Guest series: Teaching translation (in Portuguese)

Welcome back to our guest series, after a two-week break due to my vacation. 🙂 I hope you have missed our posts as much as I missed your comments and engagement.
And the return of our guest posts features an amazing professional and person, Claudia Zavaglia, who was my Translation Practice teacher, in Italian, back at my graduation.

Welcome, Claudia!

Source: http://standoutlanguages.com.br/metodologia.php

Traduzindo e aprendendo, sempre

Decidi ser professora ainda pequena, dando aula para as minhas bonecas de papel. Professora de português, de música, de balé, na infância; e de língua italiana, na faculdade. Mas professora de prática de tradução em língua italiana, juro, mas juro juradinho, que isso N U N C A havia passado pela minha cabeça antes do concurso da Universidade Estadual Paulista – UNESP, em 1998. Desde então, tenho ministrado as disciplinas Prática de Tradução I, II e III em Língua Italiana para os segundos, terceiros e quartos anos, respectivamente, do curso de Bacharelado em Letras com Habilitação de Tradutor da UNESP, câmpus de São José do Rio Preto. Graduei-me em Licenciatura em Letras pela Faculdade de Ciências e Letras da UNESP de Araraquara, especializando-me como docente de Língua Italiana pela Università per Stranieri Dante Alighieri de Reggio Calabria, na Itália. E foi morando na Itália que dei meus primeiros passos rumo à tradução, quando me vi diante de inúmeras certidões em português de nascimento, casamento e óbito que precisavam ser vertidas para o italiano quando eu quis tirar minha própria cidadania e ninguém sabia a língua portuguesa na cidade na qual eu morava. De volta ao Brasil, comecei a fazer mestrado e, ao mesmo tempo, dar aulas e traduzir para uma importante multinacional italiana instalada no Brasil, e nunca mais parei, até hoje, de dar aulas, de traduzir e de me apaixonar por tudo isso. Tudo teria sido “normal” para mim, se no meio do caminho eu não tivesse tido de “aprender”, tanto a “traduzir”, quanto a “dar aula de tradução”, ou melhor, de prática de tradução, para alunos que almejam a profissão de tradutor um dia. E foi aí que a porca torceu o rabo, e torce até hoje, já que estou sempre em conflito com a língua, a tradução, a prática, a teoria, os alunos e eu mesma. De fato, como é que eu ensinaria algo que eu mesma não sabia como se fazia? Às voltas com todo esse dilema, surgiu a oportunidade de participar do último concurso para tradutores juramentados do Estado de São Paulo e foi quando me tornei Tradutora Pública e Intérprete Comercial pela JUCESP da língua italiana, e ganhei o número 769. De lá para cá, são quase 15 anos fazendo somente isso: traduzindo textos para preparar aula, discutindo-os, revirando-os, dissecando-os em aula, com os alunos, e traduzindo-os profissionalmente. A Carol me pediu para falar, hoje, sobre o ensino de tradução, então, tentarei me ater a esse tema, mesmo que esteja intimamente ligado a minha prática profissional. Mas, como se ensina a traduzir? Partindo-se das perspectivas existentes nas discussões em torno da tradução, teríamos, grosso modo, duas vertentes: a tradução como sendo um dom natural e inato ao tradutor, portanto, intrínsica a ele, a partir do seu (ótimo) conhecimento de pelo menos um par de línguas e aquela baseada em técnicas de tradução para a qual o tradutor sabe (muito) bem como dominá-las e utilizá-las para a produção do seu texto, sem necessariamente, ser (profundo) conhecedor de nenhuma língua para o par que estará traduzindo. É óbvio que há controvérsias. Não acredito que ninguém “nasça” tradutor como também não acho que somente por meio de técnicas seja possível traduzir. A meu ver, existe uma conjunção de habilidades que torna possível que alguém produza textos traduzidos com a mesma sagacidade de um escritor e as mais importantes são: capacidade de leitura (de todo e qualquer tipo), talento linguístico e, portanto, o (bom) manuseio de regras gramaticais e textuais, capacidade de utilizar os procedimentos técnicos da tradução, quais sejam, a tradução literal, a modulação, a compensação, a adaptação, entre outros, e, sobretudo, curiosidade e interesse pelo o que se está fazendo. E é esse conjunto de “fatos” que presencio nascer e amadurecer em sala de aula em e com meus alunos. De fato, observo uma “progressão” tradutória nos textos produzidos por eles, a partir do momento que iniciam a traduzir artigos extraídos de revistas e jornais, passam àqueles técnico-científicos, desde manuais de instrução a processos jurídicos e alcançam os literários, da prosa à poética, respectivamente, nas disciplinas Prática de Tradução I em Língua italiana, II e III, tanto para a tradução quanto para a versão. Os textos são apresentados previamente a eles, que traduzem sozinhos, utilizando-se de todos os recursos que têm ao seu alcance, desde dicionários impressos aos eletrônicos até os expedientes oferecidos na Internet, ou seja, textos autênticos, bases de dados, dicionários on-line, enciclopédias etc. Em sala de aula, discutimos as propostas de cada um, muitas vezes, as dezoito diferentes possibilidades que todos têm a oferecer e passamos a analisar e tentar “eleger” qual delas seria a mais adequada para aquele contexto, aquele gênero textual, aquele veículo de divulgação. Claro que, na maioria das vezes, não apenas uma proposta é “aceita”, mas sim várias. Não raro, os debates são acalorados e me vejo, literalmente, na pele de um gladiador lutando contra suas feras. Feras essas que defendem suas sugestões com unhas e dentes, sem se darem conta que a compreensão do texto foi falha, que a pesquisa em torno de um item lexical não foi suficiente para alcançar seu significado, que confiam demais em seu “suposto” conhecimento da língua estrangeira e da materna e, por isso mesmo, adquirem ares de “Aristóteles ou Platão”, uma vez que acreditam não precisar buscar/pesquisar essa palavra ou aquela preposição, pois a conhecem como a palma da sua mão. Ledo engano. E aí, a figura do professor, a meu ver, é crucial, pois caberá a ele conduzir esse aluno à compreensão do texto, levá-lo a entender as sutilezas e nuanças da língua estrangeira ainda não adquiridas, bem como àquelas da materna, guiá-lo nas técnicas de tradução, muitas vezes identificando-as e demonstrando-as por meio de outros exemplos. Além disso, orientá-lo nos caminhos da pesquisa, desde como identificar e procurar uma palavra no dicionário, até como compreender seus significados e detectar sua frequência na língua e combinatórias, se usual ou não, enfim, pegá-lo pela mão e apontar-lhe as direções a serem seguidas. E vai depender do aluno querer apreender esses ensinamentos ou não. Assim como dependerá do aluno amadurecer sua capacidade linguística e tradutória; dependerá apenas dele tornar-se tradutor. O professor em sua vida é e será sempre apenas um orientador. E é isso que tenho tentado realizar na minha prática docente e é isso que gostaria de deixar registrado aqui, após esse breve relato da minha experiência em sala de aula com a tradução, ou seja, que o traduzir é uma via de mão dupla, seja entre o texto e o tradutor, o tradutor e seus conhecimentos, bem como entre o tradutor e o professor.

I loved learning a bit more about your beginning and how you feel about teaching translation. It’s a real pleasure featuring you on my blog! You were an amazing teacher and proved to be an even more incredible person. Thanks for all the learning and support you provided, and for accepting my invitation to write to us. 🙂

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Author bio
ImageClaudia Zavaglia é tradutora e professora Doutora da UNESP, câmpus de São José do Rio Preto, na qual ministra aulas de Prática de Tradução para os alunos de italiano do curso de Bacharelado em Letras com Habilitação de Tradutor. É autora de livros e capítulos de livros, além de artigos científicos sobre Tradução, considerando suas interfaces com a Lexicologia e a Lexicografia Bilíngue. Traduziu em 2012, o livro A música do silêncio, de Andrea Bocelli.