução do dia), evitei erros (porque a informação ali estava correta) e evitei estresse (tanto para mim quanto para o meu cliente).

E se eu não demorei nada para coletar essas informações, menos ainda eu gasto para produzi-las. Para um controle eficiente, qualquer que seja o método, a disciplina é o único caminho. Então, sempre que chega um novo projeto, eu o lanço na ferramenta assim que recebo o aceite do cliente.

É fator calmante para mim, e para o meu nível de estresse, saber onde o dinheiro está. Assim, nos momentos de desespero, quando acho que estou “indo à falência”, eu abro a ferramenta e vejo todos os dados prontos, todos os valores. Isso me acalma mais que Rivotril. 😀

Por isso é tão importante o controle financeiro, ainda mais quando somos CEO, head de contabilidade, a moça do café e a faxineira da nossa empresa. Não podemos delegar essas tarefas, a não ser para nós mesmos. E numa rotina puxada como sei que a sua é, não dá para perder tempo com gestão ineficiente.

É muito importante, então, que você analise friamente o seu controle financeiro: ele atende a todas as suas necessidades, tanto na gestão de informação quanto na gestão do tempo? Porque se ele não atende a um desses requisitos, agora pode ser o momento ideal para você mudar e fazer diferente em 2020, agregando tempo ao seu dia a dia, para conseguir se dedicar ao que realmente importa: o seu negócio.

Eu, Caroline Alberoni, decidi mudar em 2020 e trocar o Excel por uma ferramenta de gerenciamento de projetos e contabilidade: o 2Manager, da Paulinha Vianna. A ferramenta já está instalada no computador, pronta com todos os meus clientes e informações necessárias para que, a partir de 1º de janeiro de 2020, eu possa começar a usá-la para valer! Bora ser mais controlado e organizado financeiramente comigo em 2020? Assine a minha newsletter e aproveite a oferta especial de fim de ano que enviarei na próxima segunda-feira.

Sobre a autora
WhatsApp Image 2019-12-08 at 20.06.21Paulinha Vianna é a criadora e fundadora do 2Manager – o app do freelancer. Uma ferramenta de gestão financeira personalizada para o seu negócio em que você tem o controle do dinheiro por toda a cadeia produtiva: desde a hora que o projeto chega até a retirada final dos lucros.

Guest post: Diferenças culturais entre Japão e Brasil

Bem-vindos de volta à série de convidados!

Hoje tenho o prazer de receber a queridíssima Anna Ligia Pozzetti, intérprete de japonês.

Bem-vinda, Anna!

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Crédito: Alain PhamUnsplash

Bilíngue e bicultural: o tradutor e intérprete completo

Ao assistir a uma peça de Kabuki, tipo de teatro tradicional japonês, um estrangeiro desavisado pode ficar intrigado com os ajudantes de palco, vestidos dos pés à cabeça de preto, que entram em cena para auxiliar a troca de roupa dos atores durante as apresentações. Eles são chamados de Kuroko (黒子), e os dois ideogramas utilizados significam “preto” e “pessoa”. Mas o que essa palavra significaria caso fosse usada em uma reunião de negócios, sem nenhuma relação com qualquer linguagem artística japonesa? Significa alguém que ajuda os outros sem aparecer em público, alguém que dá suporte nos bastidores: um consultor externo, um conselheiro e, também, o tradutor ou intérprete. Expressões como essas estão presentes em todos os idiomas e, muitas vezes, precisamos realizar adaptações para que uma expressão faça sentido em outra cultura.

Um intérprete profissional consegue rapidamente realizar essas adaptações com sucesso, pois não basta ser bilíngue; é também preciso ser bicultural.

Falando nos problemas de comunicação que podem surgir, vamos começar com a questão puramente linguística. No caso do Japão, por exemplo, uma parcela significativamente pequena da população consegue se comunicar bem em inglês. O país tem a pior nota do TOEFL da Ásia, em termos de conversação, e estima-se que não mais de 7% dos japoneses em posição de liderança falam inglês. Por outro lado, para um estrangeiro conseguir dominar o idioma japonês a ponto de transmitir com acurácia a sua intenção é necessário conhecer mais de dois mil ideogramas, para início de conversa.

Mas os percalços na compreensão do conteúdo de uma reunião também acontecem como resultado dos diferentes valores culturais e costumes. Na conversação, apesar de ambos os lados acreditarem que realizar uma boa explicação é o suficiente para o entendimento mútuo, há um grande gap de crenças e comportamentos que são únicos a cada cultura. Por exemplo, um japonês não olhará diretamente nos olhos do seu interlocutor estrangeiro, pois é uma atitude considerada rude em seu país. Já um brasileiro pode ficar bastante incomodado com essa atitude, levantando suspeitas sobre as intenções do japonês com quem está conversando. Por outro lado, um brasileiro não ter todo o apreço com o cartão de visita como os japoneses tem, o que inclui regras de como entregar, receber e guardar, não significa que não há respeito pelo seu interlocutor. Só significa que nós não temos esse mesmo costume, e o cuidado com aquele pedaço de papel significa bem menos para nós do que para eles.

No caso da tradução, um exemplo interessante é o caso do slogan da Nike. No livro Translating Cultures: An Introduction for Translators, Interpreters and Mediators, de David Katan, o autor explica o caso publicado na Business Week, em 25 de abril de 1992. A Nike estabeleceu o seu slogan “Just Do It” em 1988. A ideia original não era traduzir o slogan, pois o objetivo do CEO era enfatizar que a marca é americana, algo que, na época, era considerado um grande atrativo. Além disso, vários idiomas não tinham uma estrutura semântica com três palavras que expressasse essa ideia. Yukihiro Akimoto, que se tornaria o CEO da Nike Japan, foi para os Estados Unidos para passar quatro meses imerso na cultura empresarial da Nike. No entanto, após esse período, a sua proposta para a tradução seria “Hesitar é perder tempo” (Hesitation makes waste/躊躇するな). O time da Nike ficou horrorizado, e a proposta foi refutada imediatamente. Segundo a revista, a dificuldade em encontrar uma tradução equivalente ao “Just Do It” encontrou, no Japonês, não só a barreira semântica, mas também cultural. No Japão, “feito não é melhor que perfeito”, e existem diversas etapas de planejamento e organização antes da etapa de concretização de um projeto. Um famoso provérbio japonês diz que é preciso permanecer sentado por três anos na pedra para aquecê-la. É preciso tempo. O slogan continua em inglês até hoje, pois seria impossível fazer adaptações culturais para cada país.

Nesse sentido, ao iniciarmos uma tradução ou interpretação, não basta termos o domínio do idioma, pois isso não nos fará um bom kuroko, que estará fazendo todo o trabalho nos bastidores da adaptação cultural. O sucesso é atingido quando o leitor não sente uma falta de naturalidade no texto ou quando o participante de uma conferência ou reunião não se sente incomodado em ouvir a voz de outra pessoa. E para sermos ao máximo invisíveis, precisamos transmitir uma ideia falada, dentro de um contexto cultural, de forma que faça sentido no idioma de alguém que advém de outra cultura. Transmitindo a ideia correta, sem alterar o seu sentido, é claro. Ou seja, além de ter um excelente domínio de ambos os idiomas, o tradutor/intérprete é um importante comunicador intercultural e vai muito além do trabalho da tradução automática, que simplesmente substitui as palavras. Ele vai além das palavras e auxilia a minimizar o gap de comunicação que surge por questões culturais.

Sobre a autora

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Fotógrafa: Lívia Conti

Anna Ligia Pozzetti é formada em Ciências Econômicas pela Unicamp e mestre em história econômica pela mesma Universidade, onde teve a oportunidade de estudar economia e ciência politica por um ano na School of Political Science and Economics da Universidade de Waseda, em Tóquio. Com mais de 7 anos de experiência como tradutora e intérprete de japonês, sendo certificada pelo Center for Interpretation and Translation Studies da Universidade do Havaí onde cursou o Summer Intensive Interpreter Training Program em 2019. A sua conexão com o idioma e a cultura japonesa é decorrente dos 6 anos em que viveu no Japão ao longo da infância, onde adquiriu a fluência no idioma e incorporou a cultura em suas raízes.

 

Guest post: O que é esse tal de mindfulness?

Seja bem-vindo (de volta) à nossa série de publicações convidadas!

Hoje, depois de voltar de uma aula matinal de yoga, tenho o prazer de receber Amanda Ribeiro, intérprete, que falará sobre atenção plena (mindfulness).

Bem-vinda, Amanda!

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Crédito: Lesly JuarezUnsplash

Mindfulness: como manter a cabeça no lugar

Sempre que eu ouvia falar sobre os benefícios da meditação, eu já me adiantava e dizia que não era para mim. Afinal, moro num apartamento que fica em uma avenida movimentada de São Paulo, não tenho como me sentar diariamente em posição de lótus para ver o nascer do sol do topo de uma montanha, muito menos como desfrutar de silêncio absoluto. Além disso, minha cabeça é como o YouTube: é só propor um assunto e ela já deixa engatilhada uma lista infinita de sugestões relacionadas – ou nem tão relacionadas assim. Por essa e outras, “pensar em nada” estava fora de cogitação.

Somado a isso, vivemos na era da informação, da hiperconectividade, das mudanças rápidas, de volumes inimagináveis de dados, notícias, atualizações, livros, audiolivros, podcasts, revistas, séries, filmes e aplicativos que medem tudo nessa vida, com apenas um clique.

Todo esse volume de informação e de possibilidades, combinado à minha mente naturalmente inquieta de intérprete e personalidade que não acredita que exista cultura inútil, começou a pesar e a me sobrecarregar. Não demorei a sentir os sintomas de ansiedade, dificuldade para dormir e angústia por sentir que estava sempre devendo, sempre às voltas com tanto conteúdo pra consumir e tarefas por cumprir.

Para tentar “dar conta de tudo”, eu me treinei para ser multitarefa. Escovava os dentes ao mesmo tempo em que abria as janelas da casa, sempre comia escutando podcasts ou lendo as notícias, e com isso, jurava que estava otimizando meu tempo. Não estava. E foi então que percebi que quase tudo que eu fazia na vida era no piloto automático.

Olha, não estou aqui pra vilanizar o piloto automático, não. Não sobreviveríamos se tivéssemos que focar 100% em todas as nossas atividades. É uma questão de sobrevivência. Mas deixar que esse seja o padrão que dita o ritmo da nossa vida e endeusar a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo também não é o caminho.

Para dar uma ideia do meu estado mental, por falta de atenção no momento presente, tranquei meu marido dentro de casa e levei as chaves, minhas e dele, para o trabalho – duas vezes. Já desliguei o disjuntor de energia da cozinha ao sair para viajar (estragou tudinho que estava no freezer e na geladeira, e o cheiro, depois de 15 dias, ainda era de cena de crime, mesmo depois de uma amiga muito ponta firme ter dado uma faxinada antes da minha volta pra casa). Mais de uma vez me dei conta de que esqueci a fonte do notebook dentro da cabine de interpretação quando já estava no ponto de ônibus, e levanta a mão aqui quem já resgatou meias da lata de lixo o/ – que obviamente deveriam ter sido colocadas no cesto de roupa suja. Nada grave, eu sei, apesar de inconveniente. Mas, em casos extremos, a falta de atenção pode até ser fatal. Não é à toa que surgiu a necessidade de criar uma lei e colocar a plaquinha “Antes de entrar, verifique se o elevador está parado neste andar”.

O meu trabalho de intérprete já exige, por natureza, que eu divida a minha atenção entre esforços distintos e simultâneos. Segundo a Teoria do Modelo dos Esforços, de Daniel Gile, o intérprete precisa ouvir e analisar, produzir o discurso no idioma de chegada e armazenar informação na memória de curto prazo. Tudo ao mesmo tempo e o tempo todo. Como meu trabalho requer toda essa concentração e atenção, eu sabia que precisava fortalecer essa capacidade não natural e dar uma trégua para o meu cérebro nos momentos em que sou só pessoa física.

Sabia que algo precisava mudar em mim e foi com a certeza de que seria um grande desafio reaprender a fazer as tarefas do dia a dia com mais atenção que cheguei ao treinamento de oito semanas de mindfulness.

Era preciso aprender a desacelerar, a respirar, a escolher fazer uma coisa de cada vez.

“Mindfulness é um lugar para respirar no turbilhão da vida”, segundo a definição da instrutora Regina Giannetti, do programa Você mais Centrado. “É um estado mental em que você respira, permite que sua mente se estabilize e proporcione clareza de pensamentos.”

De maneira bem direta e simples, para praticar mindfulness você não precisa de uma vista privilegiada ou de um ambiente zen. Você pode estar presente e com atenção plena assim, exatamente do jeitinho que você está agora. Não importa se tem um avião sobrevoando sua casa ou uma sirene de ambulância disparada. Se decidir baixar a poeira dos pensamentos, sente-se de maneira confortável (de preferência sem se deitar para não cair na armadilha do relaxamento total e na sonolência), deixe os pés bem apoiados no chão, feche os olhos e preste atenção apenas na sua respiração, na maneira como seu peito se move quando inspira e expira, na temperatura do ar, na quantidade de ar entrando e saindo dos pulmões até que o temporizador avise que você chegou ao final da prática. É fácil? Não, não é. No começo, 5 minutos dessa prática parecem uma eternidade. Tudo o que você pensa é: “Será que falta muito ainda?” Sua cabeça implora para que você desista, te provoca com pensamentos de “não consigo”, “já cansei”, “vou parar antes, só desta vez”. Mas se você persistir e deixar ir esses pensamentos, a prática vai ficando mais confortável, você consegue ir aumentando o tempo e colhendo os benefícios de uma mente mais tranquila.

Uma alternativa de exercício é concentrar-se apenas nas percepções, e não na respiração. Trata-se de uma varredura de cada pedacinho do seu corpo. A sensação do seu pé direito dentro do calçado que está usando agora, os pontos em que seu corpo toca o assento e o encosto da cadeira, a textura da sua roupa encostando na pele, a existência de tensão em alguma parte específica do corpo. É maluco perceber que essas coisas estavam aí o tempo todo e não damos a elas a mínima atenção. Ao ter mais autoconsciência, passamos a notar essas partes esquecidas do corpo, e ao exercitar estar mais presente, passamos a nos conhecer melhor e a entender que, muitas vezes, o que estávamos sentindo não era fome, mas sim sede, que está irritado porque uma peça de roupa está desconfortável ou, ainda, aprende a apreciar, de maneira totalmente nova, o sabor de alimentos comuns do seu dia a dia.

O exercício diário fortalece nossa mente. Sem nos darmos conta, lembramos de respirar melhor em momentos de stress, aprendemos a nos acalmar quando estamos diante de decisões difíceis, a priorizar nossas demandas com clareza.

Hoje em dia, existem muitos aplicativos, como Headspace, Lojong, Meditação Natura e Gentle Birth (para gestantes), que oferecem práticas guiadas. Todos eles dispõem de versões gratuitas e pagas, e vale a pena baixar pelo menos um e começar a usar ainda hoje!

Olha, se você achou tudo incrível, mas decidiu começar na segunda-feira ou prefere esperar ter tempo para praticar o mindfulness, já adianto que isso não vai acontecer. É preciso criar esse tempo. Que sejam 4, 5 minutos por dia, todos os dias. Nem preciso dizer que mesmo quando alegamos não termos tempo algum, “nos perdemos” por muito mais do que esses minutinhos no abismo das redes sociais e nas armadilhas da internet.

Não pode fazer a prática formal? Experimente a prática informal. Escolha alguma tarefa do dia para fazer com atenção plena. Desta vez, você não focará na respiração ou no corpo, mas na execução de uma tarefa específica. Se for escovar os dentes, por exemplo, faça como se fosse a primeira vez na vida que realiza essa atividade. Preste atenção na cor da pasta, no cheiro, na aparência, no formato da escova, no material de que é feita. Veja a quantidade de pasta que coloca, o sabor, a textura, a temperatura dela. Atente-se aos movimentos da escovação, como a escova toca os dentes, a gengiva, a quantidade de espuma que forma. Sei que parece papo de doido, mas garanto que será uma experiência rica perceber os pequenos prazeres escondidos em um dia comum, como vestir uma roupa limpinha perfumada de amaciante ou apreciar a sensação do sol leve da manhã iluminando e aquecendo seu rosto.

Resumindo, pratique, persista e se aceite. Deixe ir os pensamentos. Quando os pensamentos surgirem, em vez de se apegar e dar muita importância para eles, perceba que eles sugiram e volte sua atenção para a sua respiração ou para onde decidiu ancorar a concentração. Não se julgue e tenha paciência contigo. É da natureza humana ter pensamentos, expectativas, impaciência, sentimentos de evitação. Quando surgirem esses pensamentos, seja gentil com você mesmo, reconheça a existência deles, volte a atenção pra sua respiração e sustente o máximo que puder, sem julgamento.

Por fim, como apoio pra todo o sempre, sugiro que acompanhe o podcast Autoconsciente. Trata-se de um canal criado por uma especialista e instrutora de mindfulness que traz conteúdo para você entender melhor sua mente e emoções e viver em paz contigo mesmo.

Seja bem-vindo! Que você esteja bem.

Sobre a autora
AmandaRibeiro_047Amanda Ribeiro é formada em Interpretação de Conferências pela PUC-SP e conta com Bacharelado em Tradução e Interpretação pela Universidade São Judas Tadeu e pós-graduação em Tradução pela Universidade Gama Filho.
Começou sua carreira atuando como tradutora, quando teve a oportunidade de traduzir textos de diferentes segmentos. Trabalha com interpretação desde 2016 e já atuou em configurações de reuniões, auditorias, pesquisas de mercado, treinamentos e congressos nas modalidades de interpretação simultânea, consecutiva e acompanhamento. Além das modalidades tradicionais, Amanda tem experiência em interpretação simultânea remota (RSI) por meio de plataformas virtuais. Além de intérprete, é locutora comercial e narradora de audiodescrição. É apaixonada por sua profissão, ama a comunicação e está constantemente em busca de melhoria e aprimoramento pessoal e profissional.

Guest post: Inglês jurídico

Sejam bem-vindos de volta à série de convidados do blog!

A convidada deste mês é a Bruna Marchi, do Descomplicando o Inglês Jurídico e do DIRECTI (que será realizado na semana que vem, em São Paulo, com a possibilidade de participação online). Se você trabalhar com a área jurídica, não pode deixar de segui-la nem perder o DIRECTI (as inscrições ainda estão abertas, e os seguidores da minha newsletter têm desconto!).

Seja bem-vinda, Bruna!

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Photo by Rob Girkin on Unsplash

Esse tal de inglês jurídico

A linguagem técnica em um idioma estrangeiro é sempre um grande desafio. Com a crescente colaboração entre os países nos âmbitos comercial e econômico, o intercâmbio de informações flui com muita rapidez.

Imagine-se um médico brasileiro que tenha a oportunidade de fazer um curso de especialização em um país de língua inglesa. Estudar os termos técnicos em inglês é de primordial importância e um grande desafio. Esse profissional terá que estudar como se diz “cabeça”, “cirurgia”, “bisturi” e outras expressões em inglês. Possuir bons dicionários e material de referência é essencial. Uma vez que o médico aprenda esses e outros termos principais na língua inglesa, está preparado para enfrentar as aulas em um país estrangeiro.

Vejamos, agora, o exemplo de um jurista que tem a oportunidade de fazer um mestrado em direito (conhecido como L.LM.) nos Estados Unidos. Assim como o médico do parágrafo acima, ele terá que estudar a linguagem técnica em inglês, nesse caso, a linguagem técnico-jurídica. Além de todos os desafios enfrentados pelo médico na busca pela aquisição da linguagem técnica, o advogado se deparará com mais um obstáculo: o fato de, na grande maioria das vezes, não haver uma equivalência absoluta entre os termos jurídicos em português e inglês. Um dos exemplos clássicos dados nessa situação é a tradução, para o inglês, do termo latrocínio, uma vez que não há uma palavra única, na língua inglesa, que transmita esse conceito.

O profissional do Direito, porém, jamais poderá se imiscuir em verter para o inglês o conceito que precisa usar para se expressar corretamente. Um instrumento essencial é o uso do direito comparado para aproximar conceitos entres sistemas jurídicos de países distintos, ou seja, com o conhecimento prévio, neste caso específico, do sistema jurídico brasileiro, o profissional deve-se dedicar a conhecer, ao menos, a estrutura geral do direito estrangeiro, para, só então, iniciar o processo de verter conceitos de uma língua para outra. Segundo Soares “[…] o ‘Direito Comparado’ tem uma realidade no universo do direito-ciência, uma vez que sempre será possível realizar-se uma comparação de sistemas jurídicos de países diferentes, com metodologia científica, estabelecer princípios comuns e diferenciados, inclusive até mesmo uma teoria geral do comparativismo jurídico, (à maneira de uma gramática universal de todas as línguas existentes). No Direito Comparado, o que se tem em mira, é realizar uma comparação e, feita esta, partir para uma dupla tarefa: a) conhecer cada termo, isoladamente, na sua individualidade e especificidade, em cada sistema frente a frente e b) da aproximação de ambos, distinguir os elementos que existem em comum e, a partir do descobrimento de valores comuns, realizar a Comparação. O Direito Comparado deverá propiciar julgamentos de valor do tipo ‘são equivalentes’, ‘produzem efeitos semelhantes, dadas as mesmas circunstâncias’, ‘são equiparáveis, desde que se desprezem tais ou quais elementos factuais’, julgamentos esses que devem propiciar a uma decisão final que, no fundo, residiria em ‘reconhecer um instituto desconhecido’ nos seus efeitos, num determinado ordenamento jurídico.”

Uma sugestão enfática é o uso de dicionários jurídicos reconhecidos no mercado. Um deles é o Dicionário de Direito, Economia e Contabilidade, inglês–português, do Marcílio. O autor permitiu a sua distribuição gratuita, em PDF. Aproveite e baixe-o aqui. Um dos dicionários inglês–inglês mais respeitados no mercado é o Black’s Law Dictionary. Acesse-o gratuitamente.

Um pergunta que muitos tradutores me fazem é a seguinte: “É essencial ter graduação em Direito para ser um bom tradutor jurídico?” Minha resposta é: não é essencial ser formado em Direito para ser um bom tradutor jurídico, porém, é indispensável, sim, ter conhecimentos básicos de Direito Comparado. Além do mais, essa tarefa é bem divertida!

Sobre a autora
4Bruna Marchi é advogada e pós-graduada em Interpretação de Conferências Inglês<>Português pela PUC-SP. Tem extensão universitária no Curso de Direito Norte-Americano, pela Fordham University, de Nova Iorque. É pós-graduanda em Direito Penal e Direito Processual Penal. É sócia-fundadora da empresa Descomplicando o Inglês Jurídico e criadora do canal do YouTube Descomplicando o Inglês Jurídico. Atua como professora de inglês jurídico e direito comparado, além de ministrar palestras sobre esses tópicos. Trabalha como criadora de cursos de inglês jurídico para a magistratura e os Ministérios Públicos Estaduais, no Instituto Educere, de Brasília. É professora do curso de Extensão Universitária de Inglês Jurídico da PUC-SP.

Guest post: Website copywriting

Welcome back to our guest post series, dear readers!

I hope your August is going well so far. Remember it’s Women in Translation month and help support the campaign and spread the word about it. For more information, follow the hashtag #WiTmonth on Twitter. And stay tuned, because my post this month (to be published on the 20th) will be special about it.

Now, let’s welcome this month’s guest, Tanya Quintieri, who is a partner of my monthly newsletter and whom I had the pleasure of meeting back in May this year, during the BP19 Conference, in Bologna, Italy.

Welcome, Tanya!

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Image provided by the author

Mrs. Divi about writing website copy

First, let me thank you for clicking the link to this post. It means a lot to me to be featured on Caroline’s blog. After all, we read all the big names here and I am honored to join their ranks.

Aside from being a translator (since 2002 — gosh, now I feel old), I am also a web designer and my background is in marketing. In fact, back in 2010, one of my first freelance spinoffs was a consulting agency for social media marketing. Our clients were businesses looking to harness the benefits of social media.

Fastforward to today, I coach my web design clients in writing compelling copy for their websites. I hear you… Why not just hire a copywriter? Well, truth is, most already have perfect copy. They just need a little help adapting it for their websites. As a medium, websites work differently from paper (brochures, social media profiles, etc.). One aspect is SEO. But to me, and this is far more important, focusing on UX is decisive.

But what is UX?

Well, it stands for ‘user interface’. Some even call it ‘user experience’. And that’s the term I’d like to stick to now.

To be found on Google is a noble goal. But doing business online is about more than just being found. Just because someone lands on your website doesn’t mean that they will actually buy from you. I always smile when clients come to me and say: The goal for my website is to land on page one of a Google search when people search for my keywords. To be honest, if you know what you’re doing in SEO, that is the easier part. Actually, converting those website visits is the holy grail. And it’s hard.

Converting visitors with the power of copywriting

Your ultimate goal is to guide your visitors from that first moment they land on your website. Be it through a Google search or by clicking a link to your blog post.

For the latter, it might seem reasonable to ask your visitors for a comment. But that won’t pay your rent. And if your content is worth commenting (i. e. their time), then they will comment or share anyway, even without you asking them to do so explicitly.

For the former, it’s pretty much evident that you won’t turn them into a customer or client after the first visit. Provided they are not pressed for time and their options are thus limited.

What you will want to achieve is the possibility to nurture them as leads. Ask them to sign up to your email list. Offer a freebie that solves their most pressing problem. Get them to book a call with you.

Writing your copy cleverly, with that user experience in mind, you are more likely to gain their attention in the long run. A clever marketing pro once said that a conversion bases on “know, like, trust”. Which is why it usually takes seven touch points for your potential clients or customers to buy from you.

Again, guide your website visitors. From your Home page to your Services/Product page. From your Blog page to your Resources page. From your About page to your Subscribe/Buy page.

“Do this or that” won’t cut it here. Ask questions. Engage your visitors. Rather than saying “Subscribe to my newsletter”, ask them “Are you ready to up your game in Spain?”

Writing copy for a translator’s website

Assuming that your website is up there to attract direct clients (because we all know that agencies have their own onboarding procedures and ask for CVs), focus on how you can make their lives easier. Envision the person looking for what you have to offer. Don’t dwell on diplomas and CAT tools. Explain how your offering saves them time (and thus cash), state that you are responsive, ensure them that you know their business sector (if you are specialized), take away their pain. No direct client wants to see your CV in more words when they come to your website. They want to know how you can make their lives easier.

Learn about writing copy for your website page by page

I’ve coached many of my own web design clients on writing the copy for their websites. Many of them are, in fact, on page one in Google’s search results for their respective keywords. But I also make sure that their success in digital marketing doesn’t stop there. In my course Website Copywriting 101, I explain the purpose of each page on your website, how to write copy for the body and the meta data, what kind of CTAs (Calls to Action) they need, and how to harness the power of copywriting for their onpage SEO.

You can find out more about the course at Website Copywriting 101. If you subscribe to Caroline’s newsletter, you can get a 25% discount.

 

Aren’t you a subscriber of my monthly newsletter yet? Then subscribe now to have access to exclusive discounts and draws, and be kept in the loop of what is happening in the translation/interpreting market.

 

About the author
Mrs Divi ProfileTanya Quintieri is a ProZ Community awarded mentor and German/English translator based in the Czech Republic. She’s the initiator of the 1,000,000 Miles Challenge, the Be The Change initiative, contributing member of The Language Mastermind and The Translation Mastermind, and a mother to three beautiful children. She loves Corsica and Salsa, dislikes online bullies and low quality food, and enjoys networking both online and offline. For more information about her, visit her website.

Guest post: How to make sure you are charging enough

Welcome back to our guest post series!

This month Richard Lackey, of Contractually Speaking, explains how he conducts a rate audit to see if he is charging enough for what he needs and for what he is worth.

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Photo by Alexander Mils on Unsplash

What am I worth as a freelance translator?
And how data can help you analyse your client list

A recent ProCopywriters survey came to a startling conclusion. Level of qualifications among copywriters appears to be inversely linked to earnings, in fact those who left school at 16 came out top.

This got me thinking. Could it be that many translators – who are generally highly educated – also charge too little?

Day rates, project fees, by the hour or by the word?

With the myriad of different ways to charge, it can be tough to compare rates from one client to another or from one job to another. A higher per-word rate on a tricky little project can be much less profitable than a fairly average rate on a much larger project.

The only way to truly tell is to break it down hour by hour and see what you are earning.

A two-week audit

Just like dieting, the only way to get really useful data is to track everything. You will need to keep note of exactly what you make and how long you spend working. This could be one week or, for a more accurate representation, I would recommend two weeks.

I created a very simple Excel to collect this data for me. You can download a copy of this Excel for yourself here. It’s very simple: all you need to do is fill out how many words you need to translate and the rate, then record how many words you have left to do after a half-hour or one hour session. If you are translating a non-editable file and don’t know the word count, I created a “Countup” page that provides similar data. This tracker is based on using the Pomodoro technique.

Screenshot

Image provided by the author

Did I change my rates after the audit?

Absolutely. Mid-way through last year I found I was working too much and needed to lighten my workload. Immediately after doing this analysis, I substantially raised my rates for two longstanding clients who had given me regular work, but at a rate that wasn’t giving me a good enough hourly rate.

Further analysis

The second analysis I performed, together with my business mentor, was an analysis of all my clients from the past 18 months. By grouping together all the jobs for each client, I created a neat pie chart. This highlighted my most important clients, but also showed that many profitable jobs are one-offs for new clients.

Moving forward

Project fees are now by far my preferred way to charge direct clients, but I’m still making the initial calculation based on the word count. I would like to move towards estimating the number of days a job will take and basing my fee on a day rate. Not only is it easier to compare with other professions, but it could also be a better way of allocating my working hours.

What are your thoughts? Have you ever done a rates audit to analyse your clients?

References

For more on the survey mentioned at the top, see John Espirian’s post for an interesting discussion of copywriting rates. Rates surveys like the 2001 ITI/CIOL survey (or the 2011 edition) or the BDU survey are still useful sources of data. There are also many calculators out there that help you to calculate how much you spend or need per month (such as this one by Luke Spears) although I disagree with this approach.

About the author
Richard LackeyRichard Lackey has been translating from Spanish and French to English since 2011, now as Contractually Speaking, specialising in legal and business translations. He is a qualified member of the Institute of Translation and Interpreting (ITI), Deputy Coordinator of the ITI Spanish Network committee, and a regular contributor to the bimonthly ITI Bulletin on topics such as legal translation, translation technology and co-working. You can contact him at richard@contractuallyspeaking.co.uk, via Twitter, @ContractSpeak, or his website: www.contractually-speaking.co.uk.

Guest post: Using LinkedIn Messaging to market your business

Welcome back to our guest post series!

Please welcome this month’s guest, Madalena Zampaulo, Spanish and Portuguese-to-English translator.

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Photo by Adam Solomon on Unsplash

How To Cultivate Business Relationships
Using LinkedIn Messaging

Just about everyone these days knows of LinkedIn as a social media platform for business professionals. The difference between LinkedIn and other social media sites is that people are on LinkedIn to do business. It’s expected. It’s meant for professionals.

As a translator who uses LinkedIn to market my business, I tend to spend my time on using the Messaging function, i.e. my LinkedIn inbox. I don’t post a lot of content on LinkedIn, as I find that it’s hard for me to keep up with this practice. I also don’t want what I share to get lost in people’s news feeds. Instead, I pay more attention to what my potential clients post. I hang out in discussion groups and observe the questions and ideas shared, offering some thoughts now and then when I can provide value.

But the real work happens in the conversations I have with current and potential clients through LinkedIn Messaging.

When your message lands in a client’s inbox, you already have a foot in the door with someone you’d like to do business with. Meaningful interactions with clients allow you to build ongoing business relationships.

Here are my four tips to do just that.

Make the right connections on LinkedIn.

Try to connect with people who would be most likely to hire you. For example, if you are a legal translator, you might want to connect with more legal assistants and court clerks. This allows you to be in touch with the person whose job it is to make purchasing decisions.

Connect to more than one person at a company or organization. This not only spreads the word about your expertise throughout the company, but it allows you to maintain contact with the company or organization if one of your connections moves to another position or changes jobs. 

Save the selling for another time and place.

Having a conversation with your connections on LinkedIn is about building relationships, not about selling. Instead of pitching your services, offer value in other ways. (More on this in my next tip!)

When it seems like a connection would like to do business with you, take the conversation offline and present your services in a more direct way.

Use the time you have to say something meaningful.

Remember that you don’t have a lot of time to connect with potential clients on LinkedIn. When busy professionals use the platform, they tend to check their inboxes and browse their news feeds quickly before getting back to work. What you say and the intention behind your messages should clearly convey value and compel them to continue having a conversation with you.

When you send a request to connect with someone new on LinkedIn, always include a tailored message. If the recipient doesn’t know you already, they’ll be less likely to accept your request unless you tell them why you think it’s important to connect.

Continue to build your credibility and relationship by following up with your connections! When someone accepts your connection request, send them a quick thank-you note. This is easy to do, but few people do it!

You can also set Google Alerts for those contacts you want to build longlasting relationships with. When you receive a Google Alert about a connection who has recently accomplished something new, changed positions, or written an article, take a few minutes to write a congratulatory note. Pretty simple, right?

Continue to provide value over time.

In addition to setting Google Alerts for your potential and current clients, take a few minutes each day to write to a few people on LinkedIn and say hello. Include something extra in your message so they see your professionalism and the care you put into maintaining an ongoing relationship with them. This also gives you something more to say than simply “hello.” 😉

Some useful content to share with LinkedIn connections are:

  • A relevant article they might enjoy.
  • A blog post or article you have written.
  • The link to a presentation you recently gave.
  • A congratulatory note.
  • Information about an upcoming event.

Your LinkedIn inbox is a very powerful place to hang out. In fact, I’d venture to say LinkedIn should be high on the priority list for any translator or interpreter when it comes to marketing strategies.

LinkedIn makes it easy to stay in touch. And once you send someone a LinkedIn message, they’ll receive the notification in their email inbox. Connect regularly with those you’d like to cultivate relationships with, and make this a regular practice in your work week.

Stay informed about what your connections are doing as well. When you show you are paying attention, the conversations you have with your connections will flow more naturally. You’ll be adding to your client base before you know it!

About the author
Headshot_Madalena_Sanchez_ZampauloMadalena Sánchez Zampaulo is a Spanish-to-English and Portuguese-to-English medical and life sciences translator. She also owns a small translation agency, Accessible Translation Solutions. She is currently a director on the American Translators Association (ATA) Board of Directors and chair of ATA’s Membership Committee. She previously served as chair of ATA’s Public Relations Committee (2014–2018) and administrator of ATA’s Medical Division (2011– 2015). She has a BA in Spanish from the University of Southern Mississippi and an MA in Spanish from the University of Louisville. She is also a consultant for the University of Louisville Graduate Certificate in Translation. You can read more of her articles on her blog. Contact: madalena@madalenazampaulo.com.

Guest post: The power of introversion

Welcome back to our guest post series, dear readers!

This month, I’d like you to welcome Greek translator and interpreter Vasiliki Prestidge, from Greek to Me Translations.

Welcome, Vasiliki!

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Source: Unsplash

Translators and the secret power of introversion

“Not enough classroom participation.”
“She has the answers to the questions, but she never puts her hand up. The other children are not benefiting.”
“She’s excellent, but she has to try harder to share.”

My parents always received the same feedback from my teachers.

The thing is, there was nothing wrong with me. I was simply an introvert.

There’s so much negativity attached to introversion. So many misunderstandings. Decades later, I am still an introvert. I am also a translator, interpreter, blogger, consultant and founder of Greek to Me Translations. Did my introversion stop me from becoming who I am today? No, to the contrary. It has pushed me in the right direction.

But let’s take it from the start. Reading this, you are probably a translator too. And you may consider yourself an introvert too. Do you feel like not going out, talking to people, or picking up the phone? Are you terrified of conferences, and making contacts during events? Welcome to the world of introversion. Hey, it’s really not that bad.

I want to clarify that I use the word ‘introversion’ within the context of MBTI, the Myers Briggs Type Indicator. Many of you might be familiar with it, some not. In this framework, introversion is not about shyness. It’s about energy. Some people take their energy from others (extroverts) and some from within themselves (introverts). Think of the sunflower; it always turns to the sun. Now think of a cactus; it conserves its energy within it and requires few external stimuli.

Extroversion doesn’t make you better and neither does introversion. However, what makes you the best is a balance of both traits. Naturally, you are more comfortable with one of the two personality preferences. But perhaps, your job or culture has pushed you toward adopting features of the opposite side. These are your coping mechanisms and they are great. They turn you into a fully-grown personality.

But these definitions are not about putting people in boxes and locking them there. They constitute a common language offering you the opportunity to understand yourself, accept your gaps and find ways to develop. Isn’t that liberating?

There are two tools that can help you identify your preferences. MBTI Step I gives you a first taste of your preferences. MBTI Step II allows your palate to discover the full range of tastes. Maybe you know you like fish in general, but you might not like salmon or maybe you cannot eat scallops.

Similarly, there are different facets to introversion. Maybe you are an introvert who enjoys running their business from home, on their own, but you don’t mind initiating conversation with potential clients at events. Maybe you feel uncomfortable getting to events by yourself, but once you are there, you’re fine. Or, you find it difficult to initiate conversation, but once someone starts speaking with you, you cannot stop talking.

Introversion is far more complex than we think, and it certainly doesn’t put you in an inferior position. Did you know that introverts make the perfect freelance entrepreneurs and great leaders? Introverts thrive in solitude. They read others and they can listen. I mean they can properly listen.

Then thinking of marketing ‒ an important side of running a business ‒ social media has empowered introverted entrepreneurs to share without feeling exhausted. And did you know introverts are better with social media? That’s because they focus on the internal ideas and feelings which means they are more likely to process before publishing. And that sometimes is truly valuable.

But of course, having the best of both worlds requires effort. The first step to achieving balance is acceptance. Accept you are an introvert and that that’s OK. Then, you invest in understanding your introversion. Everyone is different. We all come from different backgrounds and cultures. Sometimes, a temporary life event could be impacting your core personality preferences. So, self-awareness is key.

Then, you can start learning. And you can learn from extroverts. Think of those instances where being an extrovert could benefit you. Do you have gaps? Identify your goals and keep them in a notebook. This can become your extroversion workbook. The important thing to remember is that you can’t do too much too soon. And by that, I mean take it one step at a time.

For example, if your biggest challenge in running your business is networking with potential clients at conferences or trade fairs, then start small. Go to a local meet-up. Find an event with fewer people. Then, you scale up. Find your “event-buddy”; someone you go to events with. But be careful as this is dangerous. You may end up talking only to your “event-buddy” and that’s not helpful.

And remember, you are definitely not alone in this. I have a secret suspicion that most translators are introverts. So, give yourself a pat on the back. Don’t forget your natural preferences. Allow yourself quiet, me-time. It’s how you thrive.

Do you feel exhausted after a 2-day conference? I’ll let you into a secret: most people do. Don’t beat yourself up. You have the secret power of introversion. Own it.

About the author
VasilikiVasiliki Prestidge is a Greek into English and English into Greek translator and interpreter. She specialises in legal, marketing and psychometrics. She is an MBTI Step I and Step II qualified practitioner. She is the founder of Greek to Me Translations and blogs on www.grtome.com/blog. She often gives webinars and talks in conferences and she enjoys networking. (Believe it or not, she is an introvert). You can follow her on Facebook, Twitter, LinkedIn and Instagram.

Guest post: Tradução do português para o espanhol

Sejam bem-vindos de volta a mais uma publicação de convidado!

Hoje, recebo a Sonia Rodríguez Mella, do blog Traducir Portugués e tradutora de espanhol e português.

10 erros comuns de tradução do português para o espanhol

Antes de mais nada, muito obrigada por ter me convidado para participar do seu blog. Para mim, é realmente uma honra.

Como você sabe, sou uma apaixonada pela língua “brasileira”.

Na Argentina, trabalho muito como tradutora e revisora dos pares espanhol <> português e gostaria de compartilhar com você e seus seguidores minha experiência, o que eu aprendi como revisora de espanhol.

Ninguém deseja enganar na hora de fazer uma tradução, mas o tradutor é um ser humano, portanto, não é perfeito. Sempre pode haver algum errinho em seu trabalho e, por isso, as traduções devem ser revisadas, sempre.

Os erros que eu vejo com frequência quando reviso traduções do português para o espanhol são de diferentes tipos. Realizei aqui, em decorrência disso, uma pequena seleção:

1) USO DA PREPOSIÇÃO A

O uso de preposições é difícil tanto em espanhol quanto em português. Sempre é bom ter por perto uma boa gramática e ler muitos textos de bons autores para consolidar de forma consistente o conhecimento.

O mundo das preposições, por si só, levaria à escrita de, pelo menos, um artigo, ou inclusive um livro dedicado ao tema. É por isso que aqui vou dar apenas alguns exemplos:

Encontrei Alicia na porta do cinema.
Incorreto: Encontré Alicia en la puerta del shopping.
Correto: Encontré a Alicia en la puerta del shopping.

Vou estudar português.
Incorreto: Voy estudiar portugués.
Correto: Voy a estudiar portugués.

Ela tem um filho doente.
Incorreto: Ella tiene un hijo enfermo.
Correto: Ella tiene a un hijo enfermo. (Doenças são consideradas passageiras.)

Ela tem um filho cego.
Incorreto: Ella tiene a un hijo ciego.
Correto: Ella tiene un hijo ciego. (A cegueira é permanente.)

2) PRONOME RELATIVO E CONJUNÇÃO QUE

Estes são erros que os nativos também cometem.

No primeiro caso, na verdade, o gerúndio não está bem usado e, portanto, a escrita certa exige o uso do pronome relativo que. No segundo caso, trata-se da conjunção que.

Neste caso, o uso do gerúndio não é correto:

Ele devolveu uma carteira contendo todos os documentos.
Incorreto: Él devolvió una billetera conteniendo todos los documentos.
Correto: Él devolvió una billetera que contenía todos los documentos.

Ela tinha certeza de que não passaria na prova.
Incorreto: Ella estaba segura que no aprobaría el examen.
Correto: Ella estaba segura de que no aprobaría el examen.

3) TRADUZIR “MUITO” POR MUCHO (SEMPRE)

Em espanhol, a palavra “muito(a)” pode ser traduzida como muy ou como mucho(a), dependendo da construção da frase.

Muy: antes de adjetivos e advérbios.
Mucho(a): antes de substantivo singular e depois de verbo.

Atenção! Há exceções…

Mucho é usado:

  • antes dos advérbios: antes, después, más e menos.
  • antes dos adjetivos: mejor, peor, menor e mayor.

Exemplos:

Ella es muy linda.
Él llegó muy tarde.
La traductora sabe mucho.
El traductor llegó mucho antes.
Este diccionario es mucho mejor que el anterior.

4) USO INCORRETO DO HÍFEN

Em português, o hífen é muito usado, mas, no espanhol, as regras de uso do hífen são muito diferentes.

América Latina para os latino-americanos.
Incorreto: América Latina para los latino-americanos.
Correto: América Latina para los latinoamericanos.

Conclusão de uma metanálise publicada em janeiro.
Incorreto: Conclusión de un meta-análisis publicado en enero.
Correto: Conclusión de un metaanálisis/metanálisis publicado en enero.

Nesse último caso, por exemplo, trata-se de uma palavra que o DRAE não registra. Porém, o dicionário de Fernando Navarro inclui apenas “metanálise”, mas a Fundéu aceita as duas formas.

5) ACENTUAÇÃO DE MONOSSÍLABOS

Em português, os monossílabos tônicos são sempre acentuados, mas, no espanhol, de modo   geral, os tônicos e os átonos não são acentuados, exceto nos casos de acento diferencial:

Termo Classificação Termo Classificação
De Preposição (de) Verbo (dê)
El Artigo (o) Él Pronome (ele)
Mas Conjunção (mas) Más Advérbio, adjetivo ou pronome; conjunção (mais)
Mi Adjetivo possessivo (meu) Pronome pessoal (mim)
Se Pronome (se) Verbo (sei)
Si Conjunção (se) Advérbio (sim)
Te Pronome (te, lhe) Substantivo (chá)
Tu Possessivo (teu, seu) Pronome pessoal (tu)

Também são acentuados os monossílabos posicionados entre sinais de interrogação e admiração.

Exemplos:

¿Qué hora es?
¿Cuál quiere?
¿Cuán grande era?
¿Quién era?

6) USO DO SINAL DE PORCENTAGEM

Em português, o sinal de porcentagem vem depois do número, sem espaço. Em espanhol, entre o número e o sinal de porcentagem deve ter um espaço: 20 %. Só não tem espaço se for o caso do espanhol dos EUA.

7) ABUSO DA VOZ PASSIVA

Em português, usa-se muito a voz passiva, mas, em espanhol, ela deve ser evitada.

Nessa loja, são vendidos os bolos mais gostosos de SP.
Incorreto: En esa tienda son vendidas las tortas más ricas de São Paulo.
Correto: En esa tienda se venden las tortas más ricas de São Paulo.

8) FORMATO DAS HORAS

Em espanhol, as horas são escritas de diferente forma, dependendo do local.

Espanhol da América Latina (LA), da Espanha, internacional (XL) e da Argentina:

10:00 h – 22:00 h

Espanhol do México (MX) e dos EUA:

10 a. m. – 10 p. m. (com espaço)

9) FORMATO DOS NÚMEROS

Em espanhol, os números são escritos de diferente forma, dependendo do local.

Espanhol da América Latina (LA), da Espanha, internacional (XL) e da Argentina:

  • Quatro dígitos: sem vírgula, por exemplo, 1000
  • Mais de quatro dígitos: com espaço, por exemplo, 10 000
  • Uso de decimais: com vírgula, por exemplo, 0,75

Espanhol do México (MX) e dos EUA:

  • Quatro dígitos: sem vírgula, por exemplo, 1,000
  • Mais de quatro dígitos: com espaço, por exemplo, 10,000
  • Uso de decimais: com vírgula, por exemplo, 0.75

10) ARTIGO ANTES DE NOMES DE EMPRESAS

Em português, é habitual o uso do artigo antes do nome de uma empresa. Isso não ocorre em espanhol.

A Odebrecht foi responsável pela construção do edifício.
Incorreto: La Odebrecht fue responsable de la construcción del edificio.
Correto: Odebrecht fue responsable de la construcción del edificio.

Tudo tem um limite; por isso, registrei apenas dez tipos de erros, mas a lista é muito maior.

Espero que você tenha gostado e que seja útil para os tradutores que seguem você nas redes.

Mais uma vez, muito obrigada por ter me dado esta oportunidade.

Sobre a autora
foto soniaSonia Rodríguez Mella é contadora, tradutora de português e autora do Diccionario ACME Español-Portugués/Portugués-Español, publicado pela Editorial Acme Agency, da Argentina, e supervisionado pela Editora Nova Fronteira, do Brasil. Trabalha de forma autônoma desde 1993. Antes dividia seu tempo entre as duas profissões, mas, em 2005, decidiu dedicar todos os seus esforços à área de tradução. Em 2010, criou o blog www.traducirportugues.com.ar e mantém uma página no Facebook, Traducciones de Portugués, que está atingindo os 9.000 seguidores. No blog e nas redes, ela transmite regularmente suas experiências relacionadas com os idiomas espanhol e português. Em 2017 e 2018, participou do Congresso Internacional da Abrates, associação da qual é membro.