Guest post: Os estudos de gênero e a tradução

Bem-vindos de volta a mais uma publicação convidada!

Hoje tenho o prazer de receber uma colega que faz um trabalho incrível e interessantíssimo com estudos de gênero. E é claro que eu não poderia deixar de convidá-la para escrever sobre isso aqui no blog, não é mesmo? Espero que gostem.

Seja bem-vinda, Graziele!

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Foto de Vanessa Serpas disponível em Unsplash

A tradução e os estudos de gênero: o papel político e cultural da linguagem

A questão de gênero tem sido um tema recorrente nos meios de comunicação em massa e mídias sociais recentemente. Temas como violência de gênero e feminicídio, assédio sexual, etc. cada vez mais ganham destaque e são alvos de muita discussão. A visita ao Brasil da filósofa norte-americana Judith Butler, referência no campo de estudos de gênero, é um exemplo dos impactos sociais deste debate. As acusações de pregação de uma suposta “ideologia de gênero”, dirigidas à filósofa, dão o tom de uma percepção moral que alguns setores da sociedade demonstram diante do debate de gênero. Partindo do princípio de que essa ideologia seria contrária a certos valores morais e tradicionais da família, esses setores, entre acusações e ameaças, causaram muita comoção e discussões calorosas sobre gênero. Mas afinal, o que é gênero e o que significa estudar gênero? E o que gênero tem a ver com tradução?

Os estudos de gênero nasceram muito próximos do movimento feminista nos Estados Unidos nos anos 1960, quando questões como o papel da mulher ganharam destaque. No entanto, é importante ressaltar que a questão de gênero não se restringe a feminino e masculino, mas também incorpora a transgressão de gênero, pessoas que não necessariamente se encaixam no binário mulher e homem. Portanto, ao tratar-se de problemáticas relacionadas a gênero, é fundamental ter em mente que ele não se restringe a questões relacionadas somente à mulher e ao homem.

O conceito gênero enquanto ferramenta analítica e de pesquisa amplia discussões relacionadas a política, cultura e sociedade no geral. Portanto, do ponto vista teórico, não se restringe a aspectos morais ou a opinião pessoal de pesquisadores e pesquisadoras. Ele parte do princípio de que gênero é uma construção social e, por isso, varia dependendo do contexto socioeconômico de cada sociedade. Sendo assim, a inserção de gênero enquanto categoria central da pesquisa abriu espaço para novas perguntas na produção acadêmica: como questões de feminidade e masculinidade são entendidas em cada sociedade? Como eles são perpetuados ao longo de gerações e quais as consequências? Como gênero, raça, classe, nacionalidade, religião, sexualidade, etc. se interseccionam? E como as configurações de poder são definidas nesse contexto? Como a globalização muda o entendimento e o significado de gênero?

Nesse sentido, a linguagem usada para responder a essas perguntas desempenha um papel extremamente crítico, ou seja, pode impactar, em alguma medida, as percepções que os sujeitos e grupos sociais naturalizam. Uma das questões mais proeminentes no campo é o uso de palavras neutras que rompam com o binário mulher e homem. Isso ocorre especialmente no caso de idiomas como o português, em que se costuma usar o gênero linguístico masculino para generalizar grupos. Essa escolha no atual contexto tem um significado político e cultural. Por muito tempo, a voz de grupos marginalizados na sociedade, como mulheres, homossexuais, negros, transgêneros, foi desconsiderada e/ou apagada da história, da ciência e da política. Por isso, existe um esforço de se repensar a linguagem e o que ela representa, dando espaço para que esses grupos escolham as palavras com as quais eles se identificam. Essa escolha, por mais simbólica que possa parecer, abre espaço para a discussão do significado e da escolha de determinado termo. Por exemplo, na minha dissertação do mestrado, eu escolhi usar a palavra “mulata” em vez de “mulato” ou ainda “mulatx/mulat@” quando eu me referia a essa categoria no geral, pois analisei diversas propagandas usadas para a promoção turística do Brasil, nas quais o corpo da mulher cisgênero foi usado extensivamente. Essa foi uma escolha pensada e que visou ressaltar e criticar a exploração de um grupo social específico nesse projeto.

A tradução desempenha um papel importante nesse contexto, impulsionada especialmente pelo transnacionalismo das instituições, sejam elas públicas e/ou privadas. Desse modo, e como já discutido muito na indústria, não basta apenas o conhecimento linguístico do idioma, mas também socioeconômico e cultural dos idiomas a serem traduzidos. Especialmente nas traduções de negócios, marketing e conteúdos sociais, localizar e adaptar o conteúdo para o público-alvo é um dos maiores desafios do tradutor de modo que o significado político da linguagem não seja ignorado. No campo da pesquisa, a tradução é fundamental para a realização de estudos envolvendo grupos sociais que não falam o mesmo idioma. Seja na coleta de dados ou na tradução de artigos científicos, a escolha dos termos usados deve ser pensada cuidadosamente, pois eles não necessariamente apresentam a mesma conotação, muitas vezes nem existindo em determinados contextos, podendo inclusive impactar o resultado de pesquisas científicas.

Por fim, o tradutor deve estar ciente de sua responsabilidade social, política e cultura na manutenção ou não de formas de pensamentos existentes. Pesquisar tem o potencial de evitar muitas dessas questões. Afinal, a tradução, assim como a linguagem, tem o poder de unir diferentes povos e abrir canais de comunicação antes não existentes.

Sobre a autora
picGraziele Grilo tem bacharelado em Ciências Políticas pela UNICAMP e acaba de concluir o mestrado em Estudos de Gênero pela Towson University (EUA). Sua dissertação foi na área de gênero, política, raça e turismo no Brasil. Também se interessa muito pela atual crise mundial de refugiados. Acaba de auxiliar na criação, além de participar ativamente, de um projeto com alunos de ensino médio refugiados da África e Oriente Médio, que visou utilizar as artes como meio de expressão e ativismo para esses alunos, em um contexto no qual o idioma pode ser barreira na comunicação. Atua como tradutora freelance desde 2012 nos idiomas português, inglês e espanhol. É torcedora do São Paulo Futebol Clube, ama Pearl Jam e se aventurar na cozinha.
Contato: trad.gragrilo@gmail.com
LinkedIn: Graziele Grilo

 

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Guest post: Plain language and translation

Welcome back, dear readers!

Missed me and my wonderful contributors? I have just returned from a much-deserved 20-day vacation, during which time I did not work at all nor post on social media and on the blog. However, before and after those 20 days, of course things were/are hectic, so that is why I have been absent from the blog. Bear with me for a while, and I promise it will be worth it. I have been working in the background, inviting people, having post ideas, so I will come back with our regular editorial calendar at full speed.

And now let’s return in great style with a dear and talented colleague I had the pleasure of meeting at last IAPTI’s Conference, in Buenos Aires, Argentina, in April, Joanna Richardson.

Welcome, Joanna!

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Image provided by the author

Plain Language and Translation: Think of the Reader

My work: plain language instructor for professionals

While not actually working as a translator, my job for the past 15 years at Argentina’s largest law firm, teaching lawyers how to write in plain English and editing their published work, has kept me closely in contact with the difficulties that professionals face when writing in English as a second language.

Translating complex legal texts into English, and making them understandable for foreign clients is a daily challenge, but don’t worry, plain language can help!

What is plain language?

A communication is in plain language if its wording, structure, and design are so clear that the intended audience can easily find what they need, understand what they find, and use that information.

Source: International Plain Language Federation

 How did it all start?

Quintilian was talking about plain language back in Roman times. But the modern plain language movement kicked off in the 1970s, when grassroots consumer rights associations started to ask their governments to improve their documents. In the UK, in 1974, two elderly ladies died of hypothermia after not being able to fill in a form for fuel subsidies: the Plain English Campaign, still going strong, came into being as result of this tragedy. In the USA the New York Tax Law was revised into plain language in 1978 in response to consumer pressure.

Plain language around the world

Today, the UK is a leading example of this trend and the government website gov.uk has won awards for both design and plain language. In the USA, the Plain Writing Act was enacted in 2010 and around the world, both English-speaking and other, there are many instances of plain language legislation and its positive effects for citizens, and how it saves money for both private and public institutions. The two NGOs: Clarity and PLAIN (Plain Language Association International) have many examples of plain language worldwide on their websites. And the Center for Plain Language, a US-based NGO, also has many examples.

The EU is one international organization that has been aware of this problem for some time. In 1998 they published a booklet on clear translations called Fight the Fog, but the situation deteriorated as the EU grew and took on more languages. In 2011 the booklet was updated by plain English expert Martin Cutts, author of the Oxford Guide to Plain English, and was published in 23 of the EU’s languages: How to write clearly. This booklet can be downloaded free here and has lots of tips on how to avoid EU-speak and improve translations. But even so, it is not mandatory in the EU so many of the suggestions go unheeded. For many languages this is still their only plain language resource.

Plain language for translators

We are not talking about plain language in literature, but official government documentation, forms, contracts and legal writing, the sort of things that citizens have to deal with every day on and offline. These kinds of documents are often written in very complex language and when they are translated, things only go from bad to worse.

Who are these kinds of official documents written for?

The people who have to read them are pushed for time and these days, generally reading them on a small screen. We need to think of our readers today, particularly when translating. Getting the message over to the reader without losing their attention is a constant challenge. And plain language is a great tool.

Bear in mind these 8 recommendations for plain language in translation:

  1. Write short sentences – even if this means chopping up an excessively long sentence and rewriting it into 2 or 3 sentences.
  2. Use active voice – the passive voice is useful but is always longer and less direct. It fails to mention the doer, so can be ambiguous.
  3. Avoid nominalizations – like information or application. Use the verb form like inform or apply to make your writing stronger.
  4. Avoid sexist language – in English it is not acceptable to use the male pronoun to refer to both genders and the modern tendency is non-binary, using the gender-neutral pronoun they in the singular.
  5. Use everyday words – and if you must use jargon, explain it.
  6. Avoid the negative – it is not a clear way of thinking.
  7. Use personal pronouns – address your reader directly.
  8. Avoid shall which has an ambiguous meaning that lends itself to confusion. Use must for obligation and the present tense when something is simply a statement.

So, next time you are translating a government form or a financial document, first think of your reader and translate it into plain language!

What an insightful post, Joanna! Thanks a lot for your kind and rich contribution!

About the author
joanna-richardsonJoanna Richardson
 is a British national who has made Buenos Aires, Argentina her home.
With a background in literature and translation, since 2002 Joanna has taught plain English writing skills to Spanish-speaking lawyers at Argentina’s leading law firm, Marval, O’Farrell & Mairal.
More recently she has applied her expertise from the clear communications field to coach professionals in public speaking.
Joanna enjoys creative writing and making chutney in her spare time.
Website: www.plainenglish.com.ar
Contact: plainenglishargentina@gmail.com
Twitter: @jomrichardson

 

 

Guest post: Os benefícios da massagem

O que massagem tem a ver com tradução? Tem tudo a ver!

Há alguns anos, tive dores musculares horríveis que só a massagem resolveu. Foi quando a Denise entrou na minha vida. Desde então, não fico sem massagem pelo menos uma vez por mês. Por isso, resolvi convidá-la para escrever no blog. Espero que gostem.

Seja bem-vinda, Denise! 🙂

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Crédito: rawpixel.comUnsplash

Você conhece a massoterapia?

Bom, com certeza, já deve ter ouvido falar de massagem!

Pois é! A massoterapia vem sendo cada vez mais utilizada e muitos são seus benefícios. Mas a pergunta é: o que é e como surgiu essa técnica?

Desde que a humanidade surgiu, apareceu também a massagem. Isso porque o toque é a forma mais primitiva e intuitiva de cuidar do corpo. Quando sentimos ou batemos qualquer parte do corpo, nossa reação é de friccionar ou segurar o local afetado tentando diminuir a dor.

A origem da palavra “massoterapia” vem do grego antigo, que traduzido significa “amassar”, ou seja, massagem é a manipulação de tecidos moles do corpo com fins terapêuticos. As culturas antigas utilizavam, também, óleos e ervas medicinais durante os métodos de tratamento como forma de promover bem-estar geral e de proteger o corpo de lesões e infecções por meio de fricções. O Do-In, originário da China, é a técnica mais antiga de massagem, tendo sido a precursora de várias outras através do tempo. Como exemplo, podemos citar o Shiatsu, Ayurveda, Tuiná, massagem clássica, Shantala etc. Há registros de desenhos grafados em túmulos, murais e cerâmicas sobre o uso das técnicas de massagem com mais de 5.000 anos na China, Japão, Egito e Pérsia. Entretanto, os chineses foram os primeiros a reconhecer e sistematizar as propriedades curativas da massagem, tendo o livro mais antigo sobre o assunto: o Nei Ching, conhecido como “Livro do Imperador Amarelo”, escrito em 2.800 a.C.

Benefícios/Indicações

A massagem não é apenas para relaxamento. Ela é muito utilizada para alívio de dores musculares e tensionais, mobiliza o sistema linfático e vascular periférico, melhorando a circulação sanguínea, regulando a pressão arterial e eliminando toxinas e resíduos metabólicos, restabelece e mobiliza as articulações ao promover melhora nos movimentos e nutrição destas, promove o bom funcionamento de órgãos e vísceras, reduz o estresse e a ansiedade por meio da liberação da dopamina (neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar), além de proporcionar maior elasticidade da pele.

Não há contraindicações da massagem, sendo indicada inclusive para bebês, crianças, idosos e gestantes.

Dicas

Muitas pessoas têm procurado a massagem como forma de tratar e aliviar dores provocadas por Lesões por Esforço Repetitivo (LER), tendinites, tensões musculares, normalmente ocasionadas por estresse no trabalho, má postura ou sobrecarga de peso. Pessoas que trabalham muito tempo sentadas costumam sofrer muito com isso. Problemas nos punhos e ombros e dores na região lombar são os mais comuns. Por isso, seguem algumas dicas de como aliviar essas tensões temporariamente. Lembrando: sempre procure um profissional para avaliar e tratar o seu caso.

  • Usando uma bolinha (dessas com cravinhos), faça movimentos circulares leves nos braços e nas mãos. Pode-se, também, usar essa mesma bolinha para massagear os ombros, os pés (pise sobre a bolinha e deslize o pé sobre ela), costas (use uma bolinha mais firme e maior, como uma bolinha de tênis, coloque-a na parede e pressione suas costas contra ela, movimentando levemente sobre o local dolorido).

 

  • Alongue-se! A cada 1 ou 2 horas, faça intervalos para um alongamento. Não precisa fazer todos de uma vez, mas escolha uma região e faça um alongamento de pelo menos 15 segundos. Por exemplo, alongar pescoço: segure a cabeça inclinada para um lado, sentindo o alongamento por 15 segundos, e depois troque o lado por mais 15 segundos.

 

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  • Quando for passar algum creme corporal nas pernas, comece pelos tornozelos e vá deslizando para cima. Assim, já estará estimulando a circulação dessa região.

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Apesar de todas essas dicas, não dispense uma massagem profissional. Além de aliviar as tensões e as dores, você se sentirá relaxado, tranquilo e com certeza vai querer voltar para mais algumas sessões. E aí, vai uma massagem hoje?

Sobre a autora
Foto-0020Denise Fertrin R. Franco é fisioterapeuta graduada pela Fundação Hermínio Ometto. Especialista em Osteopatia pelo Colégio Brasileiro de Osteopatia (CBO Piracicaba). Massoterapeuta e Instrutora de Pilates na clínica Espaço Vitali e estúdio Poise Pilates.

Guest post: YNAB para freelancers

Sem bem-vindos de volta a mais uma publicação convidada!

Neste mês, nosso convidado, o tradutor e intérprete Felipe Cichini Simões, fala sobre as vantagens e como usar o aplicativo YNAB (You Need A Budget) para controlar suas finanças.

Bem-vindo, Felipe!

Ou pra quem recebe em dias irregulares

Este artigo pressupõe que você já sabe como o YNAB funciona ou já tem pelo menos alguma intimidade com o método e quer adequar seu funcionamento pro seu estilo de vida de receitas com entrada irregular, seja você freelancer ou algum profissional com fluxo de entradas semelhante. Caso contrário, comece lendo sobre o método aqui.

Se você não recebe um salário regrado todo mês, ter e manter um orçamento é ainda mais valioso pra organizar suas finanças e não fazer lambança com seus pagamentos. A lógica é mais ou menos a mesma, mudando a frequência com que ela é aplicada: você continua seguindo o ciclo de (1) inserir os recebimentos quando eles entram; (2) dar uma função pra cada centavo; (3) gastar de acordo com o que você orçou; (4) reajustar conforme necessário.

A pergunta que você precisa fazer sempre é: “O que essa grana precisa pagar antes de eu receber de novo?” Isso vai te dar a real dimensão das suas prioridades financeiras até que entre a grana do próximo freela. Pra isso, acredito que algumas dicas que eu desenvolvi no meu próprio orçamento possam ser úteis.

Organize suas categorias por prioridade

Sabendo o que você precisa pagar primeiro, fica mais lógico já ir fazendo o orçamento do boleto que chega primeiro. Uma boa maneira de ter essa visão é colocar o dia de vencimento de cada conta entre parênteses depois do nome da categoria e reordenar de acordo:

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Imagem fornecida pelo autor

Observe que a categoria Impostos tem dois vencimentos, mas eu ordeno pela data mais baixa. Assim, você sabe de cara o que vence primeiro e evita atrasar pagamentos. Reordenar os grupos de categorias (na figura acima, Contas) também ajuda a visualizar em primeiro lugar o que tem mais prioridade. É uma maneira de separar o supérfluo do essencial. Digamos que você tenha recebido o suficiente pra custear suas contas e entra o pagamento de um segundo freela nesse mesmo mês. Suas contas já estão cobertas, você segue o barco e orça o restante das suas categorias, repetindo o ciclo 1234 acima sempre que entrar mais dinheiro.

A regra adicional do freelancer, regra 5

Essa regra foi desenvolvida por mim, mas acho que é igualmente essencial se você tem um fluxo irregular de receitas: crie um fundo contra essas irregularidades.

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Imagem fornecida pelo autor

A ideia é que você abasteça essa categoria com sobras de receitas de um mês bom para gastar dinheiro dela num mês abaixo do esperado. No meu caso, ela tem esse nome esquisito, Fundo contra a renda variável, mas que funciona pra eu me lembrar de me proteger contra uma eventual ausência de receita prolongada. E lembre-se de que essas sobras vão se acumulando com o tempo, então qualquer centavo é muito válido na hora de acumular pra uma eventual emergência ou pra viver com mais tranquilidade quando aquele cliente enrolar pra pagar.

Definir uma meta de saldo de categoria é interessante pra saber quanto falta pra chegar lá.

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Imagem fornecida pelo autor

Quem é freelancer sabe que isso acontece sem a gente se programar. Já fiquei três meses sem nenhum trabalho e gastei todas as minhas reservas que tinha poupado no ano anterior (curiosamente, foi logo antes de eu me dedicar a aprender a usar o YNAB). Isso me serviu de exemplo, e hoje eu estimo que preciso de três meses de gastos guardados nesse fundo pra ter tranquilidade plena, mas isso vai variar de acordo com seu contexto e é algo que você vai ter de estimar e decidir por conta própria.

Com a categoria selecionada, no painel à direita do YNAB, você consegue definir uma meta (GOALS, imagem acima) de atingir um saldo específico praquela categoria (primeira opção) sem data específica. Se você sabe que há um período de baixa atividade na sua profissão, use a segunda opção e concentre-se em chegar até aquele saldo até o mês anterior da época das vacas magras.

Pra ser 100% honesto, até hoje eu ainda não cheguei a acumular os três meses, porém, também não cheguei a precisar. O YNAB ajuda tanto na organização, você enxerga seu dinheiro de maneira totalmente diferente, fora que a regra 4 (envelheça seu dinheiro) já seria semelhante a se preparar pra vários meses de gastos com antecedência. Mas eu percebi que esse fundo tem uma função de conforto psicológico importante: eu vejo que estou amparado e fico mais tranquilo!

Envelhecer seu dinheiro significa que o que está sendo gasto hoje foi recebido há 35 dias (nesse caso).

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Imagem fornecida pelo autor

Recapitulando: priorize e economize. Tudo isso pode soar impossível de atingir, mas com o passar do tempo dá pra perceber que você vai conseguir programar seus gastos com cada vez mais antecedência (a regra 4 começa a funcionar praticamente sozinha). E respeitando a regra 2, você não é pego de surpresa e desenvolve gradualmente essa tranquilidade financeira. Não é algo que acontece do dia pra noite, mas que você desenvolve em meses e anos de orçamento, disciplina, planejamento, organização. Aí termina e recomeça. E com organização a gente vai muito mais longe e com muito mais tranquilidade na profissão, conseguindo orientar o foco pra onde ele realmente é necessário.

Sobre o autor
Felipe_foto-perfilFelipe Cichini Simões é intérprete e tradutor profissional com mais de 10 anos de experiência em tradução escrita, localização de aplicativos e interpretação de conferências e eventos ao vivo, sommelier de cerveja e gestor bem-sucedido das finanças pessoais há mais de 4 anos. Site: http://mantrad.com.br

Guest post: Paixão pela tradução

Sejam bem-vindos de volta, queridos leitores!

A ordem das publicações foi trocada este mês. Não se preocupem! A série de entrevistas Greatest Women in Translation será publicada na próxima segunda-feira, dia 10. 😉

Hoje tenho a honra de receber uma pessoa querida que acabou se tornando uma grande amiga. Seguidora assídua do blog, tive o prazer de conhecê-la pessoalmente no ano passado. Além de ser uma pessoa incrível, de coração imenso, é também, como é de se esperar de pessoas incríveis, uma profissional competentíssima, apaixonada pela tradução.

Seja bem-vinda, Sil!

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Fonte: Unsplash

Sobre a alegria de estudar e trabalhar com o que se gosta

Bom, este não é um texto sobre especificidades da tradução, mas sobre a paixão que todos têm (ou passam a ter) quando se envolvem com essa área. Quando a Caroline me convidou para escrever, eu já era leitora assídua aqui do blog desde 2014. Foi quando a conheci na Semana do Tradutor da UNESP, uma das melhores edições do evento, em minha opinião! Por isso, eu fiquei um pouco insegura, porque não atuo como freelance há algum tempo e acabaria sendo mais emocional do que profissional. Mas, inspirada no post da Giulia Carletti, Translation lets you be everything you want to be, aceitei o convite, e este é um post sobre como a tradução me motiva e me faz feliz.

Quando terminei a graduação em Letras nos anos 90, não se ouvia falar sobre tradução na universidade, e eu também não sabia que gostava da área e nem que podia estudá-la. Como eu não me encaixava nas linhas de pesquisa oferecidas no mestrado, decidi me dedicar às aulas como professora de inglês. Mas, lembro-me de várias situações em que eu tentava convencer algum aluno de que aquela frase do resumo ficaria muito literal no abstract e perderia o sentido se fosse traduzida como ele queria ou ainda que a letra daquela música não teria sentido se não invertêssemos a estrutura da frase. Era difícil convencer os alunos, mas eu amava estar ali, tentando explicar tudo isso.

Alguns anos depois, mudei-me para Florianópolis e decidi voltar a estudar. Fui pra UFSC. Procurando alguma linha de pesquisa que me motivasse, soube que iria abrir um programa de pós-graduação em estudos da tradução – a PGET. Lembro como se fosse hoje quando eu falei: “Tradução! É isso!” Era o que eu queria fazer. Eu já trabalhava como freelance para uma agência e estudar o que eu tinha como profissão era tudo o que eu queria! Amei cada minuto na PGET porque a tradução me completava e encantava e me fascinava cada dia mais.

Hoje sou professora em um curso de licenciatura em letras e meu objetivo maior tem sido compartilhar com os alunos o que é traduzir e ser tradutor. Digo isso porque muitos deles, apesar de o curso ter como foco a formação docente, acabam atuando como tradutores (e até intérpretes) sem ter conhecimento da profissão. Já outros dizem que a tradução não agrega nada à carreira docente. No entanto, a tradução está presente em muitos momentos em sala de aula: muitos tradutores também são professores, e uma profissão não exclui a outra.

Mas sou insistente. Compartilho questões da prática, mercado, blogs, sites, exercícios, teorias, enfim, questões que eu sei que farão a diferença em algum momento da vida deles. Para os que são flexíveis a ponto de encarar o desafio de estudar e praticar tradução, os resultados têm sido bastante positivos: alguns TCCs já defendidos, um encontro anual sobre tradução, promovo palestras com tradutores nas aulas, um grupo de pesquisa, pequenos projetos de tradução em sala… E tudo o que eu espero são alunos mais conscientes sobre o papel e a singularidade do ato de traduzir. Tudo isso me traz uma única certeza: a tradução foi e é a melhor escolha que eu poderia ter feito pra mim. E assim se faz o caminho, ao andar, como diria o poeta Antônio Machado: sigo como tradutora voluntária, professora e admiradora dos amigos e colegas que fazem da tradução um caminho real e possível.

Sobre a autora
silSilvana Ayub é graduada em letras, artes plásticas e comércio exterior. Tem pós-graduação em estudos da tradução pela PGET–UFSC. Já foi freelance, hoje é voluntária. Queria ser comissária, mas, por ser baixinha, não conseguiu. Queria ser arquiteta, mas a matemática sumiu. É 50% curitibana e 50% florianopolitana, professora de inglês e tradução em Curitiba. Gosta de culinária e aprecia um bom café e uma boa conversa. Desistiu do Facebook e não se arrepende, mas responde a e-mails com relativa rapidez. Pode escrever, se quiser: sil-in-sc@uol.com.br

Guest post: Translator digital nomad

Last April, during the IAPTI Conference in Buenos Aires, Argentina, I had the pleasure of meeting Rea Gutzwiller, already a connection on Twitter, in person, and spending some fun time together. And now I have the pleasure of welcoming her on the blog.

Welcome, Rea!

Snowbuddha in Harbin, China

Image provided by the author.

Taking off from your desk

We’re freelancers, right? So have you ever considered leaving you everyday view behind and take off to a new place every so often? You think this is crazy? Unfeasible even?

I’m with you. Before you’ll be able to fully enjoy your nomadic lifestyle, you’ll need to get a few basics in place. In this article I’ll be sharing the most important secrets I wish I had known before I started, so you can start fully prepared.

I admit, I’ve always been a bit of a free spirit, but at first – even after becoming a freelancer – it did not occur to me, that one could freelance and travel. Just about when I had fallen into a routine and started to get itchy feet, I stumbled across a few digital nomad blogs and thought: Wow, great, I want to go to those places too! And after I took off for China, to improve my Chinese, I didn’t stop.

What is probably most important of all is that you make up your mind. I can understand that on a cloudy, foggy winter’s day you’d rather be at a beach in Southeast Asia, but that doesn’t account for the real thing. Mind you: You will leave your house, your neighbourhood, your friends, your family, your pets, your hairdresser, the shopkeeper at the corner store and other people you have some sort of relationship with. They and mostly you will change. You will meet new people; you will live exciting experiences and scary or downright horrible things too. To give an example, I experienced one of the strongest typhoons hitting Xiamen in 50 years. There was no more water, electricity or any other supply where I lived for two weeks. These things don’t happen where I come from and if you don’t speak the language too well, horrible things can become even scarier pretty quicky. But if you’re prepared, things are mastered more easily. Ask yourself: Do I really want to become a nomad? Or do I want to live amazing things, but 80 or 90% of the time, I am quite happy where I am? You see, if you become a nomad, this isn’t just your regular holiday enhanced. This is a new lifestyle, where tomorrow is often unknown. Do you love routines? Are you okay with last minute changes?

If you think it’s scary, you can gradually start it. Try it out! A couple of months somewhere across the globe will help you decide whether you want to continue or you’re happy to go back home, wherever that is. But once you’ve tried it, you’ll realise that being on the road is not more costly and often even less expensive than renting your permanent place and going on holidays.

Secondly, remember, you can’t bring along too many things. Usually a suitcase and a daypack is the maximum. So you’ll need a base where you can leave your stuff for a while and where your snail mail will get picked up by somebody you trust and scanned for you to deal with. Also, you’ll want to go as digital as possible. I get often asked “but what about your books?” – well, frankly, I don’t have all that many books. I use digital books on a Kindle, PDFs, and dictionaries as software…

Going digital involves a performing laptop, phone and external hard drive. Once you’re fully location-independent, you’ll want to be able to do a lot on your phone. I’ve put together a list of the basics that you’ll find helpful for a fully digital office as a small giveaway from me.

The other thing I can’t stress enough is communication with your clients. Let them know about your plans, use newsletters as a means of keeping in touch with them and always let them know ahead of time when you’ll not be available. There’s Wi-Fi at most airports, Lufthansa even offers it high above the Atlantic and German ICE trains do too. But it might not be available. Think ahead, work ahead, plan ahead.

I think one of the things I actually enjoy the most when working in a different time zone is the quiet hours when the majority of my Europe-based clients have either left for the day or are not yet in the office. That way you get a few peaceful hours of work all while they will have that last minute evening job sit in their inbox the next morning. Tell them about this advantage, they might not have realised before! Set an automatic response when you’re asleep. It will spare you from waking up to 10 missed calls and 20 e-mails from the same person as to why you’re not replying. If you’re worried they’ll turn to other providers, remember, clients are humans. They want top service. They will not run away if you’re still delivering. Be confident!

At the beginning, I’d recommend you keep your actual travelling limited. Stay at a place for a bit longer, so you get to adapt to the new lifestyle and enjoy the experience. Plan enough time. If you’re on a workation, you’ll need to put in a few desk hours every day, which limits your visiting time. Hence, you need more time to enjoy the location. For all of us stable internet is important. Mind you, often these are not the most expensive, luxury places, but quite the opposite; think backpacker hostels and small pensions. For example, quite a few five star hotels still charge for internet, while I haven’t paid for Wi-Fi in a hostel in years. Many hostels nowadays offer private rooms, so if you don’t fancy sharing with 8 snoring party-goers, that’s totally okay! Never underestimate how important sleep is, which leads me to the next point:

Apart from work and play there are three things you should not leave aside on the road: eating healthily, regular exercise and good sleep.

If you follow these few tips, you’ll be able to enjoy your time on the road and work efficiently all while discovering exotic or historically interesting places!

About the author
ProfileRea Gutzwiller translates marketing and technical texts from French, English, Spanish and Italian into German. She has grown up in Switzerland and after graduating at the ETI in Geneva and a couple of years in-house started to travel the world as a nomad translator. She has visited over 20 countries in the last 6 years, which has grown her horizon in many ways and enhanced her world view greatly. Her first article on a nomad lifestyle in a series of four has recently been featured in the first edition of connections. You can follow her on Twitter and Facebook.

Guest post: Alimentação saudável como freelancer

Sejam bem-vindos de volta a mais uma publicação convidada!

Tivemos uma pequena alteração este mês: a publicação convidada trocou de data com a entrevista. Portanto, teremos a série Greatest Women in Translation no dia 10, com a Alison Entrekin.

É com grande prazer que apresento a vocês minha nutricionista, Cyntia Galante. Como não só de tradução vive o tradutor freelance, resolvi convidá-la para falar sobre alimentação saudável.

Seja muito bem-vinda, Cyntia!

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Imagem fornecida pela autora.

Trabalhar em casa e me alimentar bem? Como?

Que a alimentação saudável deve fazer parte da nossa rotina todos já sabem, mas por quê? O alimento é responsável pela prevenção e tratamento de doenças, bom desempenho na atividade física esportiva, controle do peso corporal, estados de alergias e intolerâncias alimentares e redução de fatores de risco para doenças crônicas. Alimentação também é parte importante do tratamento de doenças, como hipertensão, diabetes, dislipidemias, cardiopatias, doenças renais, hepáticas, etc. Com o passar dos anos, o corpo sofre transformações. Além disso, o sedentarismo tem se tornado constante, principalmente entre os adultos e idosos.

Mas como manter uma alimentação saudável nos dias de hoje, principalmente com pessoas que têm seus escritórios instalados dentro de casa?

Separei algumas dicas pra vocês conseguirem se organizar melhor!

  • Organize os horários das refeições: comece com a primeira refeição assim que você acorda e tente organizá-las de 3 em 3 horas. A rotina de horários fará com que você sinta fome em horários mais padronizados evitando, assim, possíveis beliscos fora de hora ou longos períodos em jejum.
  • Coloque o seu celular para despertar no horário das refeições. Quando nos envolvemos com o trabalho, é comum nos esquecermos do tempo e, quando percebemos, o dia já acabou e fizemos apenas uma refeição.
  • Planeje as refeições do próximo dia na noite anterior. Isso minimiza a possibilidade de beliscos por falta de ideia do que escolher para comer ou falta de opção saudável.
  • Tenha sempre o planejamento de todas as refeições da semana, principalmente se você cozinha e almoça e janta em casa. Vá ao supermercado com uma lista de compras semanal e compre apenas o necessário. Quanto mais planejada a sua compra de supermercado for, menos tentação você terá em casa, além de não correr o risco de ficar sem nada para preparar e acabar pedindo algum fast food.
  • Hidrate-se!!!! Água é fundamental para o bom funcionamento do cérebro, portanto, trabalhamos melhor quando estamos hidratados. A recomendação de água é de 0,045 ml x kg (por exemplo, uma pessoa que pesa 65 kg deve ingerir 2,9 litros de água por dia). Essa recomendação pode incluir água e chás distribuídos ao longo do dia.
  • Cuidado com o carboidrato! Você já deve estar careca de escutar essa recomendação, mas a ingestão de pães e farinhas (massas, macarrão) é altíssima em pessoas que trabalham mais tempo em casa, pois o acesso é fácil, e é um alimento rápido e prático para preparar.
  • Pratique atividade física regularmente. O exercício regular ajuda na manutenção do sono. Quando o sono ocorre de forma regular e saudável, temos mais facilidade para manter o peso.
  • Durma e acorde sempre em horários regulares e o mais parecido com a rotina de trabalho de escritório. Acordar por volta de 7h e dormir por volta de 22-23h faz com que tenhamos a liberação hormonal adequada durante a noite e tenhamos um dia mais produtivo.
  • Dê preferência e atenção aos alimentos VIVOS. Alimentos que a natureza nos oferece são sempre saudáveis e com certeza devem ser priorizados em qualquer plano alimentar saudável. Eles estão livres de conservantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabores, etc., produtos esses que a indústria alimentícia usa para produzir a maioria dos alimentos.

Use o alimento como a sua fonte de nutrição e energia. Lembre-se de que o seu corpo é a sua principal ”casa” e que, se ele não for bem cuidado e bem tratado, vai ficar mais difícil realizar tarefas rotineiras. Nosso corpo é o nosso maior bem! Não estamos falando de magreza e padrões de beleza. Estamos falando de SAÚDE. Queremos corpos mais saudáveis para vivermos vidas mais saudáveis e mais felizes!

Como vocês podem ver, uma alimentação saudável aliada a uma vida ativa é fundamental para a nossa saúde, principalmente para nós, tradutores, que temos uma vida profissional tão sedentária!

Muito obrigada por aceitar meu convite e nos dar conselhos tão importantes para uma vida mais equilibrada, Cyntia!

Sobre a autora
Foto Cyntia GalanteCyntia Galante é nutricionista formada pela PUC Campinas em 2005 e pós-graduada em Doenças  Crônicas pelo Hospital Albert Einstein. Atua em consultório na cidade de Campinas, SP, desde 2005 e é Personal Diet desde 2008. Idealizadora do Noiva Slim. Siga-a no Instagram em Cyntia Galante e/ou em Noiva Slim. Curta as páginas dela no Facebook em Cyntia Galante Personal Diet e/ou Noiva Slim. Telefone para contato: (19) 98830-1014.

Guest post: Sindicato dos Tradutores

Sejam bem-vindos de volta à nossa série de publicações convidadas!

Hoje, tenho a honra de receber a queridíssima, fina e elegantérrima Liane Lazoski, atual presidente do Sintra (Sindicato Nacional dos Tradutores), uma profissional que admiro muito.

Seja bem-vinda, Liane!

logotipo

Por que devo me filiar ao Sintra?

– O Sintra é a única entidade com poder para representar TODOS os tradutores e intérpretes, no âmbito Executivo, Legislativo e Judiciário, nas questões relacionadas à profissão, inclusive valores, licitações, reivindicações fiscais.

– O Sintra cuida dos profissionais da tradução que trabalham com carteira assinada, e tem uma sala própria para analisar e homologar as rescisões trabalhistas.

– O Sintra é mais um braço para amparar tradutores e intérpretes em todas as situações em que o profissional precisa de um terceiro competente para reivindicar seus direitos.

– O Sintra tem sede própria, bem localizada, e está preparado para receber seus membros sempre que ele precisar de um local comercial nas suas situações profissionais, inclusive um espaço tranquilo para trabalhar, com wi-fi, telefone, café e água.

– O Sintra tem uma assessoria jurídica disposta a ajudar a encontrar soluções para os impasses oficiais que possa vir a enfrentar.

– O Sintra tem um site ativo, com banco de dados de tradutores e intérpretes, ao qual o associado tem automaticamente acesso no ato da sua inscrição.

– O Sintra está atuando nas universidades, oferecendo a primeira anuidade gratuita a todos os formandos em letras e tradução. Com essa iniciativa, pretende robustecer o quadro de associados, para que o sindicato tenha mais força e voz junto às autoridades governamentais.

– O Sintra oferece descontos nos cursos da Estácio, CCE PUC-Rio e Livraria Leonardo Da Vinci. E vem mais por aí!

– O Sintra é o braço político do tradutor/intérprete e, na medida do possível, se faz presente em eventos da categoria.

O SINDICATO É SEU. VENHA E OCUPE O SEU LUGAR.

Sintra (Sindicato Nacional dos Tradutores e Intérpretes)
Endereço: Rua da Quitanda 194 – sala 708, Rio de Janeiro – RJ
Telefone: (21) 2253-1616

Eu sou filiada. E você, está esperando o quê para se filiar? Sem o apoio dos filiados, o sindicato não tem como defender nossos direitos. Depois não adianta reclamar…

Sobre a autora
15894252_10206945294825030_4073276686658539299_nLiane Lazoski é a atual presidente do Sintra. Foi presidente da Abrates (Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes) nos dois últimos mandatos (2012 a 2016). É fundadora e editora na Lazoski, Beninatto e Cia. Ltda. desde 1983, que chegou a ser uma das dez maiores empresas de tradução do Brasil. Liane é tradutora de inglês (certificada pela Abrates) e espanhol.

Guest post: Trabalho com agências

Sejam bem-vindos de volta à nossa série de convidados!

Hoje recebemos a Gisley Rabello Ferreira, fundadora da Wordlink Traduções e membro do Comitê de Administração do Programa de Mentoria da Abrates.

Bem-vinda, Gisley!

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Source: Unsplash

Nossos clientes: como anda o relacionamento entre LSPs e agências globais de tradução

Uma das principais dúvidas do tradutor profissional é: devo trabalhar para clientes diretos ou agências de tradução? Sem dúvida, trabalhar para clientes diretos é mais lucrativo, mas muitas vezes pode significar ter que realizar mais tarefas fora do escopo da tradução propriamente dita: orçamento, preparação de arquivos, DTP (diagramação e formatação), revisão final, entre outras. As agências pagam menos, mas, realiza todas as tarefas colaterais do projeto, e o tradutor pode se concentrar em seu maior talento: traduzir. Nas duas situações, há prós e contras, e cabe a cada profissional priorizar o tipo de cliente a que se adapta melhor. Assim, é preciso entender quem são nossos clientes, o papel deles na cadeia de fornecimento do mercado e onde nós, fornecedores linguísticos, nos colocamos nessa cadeia.

Trocando em miúdos, no mercado de tradução, há dois principais tipos de clientes: os clientes diretos e as agências de tradução. Os clientes diretos são pessoas físicas ou empresas que contratam profissionais independentes ou empresas e agências de tradução para projetos de tradução. As agências de tradução podem ser empresas globais, que atuam com inúmeros idiomas e têm escritórios em vários países, ou pequenas empresas de tradução, que trabalham com um número limitado de idiomas e prestam serviços tanto para clientes diretos quanto para agências globais. Mas, como assim? Agências que trabalham com agências? Complicado? Nem tanto. As agências pequenas, além de serem clientes dos tradutores independentes, são também fornecedores linguísticos para clientes diretos e agências globais, o que as coloca nas duas posições do mercado: contratante (agência) e contratado (LSP, language services provider).

As pequenas empresas/agências de tradução são estruturadas de modo a atender muito bem tanto a clientes diretos quanto a agências de tradução globais. Aos clientes diretos, elas dão todo o suporte necessário em projetos de tradução completos (desde o orçamento detalhado até o produto finalizado, seja ele um website, um vídeo legendado ou um simples documento), já que têm uma carteira de colaboradores diversificada, contando com colaboradores de tradução, revisão, editoração, legendagem, entre outros. Para agências de tradução globais, essas empresas fornecem o que chamamos de TEP (translation, editing, proofreading), que nada mais é do que a tradução revisada e verificada em seu formato final: três etapas do processo garantidas por um único fornecedor, além de uma infraestrutura de gerenciamento de projetos e qualidade personalizada.

Qual é a vantagem para as agências globais em se relacionarem com pequenas empresas fornecedoras de tradução? Apesar de as agências globais contarem com muitos profissionais independentes de tradução e revisão para seus fluxos de trabalho em projetos de tradução, contratando-os como tradutores, revisores, especialistas em controle de qualidade, líderes de projeto e muitas outras funções, elas contam também com as pequenas agências de traduções baseadas nos países onde se fala a língua-alvo contratada. O papel dessas pequenas empresas como LSPs é, além de fornecer TEP, dar apoio de infraestrutura e fluxo de trabalho, principalmente em projetos de contas grandiosas, para os quais é difícil conseguir tantos recursos com o perfil específico da conta e gerenciar um controle de qualidade eficiente. As pequenas agências de tradução então atuam como parceiras das agências globais, auxiliando na formação e no treinamento de equipes de tradução e revisão, controlando a qualidade com um profissional fixo para aplicar LQAs, gerenciar glossários, tirar dúvidas da equipe, servir de intermediário entre cliente e tradutores etc. e contando com uma equipe de gerentes de projetos dedicados especialmente aos trabalhos dessas contas.

Mas, para as pequenas agências, é vantagem ter esses clientes? Se a agência global pagar o preço justo para essa parceria tão importante e complexa, vale. Como sabemos, no Brasil temos uma carga tributária muito grande para pessoas jurídicas. Isso é um fator que não chega a impedir, mas que torna bem complexa a contratação de funcionários para desempenhar algumas funções que requerem um comprometimento maior com o trabalho. Trabalhar com profissionais independentes (ou freelancers, como muitos gostam de chamar) para essas funções é uma saída, mas, como esses profissionais têm inúmeros clientes, fica complicado exigir um compromisso de quase exclusividade. Ainda assim, é vantagem trabalhar com agências globais, não só pela receita, mas também pela oportunidade de aprender cada vez mais sobre as mais novas ferramentas e tendências do mercado. Dependendo da parceria que as empresas de tradução têm com as agências globais, seus funcionários e colaboradores recebem treinamento, lidam com os seus clientes diretos em algumas tarefas e até viajam para outros países para testar produtos e realizar projetos específicos. Por outro lado, pode ser difícil para a pequena empresa lidar com os volumes desse tipo de cliente, pois manter uma carteira de colaboradores disponíveis é um desafio. E, em geral, as agências globais especificam volumes mínimos semanais em contrato, então, é preciso se preparar bem para cumprir o combinado, aliando prazo e qualidade.

Para o tradutor independente, ter uma pequena agência de tradução como cliente é trabalhar com profissionais que, acima de tudo, entendem perfeitamente o papel dos tradutores e as dificuldades que eles têm em projetos específicos. É a chance de trabalhar com quem também já passou e passa por essas dificuldades e provavelmente já tem soluções para algumas delas. E, se não tem, certamente vai se esforçar para buscá-las, pois o seu objetivo é o mesmo que o do tradutor: manter o cliente feliz.

No frigir dos ovos, a verdade é só uma: estamos todos no mesmo barco. Assim, precisamos todos – tradutores, revisores, agências – deixar os preconceitos de lado e tentar manter uma relação saudável, sempre com muito diálogo sobre o papel de cada parte nesse relacionamento e sobre tarifas, o verdadeiro tabu entre nós. Tenhamos em mente que nossos objetivos são iguais, portanto, se tivermos uma boa convivência, todos lucramos, tanto em receita quanto em conhecimentos. Para chegar a esse ponto, é preciso refletir bastante sobre o que cada parte representa no mercado e procurar enxergar e, principalmente, praticar parcerias nessas relações, em vez de concorrências.

Sobre a autora
GisleyGisley Rabello Ferreira
 é tradutora, revisora, transcreator e especialista em controle de qualidade nos pares inglês > português brasileiro e espanhol > português brasileiro, principalmente para as seguintes áreas: TI, técnica, comercial, e-learning, localização, saúde e beleza, marketing. É falante nativa de português brasileiro e tem vasta experiência com a língua inglesa e espanhola. É bacharel e licenciada em inglês e literaturas americana e inglesa (UERJ), com pós-graduação em tradução nos idiomas inglês e português (PUC-RJ), e bacharel em espanhol e português e suas respectivas literaturas (UERJ). Atuou de 1990 a 2000 no mercado como tradutora interna em multinacionais americanas do setor de TI e como freelancer em projetos de setores variados para várias agências nacionais. Em abril de 2001, fundou a Wordlink Traduções e ampliou sua área de atuação, passando a oferecer pacotes completos de soluções linguísticas, utilizando as ferramentas e os aplicativos mais modernos do mercado, para clientes nacionais e internacionais. Hoje, também atua como gerente de projetos sênior, além de supervisionar toda a equipe da empresa.

Guest post: On hard skills

Welcome back to our guest series! It is with a great pleasure that I introduce you to this month’s guest, Paula Arturo. I love all her writings and was thrilled when she accepted my invitation to write here.

Welcome, Paula!

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Image provided by the author.

While professional translators and interpreters know better, the painful truth is that many of us have that special clueless someone in our circle of friends, family, and acquaintances who seems to think all it takes to be a language professional is to pass a Cambridge exam or spend a summer abroad learning a second language. Though this misconception may appear to be quite widespread, it’s not a belief that is commonly held by high-end translation buyers, such as international organizations, financial institutions or high-stakes financial players; and by that, what I mean is that clients with deep pockets and experience working with translators are usually already aware of the risks of using non-professionals and the benefits of having someone with the right qualifications and experience on their team.

Many young new language professionals aspire to work for such clients, and kudos to them! If you’re a newbie and you’ve already figured out that the bulk market is essentially a race to the bottom, more power to you. The problem is, however, that you might have some misconceptions about what it takes to work for high-end clients. This is so because most workshops, conference sessions, blog posts, and CPD opportunities focus so much on soft skills that people can be misled into thinking that all you need to be a translator or interpreter is a friendly face and emotional intelligence. While soft skills can help land new clients, keeping them and making it to the top of the food chain is an entirely different story.

If you don’t have the necessary hard skills to deliver results, clients won’t be returning or recommending you to anyone else. No matter how much marketing you do or how SEO savvy you are, hard skills are essentially what marks the difference between one hit wonders and multiplatinum holders. So where to begin?

1) Get a mentor, not a guru. We all have role models, i.e. people we look up to and whose accomplishments we want to emulate. Find that person and try to get them to be your mentor. Mentors don’t just pass down knowledge and skills, they also provide professional socialization and guidance to help you get started on the right foot.

2) Work with a reviewer. We all learn from others, and having a reviewer is key to improving the way we look at, interpret, and rewrite our translations. Reviewers challenge your linguistic choices and force you to rethink them or improve the quality of your work. You can’t possibly learn and do better if nobody’s marking your errors, and becoming an exceptional translator means being open to constructive criticism and change.

3) Become an expert. Your subject-matter expertise must be on a par with that of your client. If you can’t hold a conversation with a subject-matter expert in your desired area of specialization, you’re not ready to handle high stakes work. Of course, there may be a difference in the degree of subject-matter knowledge and expertise between you and your client, especially if you come directly from the field of translation and not from your client’s field, but you should still know enough about the subject-matter to talk about it intelligently and know the right questions to ask.

4) Read, read, read, and then read some more! This should be a given. A translator who isn’t an avid reader cannot possibly acquire enough general, background, and specialist knowledge to correctly understand the subtleties and nuances in certain types of texts.

5) Never stop working on your writing skills. Colombian Nobel laureate Gabriel García Marquez once said in an interview he would sometimes have to force himself to set his texts down and stop making corrections to them or he would never send anything to his publisher. Franz Kafka was constantly correcting course and was known to destroy his work out of dissatisfaction with his own writing. Translators have to be exceptionally good writers, and that is a life-long pursuit.

Of course, this is not a comprehensive list, just a start. The takeaway here is that if you aspire to sit at the cool kids’ table you’re going to have to achieve mastery in your craft. So, the next time you choose sessions at a conference, sign up for CPD, or otherwise invest in your training and education, ask yourself this: Am I maintaining a healthy balance between soft and hard skills? Or better yet, am I focusing on hard skills as much as I should be?

Great tips, Paula! I totally agree with you. It takes a combination of well-mastered hard and soft skills to be a professional translator/interpreter. Thank you so much for accepting my invitation and kindly taking the time to write such great advice to our readers! It is a pleasure to welcome you here.

About the author
paula-arturo-high-res-photo-201x180Paula Arturo is a lawyer, translator, and former law professor. She is a co-director of Translating Lawyers, a boutique firm specializing in legal translation by lawyers for lawyers. Throughout her fifteen-year career, in addition to various legal and financial documents, she has also translated several highly technical law books and publications in major international journals for high-profile authors, including several Nobel Prize Laureates and renowned jurists. She is currently a member of the American Translators Association’s Ethics Committee, the ATA Literary Division’s Leadership Council, and Member of the Public Policies Forum of the Supreme Court of Argentina.