Guest post: Boas práticas de interpretação

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Crédito: rawpixel, em Unsplash

Educar clientes de interpretação simultânea: mito de Sísifo ou oportunidade para fortalecimento de laços?

O convite da querida colega Caroline Alberoni para que eu escrevesse um post a ser publicado neste blog, um dos meus favoritos sobre tradução e interpretação, fez com que eu fosse confrontada com os seguintes desafios: medo da rejeição, writer’s block e dificuldade de escolher um tema. Caro leitor, se você está lendo este texto agora, isto significa que, desta vez, consegui vencer o medo, o writer’s block e escolher um tema a ser discutido, ainda que eu esteja chovendo no molhado.

A motivação para escolher esse tema é constatar que o trabalho de educar nossos clientes recomeça a cada solicitação de orçamento apresentada, mesmo quando se trata de clientes antigos. Por muito tempo, eu ficava frustrada por precisar educar clientes, tanto os novatos quanto os veteranos em contratação de serviços de interpretação simultânea, sobre nossas boas práticas. Sentia que explicar e defender nossas práticas de mercado se assemelhava muito à tarefa de Sísifo. O mito de Sísifo, pertencente à mitologia grega, resulta da punição póstuma a Sísifo por traição aos deuses. Na terra dos mortos, ele era obrigado a empurrar uma pedra até o lugar mais alto da montanha, de onde ela rolaria de volta ao ponto inicial. No passado, eu costumava sentir que, por mais que façamos o trabalho de explicar e ensinar as boas práticas do setor, ele nunca, de fato, termina. Além de achar que essa era uma experiência penosa e enfadonha.

Nos últimos meses, me esforcei para mudar a minha atitude com relação à maneira de explicar as boas práticas aos clientes. Em vez de reagir com o pensamento “Lá vem o cliente que não entende do mercado de interpretação querendo reinventar a roda”, comecei a pensar “Vou usar meus melhores argumentos e fazer referência à nossa associação profissional ABRATES (Associação Brasileira de Tradutores) e ao SINTRA (Sindicato Nacional dos Tradutores) para defender as boas práticas do mercado e ter uma negociação favorável a ambas as partes com garantia de boas condições de trabalho para a equipe de intérpretes”. Essa mudança de atitude fez com que eu passasse a ver o momento de educar os clientes como uma oportunidade para fortalecer meus laços com os contratantes em potencial. Tomei as seguintes atitudes nas situações detalhadas abaixo:

1. Argumento do cliente: não preciso de um profissional, só de uma pessoa que seja fluente em português e inglês

Atitude passada orientada pela perspectiva da tarefa de Sísifo (resposta por e-mail): “Sou plenamente qualificada para atender às necessidades do seu evento.”

Atitude presente orientada pela perspectiva de fortalecimento de laços (resposta por e-mail e contato telefônico para reforçar a mensagem do e-mail): “O evento tem valor estratégico para o posicionamento da sua empresa dento de seu setor de atuação. Portanto, é importante garantir a qualidade da mensagem a ser passada ao público que precisa da interpretação simultânea. Intérpretes profissionais são fundamentais para mediar a comunicação entre pessoas que não são fluentes nos mesmos idiomas. Conte com meus serviços de intérprete de conferências profissional para atender às necessidades de comunicação do evento.”

Resultado: orçamento aprovado e evento agendado.

2. Argumento do cliente: Não preciso de um profissional… ser fluente nas duas línguas é o suficiente, pois a reunião para divulgar o produto será superinformal

Atitude passada orientada pela perspectiva da tarefa de Sísifo (resposta por e-mail): “Ser fluente em duas línguas não qualifica uma pessoa a trabalhar bem como intérprete.”

Atitude presente orientada pela perspectiva de fortalecimento de laços (resposta por e-mail e contato telefônico para reforçar a mensagem do e-mail): “O momento de apresentação de um produto para clientes em potencial é único e merece planejamento esmerado em todos os detalhes, desde a montagem da lista de convidados até a escolha do buffet. Logo, um evento tão bem preparado será mais eficaz com o trabalho de intérpretes de conferência profissionais para servir como pontes de comunicação entre pessoas que não falam a mesma língua. Minha empresa está apta a oferecer os serviços de interpretação simultânea necessários ao sucesso do seu evento.”

Resultado: negociação interrompida.

3. Argumento do cliente: a interpretação dura apenas 4 horas, um intérprete sozinho dá conta

Atitude passada orientada pela perspectiva da tarefa de Sísifo (resposta por e-mail): “É contra a praxe dos intérpretes de conferência, segundo recomendação do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA), trabalhar sozinho por períodos superiores a 1 hora em conferências e 2 horas em acompanhamentos externos.”

Atitude presente orientada pela perspectiva de fortalecimento de laços (resposta por e-mail e contato telefônico para reforçar a mensagem do e-mail): “De acordo com a recomendação do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA), intérpretes devem trabalhar sozinhos por um tempo limite de 1 hora em conferências e 2 horas em acompanhamentos externos. Essa recomendação é resultado de estudos que comprovam queda de desempenho dos intérpretes e perda da qualidade da mensagem após os períodos citados acima. Dessa forma, para garantir a qualidade da comunicação no evento, é necessário que dois intérpretes trabalhem em revezamento.”

Resultado: orçamento aprovado, evento agendado e fidelização do cliente que contratou os serviços tanto em 2017 quanto em 2018.

4. Argumento do cliente: não há diferença de tarifa para contratação de 2 ou 6 horas de trabalho?

Atitude passada orientada pela perspectiva da tarefa de Sísifo (resposta por e-mail): “Em consonância com a recomendação do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA), a tarifa de interpretação simultânea cobre até 6 horas de trabalho e é indivisível.”

Atitude presente orientada pela perspectiva de fortalecimento de laços (resposta por e-mail e contato telefônico para reforçar a mensagem do e-mail): “Além da recomendação do Sindicato Nacional de Tradutores (SINTRA) para que a diária de interpretação simultânea contemple até 6 horas indivisíveis de trabalho, é importante lembrar que quando um cliente solicita uma reserva de agenda para mim, deixo de atender outros clientes em potencial para atender o cliente que fez a reserva. Simplesmente não ’encaixo’ dois ou mais clientes ao longo de um dia de trabalho. Portanto, a diária fica inalterada se o período de trabalho efetivo for inferior a uma jornada de 6 horas indivisíveis.”

Resultado: orçamento aprovado, evento agendado e fidelização do cliente que contratou os serviços tanto em 2017 quanto em 2018.

5. Argumento do cliente: seu orçamento está muito caro, poderia recomendar uma pessoa que cobre menos que você? Não precisa ser profissional… só ser fluente em português e inglês

Atitude passada orientada pela perspectiva da tarefa de Sísifo (resposta por e-mail): “O orçamento apresentado se coaduna com a recomendação do Sindicato Nacional dos Tradutores (SINTRA) e prevê a devida emissão de nota fiscal bem como o recolhimento de todos os encargos devidos.”

Atitude presente orientada pela perspectiva de fortalecimento de laços (resposta por e-mail e contato telefônico para reforçar a mensagem do e-mail): “Obrigada pelo posicionamento com relação ao orçamento apresentado. Neste link, você encontra o diretório de associados da Associação Brasileira de Tradutores (ABRATES): https://abrates.com.br/buscar-tradutores/. Esse diretório é uma boa ferramenta para que você possa entrar em contato com outros intérpretes de conferência profissionais. Caso opte pela contratação da minha empresa para prestação dos serviços, o orçamento apresentado anteriormente permanece válido pelos próximos 30 dias.”

Resultado: negociação interrompida.

 A despeito de ouvir questionamentos muito similares de clientes diferentes e de ter o sentimento de repetir o mesmo trabalho de educar os clientes a cada solicitação de orçamento, repetindo a metáfora do mito de Sísifo, hoje vejo com clareza que, quando nossos clientes questionam as práticas do nosso setor de atuação, temos a oportunidade de melhorar a qualidade da nossa comunicação com aquele cliente e, principalmente, fortalecer os laços profissionais com aquele contratante. Todos os argumentos de clientes citados acima foram úteis para que eu mudasse minha atitude e conseguisse manter conversas telefônicas e trocas de e-mail úteis para o cliente no sentido de oferecer melhor entendimento sobre o trabalho e as práticas dos intérpretes de conferência profissionais.

Sobre a autora
2018 06 RoBelinky ABRATES-9Rane Souza é intérprete, tradutora e professora de inglês e português para estrangeiros. No âmbito do magistério, ministra aulas particulares prioritariamente para adultos. No mercado de tradução escrita, atua principalmente nos segmentos editorial, tendo vertido ao inglês as obras Abrolhos Terra e Mar, de Rafael Melo (Editora Bambalaio, 2017) e Ver, de Antônio Bokel (Editora Réptil, 2017); e jurídico, com foco na tradução e versão de contratos. Como intérprete de conferências, trabalha nos mercados corporativos privados e do terceiro setor.

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Guest post: Organização e produtividade

Bem-vindos de volta à série de publicações convidadas! Neste mês, tenho a honra de receber um colega de trabalho, profissional incrível que muito ajudou os tradutores durante sua passagem pela Abrates como diretor e presidente e ser humano exemplar que tenho o orgulho de chamar de amigo.

Bem-vindo, William!

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Foto de Emma Matthews, disponível em Unsplash

Vamos conversar um pouquinho sobre produtividade, qualidade de vida e organização?

Responda rápido: se você tem um trabalho pequeno que, pela sua experiência, não deve demorar mais que duas horas para ser feito, com prazo de cinco dias para a entrega, quando você começará a cuidar desse serviço?

Se você disse: “Imediatamente, mas vou parar sempre que houver uma notificação de mensagem no computador ou no celular, afinal, tem tempo de sobra para terminar e esse trabalho nem é tão grande assim, já conheço bem o assunto que esse cliente traduz, enfim, não tenho motivos para me preocupar.” Não se sinta só e leia o artigo.

Se sua resposta foi: “Na manhã do último dia do prazo, eu abro o arquivo e traduzo, não quero acostumar mal o cliente entregando muito antes do prazo. Tradução não é disque-pizza, e o cliente não vai valorizar meu trabalho se eu entregar mais rápido, vai pensar que é fácil de fazer.” Saiba que muitos tradutores e outros profissionais autônomos também pensam exatamente assim. Novamente, não se sinta só, mas leia este artigo. Leia agora.

Se respondeu que começará imediatamente e entregará ainda hoje, você faz parte de uma minoria muito disciplinada. Mas continue lendo. Tenho algumas dicas para você também.

Por que protelamos? Você sabe que tem o que fazer, sabe que tem um prazo, tem ideia de quanto tempo pode demorar para fazer, mas assume a postura do “tá tranquilo, tá tudo certo, tenho tudo sob controle”. A resposta para essa pergunta, no meu caso, foi: isso acontece porque você não tem uma rotina organizada e perde o foco com frequência.

Ter uma rotina organizada é fundamental para que você esteja no controle não só do trabalho, mas de todo o seu tempo. Eu sei, eu sei, disso você já sabia, mas o problema é colocar em prática a organização, é se habituar a ter uma agenda, uma estratégia para definir prioridades e até para decidir o que não precisa de sua atenção e deve ser deixado de lado. Porque sim, há coisas que você pode deixar de fazer, e elas não causarão nenhum impacto negativo em sua vida. Durante o período em que trabalhei na Abrates, precisei aprender a me organizar para conseguir responder às muitas demandas da associação, às necessidades inerentes de nosso trabalho, como prospectar novos clientes, manter-me atualizado e, principalmente, dar atenção aos amigos e à família que, durante esse período, ainda me presenteou com meu primeiro neto.

Não foi fácil me organizar e melhorar o foco, mas foi menos difícil do que imaginei.

Algo muito importante que você precisa saber: ninguém se torna organizado de um dia para o outro, apenas lendo sobre o assunto ou simplesmente fazendo um curso. Organização é aprendizado e construção de hábitos. É um processo lento, mas sempre passível de melhoria. A definição que mais me agrada, tirada de alguns dos muitos livros e artigos que li, é: organização é um processo de redução e seleção. Você reduz a quantidade de eventos que realmente precisam de sua atenção e seleciona quais terão sua atenção com prioridade. Há muitas ferramentas para ajudar nesse processo. Tenho algumas dicas para quem quer começar a se organizar. Dicas simples, mas muito eficientes.

A primeira é: registre em que você gasta seu tempo. Você certamente ficará surpreso ao descobrir que desperdiça boa parte de seu tempo na frente do computador com coisas que não fazem parte de sua rotina de trabalho. Você pode fazer isso com papel e caneta ou instalar algum software que registre quais os programas, sites e outras atividades realizadas no computador e por quanto tempo. Se você usa Mac, minha sugestão é o Timing. Para PC, ouvi dizer que o Toggl é uma boa opção. Instale uma dessas ferramentas em seu computador e use-o normalmente por uma semana. Provavelmente, você descobrirá que redes sociais, mensageiros e e-mails são os vilões que mais roubam tempo dos profissionais freelancers. Você pode estar pensando: mas preciso “me desligar um pouquinho” para ser mais produtivo, ter uma válvula de escape… O problema é que essa válvula precisa estar bem regulada e só deve ser aberta nos momentos certos. No meu caso, o ideal é que essa válvula esteja em outro lugar, não no computador. Uma caminhada, uma conversa com o porteiro, uma série ou desenho animado na TV. Qualquer coisa que faça você se levantar da cadeira e se movimentar pode melhorar não só sua produtividade, mas também sua saúde.

A segunda dica é sobre definição de prioridades. Uma das ferramentas mais básicas e práticas para quem quer se organizar é a Matriz de Eisenhower. Creditada ao general e ex-presidente norte-americano Dwight Eisenhower, que precisava tomar decisões rápidas durante a Segunda Guerra, ela ajuda a definir em que colocar seus esforços, o que delegar, o que agendar e o que simplesmente não fazer. Recomendo começar sua jornada de organização por ela, pela facilidade e custo zero de implementação: papel e caneta resolvem a maioria dos casos. Um vídeo bem claro sobre esta ferramenta você encontra aqui.

Outra forma de se organizar é desenvolver fluxos de trabalho. Documente em uma lista a sequência de passos que você executa para realizar trabalhos com eficiência. Mesmo para aqueles trabalhos que você já faz de olhos fechados, escrever um fluxo de trabalho pode ajudar a perceber onde você está perdendo tempo e o que poderia melhorar. Além disso, você também pode perceber a oportunidade de automatizar algo em seu processo. Não se esqueça de que o computador deve trabalhar para você, e não o contrário.

Uma dica importantíssima que ignorei por muito tempo: dormir bem. É quase impossível manter o foco e ser organizado se você não dá a seu cérebro o descanso de que ele precisa. Desenvolva uma rotina para relaxar e se recuperar para o dia seguinte. Dormir sempre no mesmo horário faz com que seu corpo se prepare melhor e tenha mais facilidade para entrar no sono. O que fiz quando comecei a implementar essa rotina foi usar o despertador de forma inversa: colocava um alarme no meu celular para tocar às 22h30. Assim que ele tocava, eu começava a me preparar para dormir. Não foi preciso muito tempo para que isso se tornasse rotina. Claro, como dizem por aí: there’s an app for that! E você pode usá-los para monitorar e entender melhor seu sono. Atualmente, uso o Pillow, para iOS. Se você usa Android, ouvi boas recomendações do Sleep as Android, que oferece 14 dias de avaliação gratuita.

Para encerrar, três dicas rápidas:

  • E-mails são importantíssimos, mas também podem consumir boa parte de nosso tempo. Para manter o foco, desligue as notificações e defina um horário rígido para lidar com eles. Para alguns endereços para os quais você precisa responder rapidamente, crie notificações usando filtros.
  • Se você usa o Gmail, aprenda a usar filtros e respostas predeterminadas.
  • Descubra qual tipo de música melhora sua produtividade. Eu uso o Focus@Will, serviço que usa neurociência e realmente funciona para mim.

Há muitas ferramentas e métodos que prometem melhorar a produtividade e a organização. Não existe um método que funciona para todo mundo e você pode descobrir que parte de um funciona bem, parte de outro ajuda bastante, que você não suporta tal método… O ideal é testar e descobrir o que funciona para você. Organização e produtividade são pessoais.

Agradeço minha amiga Carol Alberoni por este convite e espero ter colaborado um pouco com sua produtividade e organização. Qualquer dúvida, estou à disposição.

Sobre o autor
William_AvatarWilliam Cassemiro tem 47 anos, é pai orgulhoso de duas filhas e avô-babão do Luquinhas. Foi diretor e presidente da Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes, Abrates, de 2014 a 2018, e participou ativamente da organização de cinco Congressos Internacionais da Abrates, com público médio de 600 participantes. Organizou diversos cursos pela associação, participou de congressos em outros países, palestrou no Brasil, Inglaterra e Uruguai. Sua primeira formação foi em Eletrônica, ramo em que atuou em grandes empresas de Tecnologia, como Xerox e SEMP Toshiba. É tradutor profissional de inglês para português, com Bacharelado em Letras pela Universidade de São Paulo. Na Abrates, considera seu maior feito a implementação do Programa de Mentoria da associação, que orienta tradutores e intérpretes em início de carreira.

Tradução e interpretação: inclusão de palavra em palavra – Parte 2

Caso ainda não tenha lido a primeira parte, acesse-a aqui.

Ainda no primeiro dia de palestras do congresso, após o coffee break, participei da mesa-redonda do Programa de Mentoria da Abrates, Caminho das Pedras, do qual orgulhosamente já fui coordenadora e ajudei a criar. O Programa de Mentoria foi idealizado pelo William Cassemiro, quando ainda era diretor da Abrates, e lançado em março de 2016. Hoje, o Comitê de Administração é composto pelos seguintes coordenadores: Carolina Ventura, Gisley Ferreira, Lidio Rodrigues e Sidney Barros Junior (não presente na mesa-redonda por motivo de força maior). Também fizeram parte da mesa um par de mentora (Ana Julia Perrotti-Garcia) e mentorada (Priscila Osório Côrtes), que contaram como foi sua experiência no programa, e a Monica Reis, que também ajudou a criar o programa.

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Mesa-redonda sobre o Programa de Mentoria da Abrates

O Programa de Mentoria é totalmente voluntário e gratuito, mas exclusivo para associados da Abrates. O programa já ajudou 55 mentorados desde sua criação. No momento, há nove pares em andamento. Os requisitos para ser mentorado são: ter até dois anos de experiência como tradutor/intérprete ou, caso não tenha experiência, estar cursando o último ano de um curso de letras/tradução/interpretação. Os requisitos para ser mentor são: ter pelo menos cinco anos de experiência como tradutor/intérprete. A duração de cada programa é de seis meses, e as reuniões são realizadas da melhor forma decidida entre o par de mentor e mentorado (presencialmente, Skype, e-mail, WhatsApp, etc.). As fichas de inscrição são analisadas por todos os membros do Comitê de Administração, que decidem em comum acordo se o candidato é qualificado ou não para o programa e, caso seja aprovado, quem é o mentor mais adequado ao perfil dele. Após essa decisão, o mentor recebe a ficha do possível mentorado e decide se concorda com a escolha ou não. Cada par é acompanhado por um coordenador (membro do Comitê de Administração). As metas a serem abordadas no programa são basicamente traçadas por cada mentorado com a ajuda do mentor. No entanto, é importante ressaltar que o programa não visa ensinar como traduzir, mas orientar sobre os aspectos práticos do mercado, que normalmente não são abordados pelos cursos da área.

A mentora Ana Julia Perrotti-Garcia já participou de três ciclos e relatou sua experiência: “Ganhei três grandes amigos e colegas de profissão”.

Para mais informações, acesse a página do programa no site da Abrates (link acima). Também há mais detalhes sobre o programa nesta publicação do blog.

Após o almoço, foi a vez da minha primeira apresentação, “Nem só de tradução vive o tradutor: acabando com o endeusamento do trabalho em excesso”, sobre a qual falarei em uma publicação separada. Aguardem!

Em seguida, foi a vez de Mark Thompson, com a apresentação “Menos heavy, mais leve. Pense no leitor alvo!” Mark, cuja língua materna é o inglês, falou sobre versões de português para inglês feitas por tradutores não nativos. Segundo ele, os seguintes adjetivos, entre outros, são usados para descrever essas traduções: long-winded, verbose, wordy, prolix, repetitive. Como vez ou outra faço versões, gostei muito de algumas dicas e soluções que ele deu para alguns termos difíceis de serem traduzidos, como “elaborar” (draft, formulate, detail, write, outline, design, etc.), “destacar” (highlight, stress, mention, emphasize, underline, etc.) e “desembolso” (spending, spend, expenditure, etc.). Dica dele ao verter do português para o inglês: não reproduza o português religiosamente e evite repetições desnecessárias.

O sábado foi concluído com a apaixonante palestra da grande Alison Entrekin, tradutora literária do português para o inglês, “Oombarroom: a reconstrução de Grande Sertão em inglês”. Como o próprio nome da palestra diz, Alison está atualmente trabalhando em uma nova versão da grande obra de João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, para o inglês, com o apoio do Itaú Cultural. Australiana, Alison mora no Brasil há mais de 20 anos e nos deleita com um português perfeito: “É a primeira vez que falo para um público de tradutores”. Que honra! Segundo ela, além de ser um livro extenso, com cerca de 600 páginas, a densidade dele é ainda maior. Menciona Haroldo de Campos, que afirmou que traduzir Grande Sertão é um processo de transcriação no qual perde-se de um lado, mas ganha-se de outro, e no qual o grande protagonista é a língua. Quanto à sua imensa responsabilidade nesse longo projeto, Alison diz que “só” tem “que traduzir para um inglês universal e inexistente”. Baba de moça, não é? Tradutora de grandes obras da língua portuguesa, como Cidade de Deus, de Paulo Lins, Budapeste, de Chico Buarque, e Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, Entrekin conseguiu nos encantar com seu amor pela língua portuguesa e o carinho e atenção que dedica não só a Grande Sertão: Veredas como a todas as obras que traduz. Ela é capaz de despertar o amor pela literatura e pela tradução literária até nos menos interessados.

Dica: a Alison já fez parte da série de entrevistas Greatest Women in Translation deste blog. Leia aqui.

No domingo, último dia do congresso, minha primeira palestra do dia foi “Novas ferramentas de auxílio à tradução e sua performance”, por Marcelo Fassina. Marcelo começou afirmando que MT (tradução automática) não é mais tendência, já é a realidade. Os clientes de serviços de linguagem, provedores de tecnologia, linguistas (nós) e LSPs (Language Service Providers) precisam trabalhar em conjunto nessa nova realidade tecnológica, segundo Fassina. Precisamos começar a abraçar as novas tecnologias e nos especializar cada vez mais. Lugares para bons profissionais sempre existirão no mercado, e a alta especialização será o que diferenciará os tradutores das máquinas. Além de diversidade e inclusão, eis aqui outra palavra que ouvi muito em todo o congresso: “especialização”.

Em seguida, assisti à palestra do Reginaldo Francisco e do Roney Belhassof, “Tradução saindo da torneira?” Criadores do projeto Win-Win, os dois falaram sobre a evolução e as tendências do mercado de tradução. Achei extremamente interessante e relevante a menção que fizeram a uma declaração publicada no site do congresso de 2013 da TAUS (tradução livre minha): “A tradução está se tornando um serviço de utilidade pública, como eletricidade, internet e água, que são serviços de que precisamos no dia a dia, sem os quais nos sentiríamos perdidos. Esses serviços estão sempre disponíveis, inclusive em tempo real, se necessário.” Segundo Reginaldo e Roney, a tradução faz parte do processo de construção cultural e linguística da humanidade.

Ainda não conhece o projeto Win-Win? Acesse o site (link acima) e saiba mais sobre essa iniciativa de democratização da tradução.

Infelizmente, tive que sair da apresentação dessa dupla dinâmica antes do término, pois, em seguida, foi minha segunda apresentação do congresso, “Gerenciamento e curadoria de redes sociais para tradutores”, sobre a qual também falarei em outra publicação separada em breve. Aguardem!

Neste ano, o encerramento do congresso foi antecipado, pois o Brasil estreou na Copa do Mundo contra a Suíça na parte da tarde. No entanto, além de exibir o jogo em um local dedicado especialmente aos torcedores, a Abrates também ofereceu palestras breves, estilo TedTalks, durante o jogo para aqueles que não são fãs de futebol.

Assim como a abertura, o encerramento também foi inovador e inclusivo, com uma palestra apresentada em Libras (Língua Brasileira de Sinais) e interpretada em português e inglês! A professora Marianne Stumpf, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), deu um show de simpatia com a apresentação “Tradutores surdos: experiências em processos de tradução para Libras”. Fiquei impressionada com o tanto que a comunicação em Libras é bem mais rápida que a comunicação oral! Foi uma experiência incrível para sentirmos um pouco na pele como é ser surdo. Segundo a professora, a visibilidade do intérprete de Libras é maior que a do intérprete comum, tornando a estética e a vestimenta detalhes importantes, pois influenciam na interpretação. Ilustrando a diferença entre as línguas de sinais de diferentes países, Stumpf nos contou que, por exemplo, o sinal que fazemos com o dedo médio, que é uma ofensa aqui no Brasil, significa “férias” na língua internacional de sinais. O número total de alunos surdos no Brasil é de 5,7 milhões, desde a educação básica até cursos superiores.

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Marianne Stumpf. Crédito: Renato Beninatto.

Desde o congresso realizado em Belo Horizonte, em 2013 (que, aliás, foi o ano de criação deste blog), não perco uma edição. O congresso já teve um número recorde de participantes (quase 900, em 2015, em São Paulo), localizações diferentes (como a de Belo Horizonte), palestras memoráveis (abertura com Leandro Karnal, no ano passado, em São Paulo), mas essa edição foi linda! O William Cassemiro, que ocupou o cargo de presidente de 2016 a este ano, encerrou seu mandato e seu lindo trabalho na associação com chave de ouro. Deu um show de inclusão e lição de vida a todos nós com as palestras de abertura e de encerramento. A Abrates sempre é sinal de inovação. Foi a primeira a fornecer interpretação simultânea e de Libras em seus congressos. Agora inovou mais uma vez com dois palestrantes negros de abertura, um homem e uma mulher, e uma palestrante em Libras no encerramento. Tenho muito orgulho de ser membro de uma associação que se preocupa também com a humanidade, a diversidade e a inclusão.

Agora, quem assume o cargo de presidente por dois anos é o Ricardo Souza. E ele já disse que o próximo congresso, que será realizado no ano que vem (data a ser definida) em São Paulo, promete, pois, além de ser a 10ª edição, será o aniversário de 45 anos da Abrates. Mal posso esperar!

Não perca estes outros relatos:
O início, o fim e o e-mail, por Maíra Monteiro
Resumo do 1º dia do Congresso da ABRATES, por Rayza Ferreira (também há a 2ª e 3ª partes)
Diversidade e inclusão, pautas de toda profissão, por Carolina Walliter

How to successfully network at a translation conference

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Courtesy of Unsplash, by Matthew Henry

Those who know me well are quite aware of the fact that I am a conference rat. I love conferences and, most of the time, they are an “excuse” for traveling somewhere and visiting some place new. So much so that whenever I travel my mom asks if I am going to attend any conferences. Well, sometimes I do travel to visit friends, you know?

After attending so many conferences, you end up naturally mastering this networking thing. However, I know how difficult it can be the first or second time we attend one. We feel lost, most of the times we do not know absolutely anybody, we are shy, and we want to dig a hole on the ground to hide and simply disappear from this frightening place. See? It is normal, it happens with anybody. I never feel comfortable whenever I go to a new place either, like a new gym, for example. But I will not stop exercising just because of that, am I? Well, I know this may be more than an excuse for some people though…

Keeping this conference newbie tiny issue in mind and the fact that the Abrates Conference is just around the corner, I decided to share with you some tips for successfully networking at conferences without simply throwing yourself at the people either.

  • First of all, having and carrying your business cards with you at all times is a must. And this is valid for any occasions. Have a bunch of business cards in your wallet, purse, gym bag, car. Whenever someone asks for your email or phone number, just handle them your card and make a good impression with your professionalism. 😉
  • However, do NOT just randomly start giving your cards away to simply anybody with no reason whatsoever. Wait for the right time. Timing is everything when you want to make a good impression.
  • In order to find the right time, first, you need to be open. When we feel shy, we tend to bury our heads in our notepads, mobiles, or even in the coffee break food. (Who never?) Look up, not down, and keep a smile on your face at all times. Do not be afraid of saying hi to people even when you do not know them, especially those who are sitting right next to you during the numerous talks. This openness is key to finding the right time to “strike,” besides making it easier for people to approach you.
  • Approaching other attendees is not necessarily the worse thing ever. Small talk is there to rescue us! Comment about the icing cold air conditioning, the horrible Wi-Fi connection, the nice venue, the amazing lunch you just had, that coffee you terribly need, you name it, with the person who is sitting next to you. After breaking the ice, show interest and ask the person their name, what they do, where they are from, etc. And take the chance to ask for the person’s business card, so you can keep in touch. Naturally, they will also ask for yours. There you go. It does not hurt, does it? And you cause a way better impression when you show you are interested in knowing about the person than if you make it about yourself from the beginning. This approach can also be used during coffee breaks: comment about the amazing food, the interesting talk you just attended, how sleepy and in need of coffee you are… And repeat the same next steps: show interest to know who the person is and ask for their card.
  • Another way of approaching other attendees is when you “know” them somehow: you always see them commenting/posting on Facebook groups, you like their blog/what they do, you are Facebook “friends,” you name it. These are great ice-breakers.
  • Do not leave a conference without talking to presenters you like or whose presentations you enjoyed! There is no better ice-breaker than approaching the person to say you watched their presentation and loved it. Ask for their card so you can follow them on social media, and there you go. Or, if given the chance, you can even approach them before their talk (even if you are not really planning on attending it), saying you saw they are presenting, you are interested at the topic but unfortunately will not be able to attend it, so maybe they could give you their card so you can keep in touch? 😉

In a nutshell, the key is to be friendly and open at all times, and take every chance to start a small talk and take it to the next level by showing interest at the person. Only make it about you if the person opens the floor for you to do so.

If you engage with as little as one person per period (morning and afternoon), you end up with four contacts to follow up at a two-day conference. If you adequately follow up with them after the conference, these four people may introduce you to other people throughout the year and at the next conference as well. It is a vicious circle that only gets bigger with time, and one that works for itself, with no need to make such a great efforts anymore.

Now, last but not least, it is also important to know how to properly follow up.

  • Write an individual and personalized email to people you really liked meeting showing your appreciation.
  • Do NOT simply add people on social media without sending them a private message reminding them exactly where and how you met, or where you know them from. Actually, this should be always applied, like a best networking practice. It is hard to remember every single person we meet at conferences, and anywhere for that matter.
  • Now, I know this is hard to ask nowadays, but I actually prefer to follow their blog, like their Facebook page, follow them on Twitter, etc., instead of adding them as friends on Facebook or LinkedIn, especially those I did not really have a chance to connect that much.

Those who are at the the ITI and NAJIT conferences can already start applying these tips. If you do, let us know if it worked. And for those who are attending the Abrates Conference next week, like myself, you can start practicing in the shower. 😉

Por que você deve ir ao Congresso da Abrates?

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O VII Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da Abrates começa oficialmente daqui a exatamente duas semanas. Caso você já tenha feito sua inscrição, ótimo, nos vemos lá. Caso ainda não tenha feito, pense bem e leia este texto com carinho, pois só tenho motivos irrefutáveis para você participar. 🙂

O primeiro Congresso da Abrates do qual participei foi em Belo Horizonte, há três anos, quando ele passou a ser anual e não mais bianual. Depois disso, não perco mais nenhum. Fui ao Rio de Janeiro no ano seguinte e a São Paulo no ano passado, e vejo ele ficar cada vez maior e melhor com o passar dos anos. Se, na minha opinião, a edição do ano passado foi incrível, não consigo nem imaginar como será a deste ano.

Se você foi a uma das últimas edições sabe exatamente do que estou falando. E se pensar como eu, não perde esta edição por nada.

Mas vamos aos números da edição do ano passado:

– Participantes: quase 900.

– Palestras: mais de 70.

Você consegue ter ideia dessa proporção e do que ela significa? É impossível você não achar nenhuma palestra interessante.

Na minha opinião, estes são os benefícios de participar de um evento desse porte:

– Primeiro motivo fundamental: aprendizado. Como eu disse, é impossível não se interessar por nada, pois são várias opções no mesmo horário. Os assuntos são os mais diversos possíveis, apresentados por profissionais estabelecidos no mercado, tanto nacionais quanto internacionais. Todos têm a aprender: tanto iniciantes quanto profissionais já estabelecidos.

– Segundo motivo fundamental: networking. Pense bem: você tem 900 possibilidades de conexão. Estou falando de conexões reais, olho no olho, tomando um cafezinho, trocando uma ideia, formando parcerias. Você tem a chance de encontrar, em um só lugar, todas aquelas pessoas que você só conhece pela internet. E ainda tem a incrível chance de conhecer inúmeras outras pessoas novas, além de poder conversar com aquele palestrante ou tradutor que admira em um ambiente mais descontraído que possibilita essa abordagem.

– Terceiro motivo importante, na minha opinião: inspiração. Você sai de um evento desses extremamente inspirado, cheio de ideias, com uma vontade fantástica de trilhar caminhos novos e promissores. As baterias são recarregadas de uma forma que nenhum período de férias, seja onde for, consegue fazer, porque você volta inspirado para trabalhar e fazer acontecer.

– Último motivo, mas não menos importante: descanso. Embora você esteja aprendendo e toda a carga horária seja, de certo modo, cansativa, é uma oportunidade de sair da toca, ver pessoas conhecidas e novas, tomar um café, almoçar, passear… É a união perfeita do útil com o agradável. Melhor, impossível! Além das festinhas, é claro. Teremos um happy hour organizado por mim, pela Dayse Boechat e pelo William Cassemiro na quinta-feira (mais informações abaixo), o coquetel de abertura do próprio congresso na sexta e um jantar no sábado.

Agora vamos ao investimento, afinal de contas, é um investimento profissional. O que você realmente ganha com isso, além do já exposto acima?

– Além das 95 opções de palestras, este ano teremos cursos pré-congresso. Eles são pagos separadamente, mas os inscritos no congresso têm desconto. É a chance de você fazer cursos presenciais em diversos temas.

– Haverá duas palestras de treinamento do Studio 2015 com direito a certificado na programação normal.

– Espaço reservado para agências, nos quais os participantes poderão conversar diretamente com os recrutadores com a possibilidade de fechar parcerias.

– Presença de grandes empresas de CATs, como memoQ, MateCat, Memsource e Wordfast.

Ou seja, é um investimento que vale cada centavo. Além de ser possível parcelar o valor da inscrição, a Abrates também tem parcerias com hotéis que oferecem desconto aos participantes.

Veja a Programa preliminar do congresso (quase final).

Minha palestra, Como usar o Facebook como ferramenta de divulgação do seu trabalho, será no sábado, às 14h10. Além disso, também participarei da apresentação do Programa de Mentoria da Abrates no mesmo dia, às 15h10, com um coffee break especial da mentoria após a apresentação.

Sobre o happy hour na quinta-feira:

Local: Inverso Bar, Rua Mena Barreto, 22 – Botafogo
Horário: 18h

Caso queira se juntar a nós, basta confirmar presença aqui nos comentários ou entrar em contato diretamente comigo por e-mail ou qualquer outra rede social.

Esses são ou não são motivos irrefutáveis para você participar do congresso? Vejo você daqui a duas semanas?

 

Mentoria em tradução

Cabeçalho

O que é

Embora o termo mentoria seja recente, principalmente no Brasil, o conceito faz parte das nossas vidas de maneira informal desde que nascemos. Em sua forma básica, trata-se do processo natural no qual somos orientados no melhor caminho, incentivados a fazer mudanças ou impulsionados a evoluir. Por proporcionar efeitos altamente significativos, esse processo natural começou a ser estudado e pesquisado profundamente a partir dos anos 70 (no Brasil, somente há cerca de 10 anos). Foi, então, adaptado ao uso formal, estruturado como recurso de orientação e desenvolvimento profissional. No Brasil, a mentoria como ferramenta de desenvolvimento profissional está dando os primeiros passos. Na tradução, a ATA (American Translators Association) foi a primeira a introduzir um Programa de Mentoria, seguida recentemente pela APTRAD (Associação Portuguesa de Tradutores e Intérpretes) e agora pela Abrates (Associação Brasileira de Tradutores e Intérpretes).

Como funciona

A mentoria é um processo no qual o mentorado é orientado para facilitar e agilizar seu desenvolvimento e evolução por um profissional mais experiente que dedica seu tempo para compartilhar conhecimento e experiência com base principalmente no exemplo. Por sua experiência e por já ser consagrado no mercado, o mentor serve como objeto de respeito e admiração, um exemplo a ser seguido. Na tradução, esse processo ajuda o tradutor iniciante ou recém-formado a adquirir uma base mais sólida sobre como funciona o mercado diretamente de alguém que já está nele e que pode falar com propriedade sobre o assunto. Com isso, o mentorado obtém o caminho para encontrar as respostas (não as respostas em si) de que precisa de forma mais rápida e eficaz.

Benefícios são gerados para todas as partes: mentorado, mentor e organização. Além do aprendizado geral sobre o mercado e a profissão, o mentorado tem a chance de ampliar sua rede de relacionamentos. O mentor, por sua vez, além de ser reconhecido e de também aprender com o mentorado, obtém satisfação pessoal e profissional. Já a organização, adquire experiência organizacional e aprende com o desenvolvimento dos mentores e mentorados. Ou seja, todos saem ganhando.

Caminho das Pedras

O Programa de Mentoria “Caminho das Pedras” da Abrates é totalmente gratuito. Foi lançado no início de março e já é sucesso absoluto! No momento, há 20 pares mentor/mentorado em andamento e já há uma lista de espera.

Para se inscrever como mentorado, é preciso:

  1. Ser associado da Abrates e estar em dia com suas obrigações; e
  2. Ter no máximo dois anos de experiência como tradutor/intérprete; ou
  3. Estar no último ano do curso de tradução/interpretação/letras.

Para se inscrever como mentor, é preciso:

  1. Ser associado da Abrates e estar em dia com suas obrigações; e
  2. Ter no mínimo cinco anos de experiência na área.

Os interessados são solicitados a preencher uma ficha de inscrição com detalhes pessoais e metas desejadas para o programa. O Comitê de Administração analisa cada ficha e decide, em conjunto, o mentor mais adequado para cada perfil, de acordo com as descrições fornecidas na ficha do mentorado.

Cada programa dura seis meses, contados a partir do primeiro encontro do par. Os pares devem se encontrar por no mínimo duas horas por mês, no formato de preferência dos dois, com frequência também a ser decidida em conjunto. Cada par tem seu próprio coordenador dentro do Comitê de Administração. As reuniões são acompanhadas pelo coordenador designado por meio de relatórios de acompanhamento que devem ser preenchidos pelo mentor e pelo mentorado separadamente após cada reunião. Embora o programa tenha caráter voluntário (de todas as partes), há regras a serem seguidas para garantir a qualidade e o andamento fluido do programa de cada par. Caso essas regras não sejam seguidas, os coordenadores do Comitê de Administração decidirão, em conjunto, sobre a possível exclusão do mentor ou mentorado do programa.

Embora o limite de pares já tenha sido atingido, se você tiver interesse em ser mentorado e estiver de acordo com a regras do programa, envie um email se inscrevendo a fim de que possa entrar na lista de espera. A lista de espera segue a ordem de conclusão de inscrição, ou seja, quando o mentorado é finalmente aprovado no processo de seleção e considerado apto para começar o programa.

Acesse a página do programa no site da Abrates para saber mais detalhes, conhecer as regras e obrigações. Caso tenha qualquer dúvida ou queria se inscrever, entre em contato pelo e-mail: mentoria.abrates@gmail.com.br.

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