Guest post: Sign language (in Portuguese)

Our guest today, Silvana Aguiar dos Santos, will talk about the education of sign language interpreters in Brazil.

Welcome, Silvana!

libras

Desafios e reflexões sobre a formação de intérpretes de Libras/português no Brasil

No Brasil, a presença de intérpretes de Libras/português tem sido cada vez mais frequente nos diversos espaços da sociedade. Essa visibilidade conquistada por esse profissional nos últimos anos é consequência, em grande parte, das políticas linguísticas adotadas pelo governo brasileiro em relação à Língua Brasileira de Sinais — Libras. Ações como sua inclusão como disciplina curricular dos cursos de licenciatura e de fonoaudiologia, a criação de cursos de licenciatura e bacharelado em Letras-Libras, bem como a inclusão de pessoas surdas no sistema regular de ensino, ou ainda a difusão de uma educação bilíngue para surdos, são alguns dos fatores que contribuíram para o aumento significativo de intérpretes de Libras/português no mercado de trabalho brasileiro.

Quando abordamos o percurso de formação vivenciado por esses intérpretes, é possível observar que estamos em uma fase de transição entre diferentes contextos sociais, assim como em uma fase de articulação desses profissionais com os Estudos da Tradução, por meio de ações de cunho político e acadêmico. Há uma nova configuração do trabalho desse profissional, que passa a atuar de forma cada vez mais frequente em espaços acadêmicos. Além disso, vários cursos surgiram ao longo das últimas décadas a fim de qualificar esses profissionais, como os cursos livres de curta duração oferecidos pelas associações de surdos e/ou pela Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (FENEIS) em parceria com universidades ou órgãos do governo.

Recentemente, o curso de Bacharelado em Letras-Libras iniciado no ano de 2008 pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com outras instituições, na modalidade de educação a distância, foi um dos marcos no percurso de formação dos intérpretes. O curso tem o objetivo de formar esses profissionais conforme preconiza o Decreto-Lei nº 5626/05, que regulamenta a lei de Libras 10.436/02. O foco principal de formação desse curso está voltado para o campo educacional, um espaço com grande demanda de trabalho, seja nas universidades públicas e/ou privadas, seja em escolas da rede estadual e municipal em nosso país.

Atualmente, o curso de Bacharelado em Letras-Libras é oferecido pela UFSC nas modalidades presencial e a distância. Além dessa instituição, destacamos a Universidade Federal de Goiás, a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade Federal do Espírito Santo, que oferecem turmas de Bacharelado em Letras-Libras ou Bacharelado em Tradução e Interpretação de Libras. Outras instituições estão em fase de implantação do curso de graduação para formação de tradutores e intérpretes de língua de sinais. E o mercado de trabalho diante desse cenário de ampliação do campo de atuação dos tradutores e intérpretes?

No Brasil, muitos contextos de conferência, por exemplo, demandam o serviço de interpretação de Libras/português, uma vez que a participação da comunidade surda tem aumentado consideravelmente em nossa sociedade, estreitando interfaces de campos teóricos que se estendem desde as ciências humanas até a área de ciências exatas e da terra. Por outro lado, o índice de atuação de intérpretes de Libras/português concentra-se de forma evidente no campo da interpretação comunitária, abrangendo desde os contextos de saúde e jurídicos até o contexto educacional, sendo este último um dos campos mais procurados por tais profissionais. Nesse sentido, algumas ações desencadeadas pelo governo federal têm contribuído para a presença significativa de intérpretes de Libras/português no campo educacional. Um exemplo disso é o capítulo IV do decreto 5626, que aborda o uso e a difusão da Libras e da língua portuguesa para o acesso das pessoas surdas à educação. Esse capítulo apresenta uma série de providências a serem tomadas pelas instituições, dentre elas a necessidade de prover o serviço de tradução e de interpretação de Libras/português nas escolas.

Além desses espaços, aos poucos têm sido implantadas em nosso país as centrais de interpretação de Libras, as quais objetivam garantir o atendimento de qualidade às pessoas surdas em seu acesso aos serviços públicos. Nesse sentido, contextos da área médica ou jurídica, pouco conhecidos e praticados por intérpretes de Libras/português, tornam-se cada vez mais parte do cotidiano desses profissionais.

Diante desse cenário, as oportunidades de trabalho para intérpretes de Libras/português têm aumentado consideravelmente, o que exige um profissional competente e qualificado para atender todas essas demandas. A formação desses profissionais, por meio de cursos de graduação específicos sobre tradução e interpretação, é ainda recente em nosso país. Por exemplo, uma das primeiras turmas de tradutores e intérpretes de Libras/português formada em curso de graduação — o Bacharelado em Letras-Libras promovido pela UFSC — foi em meados de 2012.

A formação especializada desses profissionais é urgente, a fim de se garantirem serviços de qualidade nos mais diversos setores públicos em nosso país. Para promover essa formação, é fundamental problematizar e traçar diretrizes sobre as competências necessárias para a atuação de um intérprete e para cada contexto de atuação. Nessa perspectiva da formação por competências aplicada a intérpretes de Libras/português, elementos como a articulação entre as competências profissional, estratégica, tradutória, linguística e outras que constituem os processos de interpretação são eixos importantes para nortear uma didática de ensino desses profissionais.

Para encerrar, associando a minha experiência pessoal enquanto intérprete de Libras/português e, nos últimos anos, como docente e pesquisadora em Estudos da Tradução e Interpretação de Libras, ratifico a premissa de que prática e pesquisa precisam estar conectadas, articuladas, entrelaçadas para que de fato a formação de intérpretes se efetive e seja profícua. Considerar as experiências empíricas como parte constituinte da formação desses profissionais em consonância com os aspectos conceituais e as interfaces dos Estudos da Tradução é um dos primeiros passos para que tenhamos subsídios consistentes no processo de formação de futuros profissionais conscientes e qualificados para o exercício de suas funções.

Thank you, Silvana, for accepting our invitation and kindly contributing to our blog. 🙂

About the author
SILVANA AGUIAR DOS SANTOSSilvana Aguiar dos Santos é professora adjunta no curso de Letras-Libras do Departamento de Artes e Libras, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina no campo de conhecimento: Estudos da Tradução e interpretação de Libras. Doutora em Estudos da Tradução e Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), graduação em Educação Especial pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Tem experiência na área de Estudos da Interpretação, Políticas da Tradução e profissionalização de intérpretes de língua de sinais no ensino superior. Atua como vice-líder do Grupo de Pesquisa em Interpretação e Tradução de Línguas de Sinais – InterTrads.

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