Guest post: Linguistic coordination (in Portuguese)

Welcome back to our guest series! Today’s guest is Bárbara Weninger, and she will talk about her job as a linguistic coordinator at one of the largest localization companies in the world.

Welcome, Bárbara!

Source: http://bit.ly/1ji5PQl

Coordenação linguística de projetos de tradução

Comecei a trabalhar na área de tradução há nove anos, como estagiária em uma empresa de tradução, aqui em São Paulo. Depois de uma pequena temporada nos Estados Unidos após concluir a faculdade de letras, em 2008/2009, voltei ao Brasil e passei a trabalhar para uma das principais empresas de localização do mundo. Atualmente presto serviço para essa empresa como coordenadora linguística de duas grandes contas e hoje vou falar um pouco sobre o meu trabalho e os ingredientes importantes para coordenar uma equipe bem-sucedida.

Na área da tradução, assim como em diversas outras, cada cliente tem exigências específicas, uns mais, outros menos, assim como materiais de referência próprios que os tradutores precisam obedecer para entregar um trabalho que esteja de acordo com o nível de qualidade exigido. Entre os dois clientes cujas contas eu coordeno, um deles é especialmente exigente, com um nível de detalhes bem específico, o que acaba dificultando até mesmo encontrar mais recursos para colaborar conosco nessa conta. Visto que a curva de aprendizagem é longa, pode levar meses para um tradutor internalizar todas as nuances necessárias para um trabalho satisfatório e, pela minha experiência, posso dizer que muitos tradutores não têm paciência para clientes de alta complexidade.

Meu papel como coordenadora linguística é garantir que os recursos cumpram as exigências do cliente e, como consequência, entreguem traduções de alta qualidade, além de tentar facilitar ao máximo a vida deles para mantê-los na conta. Para obter sucesso nessa questão, existem alguns itens cuja alta qualidade é essencial: material de referência, feedback, comunicação e colaboração. A seguir, veja os fatores que contribuem para que cada um desses itens seja considerado satisfatório.

  • Material de referência: um bom material de referência é aquele que não contém inconsistências, é coerente, direto e sucinto. Os glossários precisam conter definições claras e o mais específicas possível para o contexto em questão. Muitas vezes, mais de um glossário é compilado por cliente, de acordo com os produtos ou serviços oferecidos. No caso dos guias de estilo, além das características já citadas, é muito importante que eles contenham exemplos ilustrativos e práticos para ajudar o tradutor a identificar e aplicar as regras no contexto real da tradução. Muitas vezes, o cliente é responsável pelo conteúdo do guia de estilo e do glossário, mas abre à equipe de tradução a possibilidade de enviar sugestões, e isso deve ser aproveitado ao máximo. Meu trabalho, além de enviar sugestões ao cliente, também envolve manter todo o material atualizado com as instruções mais recentes, organizado e acessível a todos os interessados.
  • Feedback: é essencial educar os tradutores e revisores com relação ao que se espera deles. Se eles receberem uma instrução inicial, entregarem um trabalho e nunca mais ouvirem falar daquele job, dificilmente avançarão na curva de aprendizagem e provavelmente não alcançarão o nível de qualidade que seu cliente requer, especialmente se for um cliente exigente e detalhista. Mesmo que o tradutor não apresente um desempenho muito satisfatório em suas primeiras tarefas (do ponto de vista de estilo e glossário), isso não significa que ele não poderá evoluir se as alterações realizadas no trabalho dele chegarem a suas mãos em tempo hábil, quando ele ainda estiver com suas escolhas para aquele job frescas na mente. Se o tradutor analisar as correções e entender o motivo delas, poderá evoluir consideravelmente. Feedback bom é feedback constante! Caso ele não apresente nenhum progresso nos trabalhos subsequentes, apesar dos feedbacks, das instruções e das conversas, aí sim é hora de testar outros recursos. Assim como o feedback ao tradutor, aquele que recebemos do cliente também é crucial para manter uma qualidade satisfatória da conta. Analisar, responder e encaminhar os comentários do cliente aos recursos internos o mais rapidamente possível contribui muito para que o resultado do nosso trabalho esteja sempre bem alinhado com as preferências do cliente.
  • Comunicação e colaboração: esses dois pontos estão intimamente relacionados tanto entre si como também com os pontos anteriores. Sem uma comunicação aberta entre todas as partes envolvidas (a equipe de tradução, gerentes internos e o cliente), muitos detalhes do processo perdem-se, especialmente nas equipes como a minha, em que todos os recursos trabalham remotamente, em diversas partes da cidade, do estado e até mesmo do país. Uma equipe com membros dispostos a colaborar uns aos outros, tirar dúvidas, dar sugestões, pedir e oferecer ajuda frente aos problemas mais complicados ou mais simples (como quando a tradução daquela frase simplesmente não sai) é valiosíssima. Uma equipe colaborativa e comunicativa evolui sempre, enquanto aquelas que não têm essas características, por mais qualificadas que sejam, passam por muitas dificuldades e acabam prejudicando o resultado do trabalho que realizam. Com a infinidade de formas de comunicação disponíveis e ao alcance de todos atualmente, ninguém tem desculpa para não se comunicar!

Obrigada, Carol, pelo convite e espero que o breve relato da função que exerço possa auxiliar os leitores do seu blog de alguma forma. Obrigada por lerem!

Thank you, Bárbara, for promptly accepting my invitation and kindly dedicating your precious time in writing to our blog. It was a pleasure featuring you here. I loved learning a bit more about your job, and totally agree with all the points you made! If the client and the service provider have a good relationship, one in which both can give and accept feedback, the service tends to be better provided.

I’ll take the chance to remind you that we already had a guest talking specifically about feedback, César Faria. Here’s the link, in case you missed it.

Remember: comments and feedback are always welcome!

About the author
foto7Bárbara Weninger Vitorino começou a trabalhar na área de idiomas cedo: com 17 anos, ela era professora de inglês em uma escola de idiomas. Após iniciar a faculdade, conseguiu um estágio em uma empresa de tradução de São Paulo, onde trabalhou até o final do curso. Formou-se em letras com especialização em tradução e interpretação (inglês) em 2008, pelo Centro Universitário Ibero-Americano e, logo em seguida, passou quatro meses nos Estados Unidos para aperfeiçoar sua fluência. Desde 2009, quando retornou ao Brasil, trabalha como tradutora e coordenadora linguística de dois projetos em uma das maiores empresas de localização do mundo.

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