Feedback: bom mesmo quando é ruim

Começamos uma nova semana com mais uma tradução. Esta é a segunda colaboração da Paula Caniato. Desta vez, a tradução é da publicação do César Faria, Feedback: Good Even When Bad.

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Era uma sexta-feira quente, 16h, e eu tinha acabado de desligar meu notebook depois de uma semana bastante movimentada, dividindo meus dias entre meus dois empregos na época: professor de inglês e tradutor iniciante. Tudo o que eu queria era um tempo para relaxar e descansar um pouco, recarregar as baterias para o segundo turno. Foi aí que meu celular tocou…

Para minha surpresa, era a coordenadora de controle de qualidade da única agência para a qual eu costumava prestar serviços na época. Embora fizesse parte dos meus contatos no Skype, eu nunca tinha falado com ela. Bem, depois de ela ter se identificado, meu sangue gelou, me deu um frio na barriga e eu sabia que não podia esperar nada de bom.

E eu estava certo. Ela se apresentou muito gentilmente e me pediu para abrir o Skype a fim de que pudéssemos conversar sobre um arquivo que eu tinha traduzido alguns meses antes. Era um arquivo .ppt grande e complexo sobre fundos de investimento que deveria ser traduzido da noite para o dia, portanto, eles me ofereceram uma ótima taxa de urgência. Não fazia mais de seis meses que eu estava trabalhando como tradutor, mas senti que conseguiria fazer o trabalho decentemente, já que minha produtividade era boa na época. Eu estava totalmente errado. Quase perdi o prazo, muitos erros foram apontados, o cliente final retornou o arquivo com várias reclamações e um desconto foi aplicado como penalidade.

Não tinha como eu me sentir mais frustrado com uma situação tão desagradável. Entretanto, a coordenadora de controle de qualidade foi bem simpática e compreensiva. Ela me disse, gentilmente, que eu poderia aprender com a experiência e usá-la para melhorar minhas habilidades e minha atenção. Até então, eu não tinha recebido nenhum tipo de feedback e, principalmente por ser negativo, esse serviu para me colocar em um estado de muita atenção e cautela antes, durante e depois de qualquer trabalho de tradução. Posso afirmar com certeza que minhas preocupações com relação à qualidade começaram a ser construídas e desenvolvidas devido a esse evento tão traumático.

O tempo passou e, agora, grande parte do meu trabalho consiste em coordenação e edição/revisão de projetos. Para muitos deles, tenho que fornecer um feedback para os tradutores envolvidos. Como sempre me lembro da maneira extremamente educada que minha antiga coordenadora de qualidade lidou com a situação mencionada acima (e já que aquilo também me fez crescer profissionalmente), eu gostaria de compartilhar algumas dicas para tradutores, especialmente iniciantes, sobre como lidar com feedbacks:

  • Leia todas as correções e sugestões e crie um arquivo separado com elas. Sempre tenho um arquivo de feedbacks por cliente e um arquivo principal com todos os feedbacks que recebo. Isso pode ajudar você a aprender com especialistas ou clientes de campos muito específicos. Você sempre terá uma carta na manga se ocorrer um problema de terminologia/consistência em um projeto futuro para o mesmo cliente.
  • Se você não concorda com algo, questione. Naturalmente, se você acredita que está certo, fará uma pesquisa mais aprofundada para provar seu ponto de vista. Faça isso com educação e não se esqueça de incluir boas fontes. Na nossa profissão, não há lugar para arrogância. Todos nós sabemos que o tempo é curto e decisivo e, como seres humanos, erros podem acontecer, mesmo por parte daqueles que deveriam corrigi-los.
  • Depois de receber, ler e concordar com o que foi escrito sobre seu trabalho, não vire as costas, esqueça sobre ele e volte para suas traduções. É sempre bom responder à mensagem. Preparar listas de erros, indicando correções, sugerindo maneiras de melhorar o estilo, entre outras coisas, é muito estressante e demorado. Particularmente, não gosto muito de ser responsável por dar um feedback negativo para alguém, mas tenho que fazê-lo. É bom quando a pessoa avaliada informa que tudo foi entendido e que a próxima vez será melhor.

Por fim, todos nós sabemos que tradução é uma atividade que requer aprendizado constante. Nunca saberemos tudo e devemos aprender com nossos erros. Estou totalmente ciente de que a última frase foi um completo clichê, mas acredito que todas essas ideias sejam essenciais para nos tornar mais cuidadosos e responsáveis quando um trabalho nos for designado.

Obrigado, Carol, pela oportunidade. Ficarei extremamente feliz em ler comentários e outras histórias relacionadas a esse tópico. Sintam-se a vontade para me enviar um e-mail: cesarhf.translator@gmail.com

Muito obrigada por mais uma colaboração para o blog, Paula! 🙂

About the translator
DSC04193Paula Caniato acabou de se formar no curso de Bacharelado em Tradução (UNESP). Seus pares de idioma são inglês > português brasileiro e espanhol > português brasileiro. No início de 2014, ela decidiu começar a traduzir profissionalmente e foi contratada por uma agência de Campinas. Hoje, Paula está se especializando nas áreas de TI e marketing e também sonha com um futuro no mercado editorial. Ela reside em São José do Rio Preto – SP e pode ser encontrada em http://about.me/paulacaniato.

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